Sabrina Noivas 69 - The Princess Bride
Srie Homens do Texas 17.1 - Srie Virgin Brides 01 
 
Um peo perigoso e destemido. Ele era o que Tiffany sempre desejara: forte, inteligente, charmoso e simplesmente irresistvel. King Marshall era o prprio amor personificado, e ela faria qualquer coisa para passar o resto de sua vida com ele. O grande problema era que King acreditava que casamento tinha sido inventado apenas para os tolos...Uma garota encantadora. Ela era jovem, belssima, simptica e...muito inexperiente. King Marshall era bem mais velho, ctico e desiludido com a vida para se deixar levar por histrias de amor com finais felizes. Ele s no contava com a tenacidade e com a determinao de Tiffany em lev-lo ao altar.

Digitalizado por: Marcia Gomes
Capa e Diagramao: Renata Almeida

Este Livro faz parte de Projeto_Romances,sem fins lucrativos e de fs para fs. A comercializao deste produto  estritamente proibida.
Srie Noivas Virgens (Virgin Brides)
Autor	Ttulo	Ebooks	Data
Palmer, Diana	The Princess Bride
Sab.Noivas 069 - H.Texas 17.1 - Tudo Por Um Beijo	Mar-1998August, Elizabeth	The Bride's Second Thought
Sab.Noivas 090 - Razes Do Corao	Apr-1998Broadrick, Annette	Unforgettable Bride
Sabrina 1044 - Um Amor Para Sempre	May-1998Carey, Suzanne	Sweet Bride of Revenge
	Jun-1998Steffen, Sandra	The Bounty Hunter's Bride
	Jul-1998Ferrarella, Marie	Suddenly... Marriage
Sab.Noivas 092 - De Repente...Casados!	Aug-1998Paige, Laurie	The Guardian's Bride
Sab.Noivas 100 - Planos Para Um Casamento	Sep-1998Christenberry, Judy	The Nine-Month Bride
BD 724 - Aconteceu o Amor!	Oct-1998James, Arlene	A Bride to Honor
Sab.Noivas 093 -Preldio de Amor	Nov-1998Longford, Lindsay	A Kiss, a Kid and a Mistletoe Bride
Sab.Noivas 113 - Beijo Roubado	Dec-1998Palmer, Diana	Callaghan's Bride
Julia 1129 -  H.Texas 19 - Irmos Hart 03 - As Estaes Do Amor	Mar-1999James, Arlene	Glass Slipper Bride
	Jul-1999Grace, Carol	Married to the Sheik
BD 726 - Casada Com Um Sheik	Sep-1999Shields, Martha	The Princess and the Cowboy
Sab.Noivas 114 - A Princesa e o Caubi	Nov-1999Bagwell, Stella	The Bridal Bargain
BD 741.1 - Selado Com Um Beijo	Jan-2000Cassidy, Carla	Waiting for the Wedding
Sab.Noivas 110 - Meu Primeiro Amor	Feb-2000Clayton, Donna	His Wild Young Bride
Sab.Noivas 117 - Corao Selvagem	Apr-2000Colter, Cara	First Time, Forever
Julia PP 033 - Conto De Fada Existe	Aug-2000Grace, Carol	Fit for a Sheik
Julia 1131 - Sob Medida Para o Sheik
	Feb-2001Wallington, Vivienne	Claiming His Bride
Sab.Noivas 120 - Um Segredo Entre Ns	Apr-2001Bright, Laurey	Marrying Marcus
Sab.Noivas 139 - Eu Sei Que Vou Te Amar	Dec-2001Bright, Laurey	The Heiress Bride
Sab.Noivas 138 - Casamento de Princesa	Mar-2002Smith, Karen Rose	The Marriage Clause
	May-2002

      

     

     














CAPTULO 1 

Tiffany o avistou a distncia, montando Thunder, o imenso garanho negro que j havia matado um homem. Ela odiava aquele animal, um cavalo matador, mas respeitava muito o cavaleiro, King Marshall, da mesma maneira que a maioria das pessoas que moravam em Jacobsville, Texas. A famlia de King tinha ido morar nas proximidades do rio Guadalupe, h muito tempo, na poca da guerra civil, numa fazenda chamada Lariat, que agora pertencia a ele. 
Nessa poca do ano, em plena primavera, era muito comum v-lo no lombo do garanho recolhendo o gado, cavalgando atrs de alguma rs desgarrada, ou mesmo marcando os animais. King, apesar de ter uma empresa com o pai de Tiffany, onde se negociava terras e gado, quase no saia da fazenda e os empregados da cidade praticamente no o  viam. O rebanho de King era to grande que, nesse ano, ele havia comprado um helicptero que estava sendo usado para conduzir o gado at os inmeros currais. Tiffany adorava ficar de longe, vendo o helicptero voando em baixa altitude, fazendo o trabalho de, pelo menos, dez vaqueiros. 
Conduzindo seu cavalo, Dream, ao lado da cerca de arame farpado Tyffany se aproximou um pouco mais de onde King se encontrava sempre cuidadoso, jamais permitiria que se aproximasse muito, ainda mais quando a tarefa executada por ele e pelos  pees era a de marcar o gado. 
Ela deu um profundo suspiro e ajeitou a blusa de seda cor-de-rosa que usava. Depois foi a vez de ajeitar a cala jeans azul e as botas negras de cano alto. Tiffany gostava de andar impecvel. mesmo quando estava cavalgando. E ainda, com King nas proximidades, a vontade dela de se mostrar muito mais bonita e elegante se transformava quase numa obsesso. 
Tiffany voltou a suspirar. No, no custava nada sonhar e imaginar-se nos braos de King. Se isso um dia acontecesse, se conseguisse conquist-lo, seu pai Harrison, ficaria muito feliz e daria todo apoio a ela pois, alm de  scios. os dois homens eram muito amigos. O difcil seria fazer King. sempre muito cerimonioso, sempre muito misterioso, se interessar por uma garota to jovem Nos ltimos . tempos, este tinha sido o grande dilema de Tiffany. Se pelos menos fosse. mais velha. Porm, depois de muito refletir a  respeito do assunto, ela chegou  concluso de que poderia sim, conquist-lo. Afinal era muito bonita e inteligente. Mas para que isso acontecesse, precisava mudar algumas coisas em sua aparncia to juvenil. E  Tiffany tomou uma deciso: cortaria os longos cabelos negros. No entanto, quando  chegou o dia que se propusera a ir  cabeleireira, a coragem lhe faltou. Adorava aqueles cabelos que emolduravam-lhe o rosto oval, de pele bem clara, e que contrastavam com seus olhos verdes. E como seria possvel ficar sem os Longos cabelos negros que esvoaavam ao vento quando cavalgava? Aquela cabeleira fazia parte dela. como fazia parte o sorriso que quase no lhe saia dos lbios e a vontade de viver. Harrison Blair viva dizendo que a filha era a personificao da alegria e da felicidade e que, em tudo, lembrava-lhe a  esposa.
Depois de voltar atras, de decidir que no cortaria os cabelos, Tiffany se props conquistar King de outra maneira. Por que teria de parecer mais velha? No, iria conquist-lo apesar da idade, e do distanciamento que aquele homem que a fascinava fazia questo de manter. De uma coisa tinha certeza: chegaria o dia em que King Marshall passaria a v-la como uma mulher, no como a irmzinha mais jovem. Mas como fazer para que isso viesse a acontecer? Tiffany no sabia. 
Devagar ela continuava conduzindo Dream, cuidando para que no se aproximasse da cerca de arame farpado. Quando chegou mais perto do local onde o homem dos seus sonhos se encontrava, Tiffany  sorriu e gritou: 
- King!  A voz dela  foi levada pelo vento e, ao ouvi-la,  ele puxou as rdeas do garanho para a direita e virou-se. 
Mesmo  distncia Tiffanny podia sentir a frieza daqueles olhos azuis, a tenso do rosto de expresso marcante que havia passado a vida toda se dedicando ao trabalho. King, hoje, era um homem rico. E fizera por merecer. Tiffany no conhecia ningum que trabalhasse tanto quanto ele. King j tivera inmeras namoradas,  mas era muito discreto, nunca falava de vida sua particular. 
Tiffany continuava fitando-o de longe. No existia nada de criana na aparncia de King Marshall, um homem que no tivera tempo de desfrutar da infncia, nem da adolescncia, vendo seus sonhos sendo destrudos por um pai que passara a beber muito depois que a esposa fugira, e que exigia obedincia cega do seu nico filho.
Agora Tiffany via, com o corao aos saltos, King cavalgar com muita elegncia em sua direo. Ele tinha uma compleio fsica invejvel, msculos fortes, delineados pela camiseta vermelha, pernas longas, trax amplo e absolutamente nada de gordura. Para Tiffany, tudo nele era perfeito.  
- Voc acordou cedo hoje, mocinha. - Com um sotaque caracterstico dos texanos, ele disse quando parou o garanho em frente a Tiffany, do outro lado da cerca. Em seguida, colocou o chapu um pouco para trs o que deixou a descoberto um pouco dos seus cabelos negros.
- Amanh estarei completando vinte e um anos. - Ela sorriu com orgulho, sabendo que seria um grande atrevimento o que estava para dizer. - E estarei oferecendo uma festa aos amigos. Quero que comparea King. O traje  a rigor e no precisa se fazer acompanhar por ningum.  o meu aniversrio e, como aniversariante, vou querer ganhar muitos presentes. E voc, King Marshall ser o meu grande presente e ficar  minha disposio a noite inteirinha.
- Deveria ter me dito antes.
- O qu? - A voz de Tiffany soou tremula.
- Deveria ter me dito antes que serei um dos seus presentes de aniversrio No sbado logo pela manh terei de estar em Omaha.
- Acontece que voc tem um avio.  Pode ir com ele para l.
- E dormir? As vezes eu preciso dormir um pouco, Tiffany. Sabia?
- No adianta arrumar desculpas, King Marhall. Como acabei de dizer, quero voc como o meu grande presente  de aniversrio. - Ela lanou-lhe um sorriso zombeteiro. - Se no for, vou rasgar o meu vestido e botar a culpa  em  voc. J pensou? Sua reputao estar arruinada para sempre. Vai ter de sair correndo da cidade e nunca mais voltar. 
- Esta se transformando em uma bruxinha muito esperta, Tiffany Blair - Os olhos dele brilhavam - Mas acho que no vai dar mesmo para eu ir a sua festa.
- No aceito um no como resposta. Todas as bruxinhas tm as suas fantasias. 
- Tudo bem. vou comparecer a sua festa, mas ficarei l por pouco tempo. 
- No, quero voc l comigo o tempo todo. - ela insistiu. 
- Tenho de trabalhar Tiffany.
- Trabalho, trabalho e mais trabalho! S sabe pensar em trabalhar King? Voc tem apenas trinta e quatro anos, mas parece que j passou dos quarenta.
- Quanta sinceridade!
-  verdade. E essa sua aparncia cansada se deve a este maldito trabalho.
- A vida no e fcil.
- Tudo bem, concordo com voc que a vida no  fcil, mas precisa descansar King.
- E quem cuida dos meus negcios?
- Para mim, voc vive arrumando desculpas para no parar um pouco de trabalhar. Tem de arrumar um jeito de tirar umas ferias, King. Pelo que eu sei, ningum  da ferro.  Portanto voc tambm no .
- Agradeo pela sua preocupao. Acontece que o meu trabalho  sagrado para mim. Mas me diga: como  o vestido que vai usar amanha?
- Lindo... - ela deu um profundo suspiro -  Um sonho. O vestido  em seda branco, decotado, com uma parte da blusa e das mangas, que so compridas, toda rebordada por pequenas pedrinhas. Nos cabelos vou usar uma gardnia. 
- Pelo que estou podendo percebe voc estar muito perigosa.
- Pode acreditar que sim! Ela riu. - A, quem sabe, voc vai notar que eu cresci.
King ao ouvir aquilo, franziu as sobrancelhas de leve. O flerte que  existia entre os dois no era novo, mas sempre fora encarado por King como algo inocente. Porm, de uns tempos para c, ele muitas vezes se pegara evitando Tiffany Blair, sem entender muito bem o porqu. A diferena de idade entre os dois, King bem o sabia, era muito grande e Tiffany, pelo que tinha conhecimento, nunca se relacionara com ningum.
King continuava olhando para Tiffany sem saber direito o que dizer em circunstncias como aquela. Se ainda fosse uma outra mulher... Na verdade, ele se forava a acreditar que a garotinha que vira crescer, continuava ainda muito imatura por causa da superproteo do pai. Portanto, era aconselhvel  continuar  mantendo-a a urna certa distncia . Afinal, apesar de ser um grande namorador, fazia questo de no se envolver seriamente com ningum. E com Tiffany no podia ser diferente. As mulheres sempre traziam problemas.
- A que horas vai comear a festa?. - ele perguntou, cora certa resignao.
- L pelas sete.
King ficou pensativo durante alguns instantes e ento disse:
- Certo. Mas s vou poder ficar l no mximo por duas horas.
- S isso? - ela perguntou, bastante frustrada.
- Sinto muito, Tiffany.
Bem, duas horas era bem melhor do que nada, ela concluiu em pensamento e, radiante, disse:
- Maravilha!
King, ao se afastar, galopando o fantstico garanho, no se despediu. Alis, ele nunca se despedia.
Tiffany ficou observando a corrida desenfreada de King pelos campos: homem e animal, que mais pareciam um s ente, na certa haviam sido deixados na Terra por seres   desavisados , por seres que jamais iriam entender o corao de uma mulher. E era muito bom observ-lo. Na certa King tinha um corpo quente e rijo, o corpo de um homem acostumado s intempries da vida. 
Depois de um longo tempo olhando para King, que agora se encontrava muito distante, Tiffany resolveu que deveria voltar para casa. Mais do que nunca ela precisava fazer alguma coisa por sua felicidade. Caso contrrio, quando menos esperasse, King apareceria casado e ...
- Eu morreria,- ela disse para o vento e comeou o retorno, num trote lento.

Tiffany apesar da euforia de saber que King compareceria  festa, estava se sentindo profundamente preocupada. Se um dia King viesse a se casar, ela realmente no saberia  o que fazer da vida. Aquele homem era tudo para ela. King Marshall era o nico homem que queria para si. Porm, por mais que pensasse, tentasse decifrar o seu inconsciente, Tiffany no fazia a menor idia por que havia se ligado a um homem mais experiente e bem mais velho E, pela primeira vez, se questionava se teria alguma chance com ele. Tiffany jamais  ousara se fazer tal tipo de questionamento. A situao que vivia, ela se viu obrigada a admitir, era assustadora.
Nunca, nunca imaginei, a minha vida sem King. Tiffany ergueu uma das mos e afirmou melhor o chapu na cabea. E se for isso que me reserva o futuro?
    Tiffany continuava o seu caminho de volta para casa, por uma faixa de terra que ligava a propriedade de King a de Harrison Blair. S ento observou a grama que se encontrava quase seca. O tempo estava muito quente. Se no chovesse logo, tudo secaria sob o sol escaldante do Texas.
E o gado precisava de pastos verdejantes.
Tiffany entendia bastante de gado.. Afinal, desde muito criana vivia numa fazenda. O feno que King tinha estocado, com toda certeza, no daria para o inverno. Talvez o feno no fosse suficiente nem para o vero. A, ele teria de import-lo a um preo excessivamente alto o que significaria uma grande perda.
- Se ao menos King fosse homem de aceitar ajuda... Eu 
poderia arrumar trabalho e... - Tiffany balanou a cabea em negativa. - Acho que estou delirando. King  orgulhoso demais para para aceitar ajuda de algum, principalmente de uma mulher. E que tipo de trabalho eu poderia arrumar que me  desse condio de ajud-lo?
Tiffany  se encontrava prxima  margem do rio Guadalupe, que e encontrava muito baixo. O rio e aquela parte do Texas guardavam muitas histrias. Arquelogos haviam encontrado acampamentos indgenas nas proximidades do rio que datavam de sete mil anos. Por causa disso, uma parte da regio tinha sido transformada pelo governo em um Santurio Histrico Nacional. No muito longe dali, ficava a cidade de Goliad, onde muitos texanos tinham sido massacrados pelas tropas mexicanas, no ano de 1836.
Para Tiffany no era difcil, ao olhar para aquela paisagem, imaginar os primeiros colonos espanhis que ali haviam chegado, os padres, os ndios, os caubis...King combinava direitinho com aquilo tudo. Ele tinha a fora, o vigor e a resistncia do povo texano Na imaginao de Tiffany, a nica coisa que o diferenciava de um pioneiro era a frieza com que tratava as mulheres.
Se viu obrigada a admitir, era assustadora.
Ao chegar no caminho florido, que passava bem prximo  sua casa e que a levaria at ao estbulo, Tiffany estava se sentindo um pouco deprimida. De repente, se dera conta de que King havia resistido muito para aceitar o convite para a festa dos seus vinte e um anos. Alm disso, a perspectiva de um futuro longe dele, que lhe ocorrera, comeava a se tornar um pesadelo.
Tiffany se sentia bastante apaziguada sempre que olhava para aquele caminho florido, para a casa amarela, ampla, com uma imensa varanda. Ao lado da varanda, ficava a garagem, onde podia ser visto o Jaguar vermelho dela e o Mercedes cinza do pai. Atrs da casa ficava a piscina, sempre de guas azuis, muito bem cuidada pelos empregados.
- Filha - Harrison Blair gritou ao v-la. - Afinal, resolveu aparecer. Por onde voc andava?
Tiffany conduziu o cavalo para perto do local onde  o pai se encontrava e disse , sorrindo: 
- Pelo jeito voc estava morrendo de saudade de sua filha querida. Acertei?
- Mas  claro que acertou. - Harrison Blair sorriu encantado. - Querida, estou atrasado para uma reunio.
- Pelo que eu me lembre, voc sempre est atrasado para uma reunio - ela caoou.
- Voc nunca vai mudar. No , garota? Adora brincar com o seu velho pai.
- De velho voc no tem nada.
- Um elogio desse vindo de uma jovem como voc me deixa muito vaidoso. Mas agora tenho de ir para minha reunio. Ah! Antes que eu me esquea, a Lettie ligou.
-  mesmo? E o que ela queria?
- Parece que ela no encontrou um dos queijos que voc queria.
- Tudo bem papai, no se preocupe. Depois eu ligo para  a Lettie.
- Bem, ento eu j vou indo.
- No sem antes ouvir o que tenho a lhe dizer. 
- Deve ser algo muito bom. Voc s sorri assim quando est muito feliz. 
        - E estou mesmo. Sabe quem vai comparecer a minha festa amanh?
- Quem? - Harrison Blair perguntou curioso.
- King. Encontrei-me com ele h cerca de meia hora. Meu peo maravilhoso no me escapa.
- Calma, garota, muita calma! No quero ver voc se machucar.
- Logo, logo estarei usando um anel de noivado, dado pelo peo mais misterioso do Texas. - Ela riu. - Vai chegar o dia em que ele acabar sucumbindo ao meu charme. S que King ainda no sabe disso.
Harrison Blair agora olhava para a filha com uma certa preocupao. Ela era ainda muito jovem e no sabia que a vida podia dar com uma das mos e retirar com a outra. Tinha certeza de que King, por causa da diferena de idade, jamais iria se interessar pela sua linda filha e chegaria o dia em que Tiffany teria de enxergar a realidade se conformar.
- Bem agora preciso ir. Se tudo der certo, estarei de volta l pelas quatro. - Harrison Blair sorriu. - Teremos champanhe amanh na sua  festa?
- Mas  claro que sim. 
- Espero que Lettie no esteja contando com meus champanhes. Eles esto sendo guardados para o seu casamento.
- Teremos champanhe, sim, papai. Afinal no  sempre que eu completo vinte e um anos. Mas pode ficar tranquilo que os que sero servidos chegaram da Frana no ms passado.
Harrison Blair, emocionado, ficou olhando alguns instantes em silncio para Tiffany.
- O que foi?
- Nada, no foi nada. Mas  incrvel como dia que passa, fica mais parecida com a sua me. Se estivesse entre ns, ela ficaria muito orgulhosa de voc Tyffany
- Isso  muito bom de ouvir. - Tiffany deu um suspiro longo e entrecortado. Apesar de a me ter falecido h muito tempo, sua lembrana ainda os deixava muito saudosos. Mary Blair tinha sido uma mulher muito especial e, por causa disso,  o marido, ainda multo ligado  memria dela, jamais havia se casado de novo. Um dia ele dissera a Tiffanny que o verdadeiro amor era algo que acontecia uma s vez na vida.
Vendo o quanto o pai tinha ficado triste de repente, Tiffany desceu do cavalo e disse:
- No fique assim, meu querido. Tenho certeza absoluta de que de algum lugar, a mame vela por ns.
Harrison Blair se aproximou de Tiffany e a abraou:
- Sua me sempre ser para mim uma doce lembrana. Eu a amava muito. 
        - Eu sei disso, papai. Mas, por favor, no fique triste.
- Tudo bem. - Ele enxugou uma lgrima que escorria-lhe pelo rosto. - Mas me diga: quantas pessoas iro comparecer a sua festa?
- Umas quarenta. Convidei meus amigos e alguns amigos do King.
- Voc convidou os amigos de King? Por qu?
- Resolvi testar a nossa compatibilidade.
- A compatibilidade entre voc e King? - o pai perguntou espantado.
- No - ela riu -, a compatibilidade entre mim e os amigos dele. Preciso saber se iremos nos dar bem antes de arrastar o King para o altar.
Harrison Blair deu uma gargalhada.
        - Do que voc est rindo, papai?
- De voc, filha, de voc. E o que acha que King e os amigos tm em comum?
- Dinheiro e gado. O que no deixa de ser uma boa combinao. Alm disso, quase todos so polticos. E, como o senhor sabe, os polticos, em pblico, sempre so muito gentis.
- Isso  verdade.
- O senhor acha que eles vo perder a oportunidade de conseguir votos? De maneira alguma!
- Voc, alm de inteligente,  muito observadora, minha filha.
- Eu adoro conversar com os polticos.
- No sabia disso.
-  verdade. Sempre que converso com um deles, fico me perguntando: ser que esse homem pensa que estou mesmo acreditando em tudo o que me diz?
- Voc pensa isso, minha filha?
- Claro que penso.
- Realmente, voc me saiu bem melhor do que a encomenda. - Harrison Blair voltou a abra-la. - Agora eu preciso mesmo ir para a minha reunio.
- V, papai, v. E no se preocupe com nada.
Depois que o pai foi embora, Tiffany levou Dream para o estbulo e ficou l durante um bom tempo pensando na festa dos seus vinte e um anos. Iria mostrar a King o quanto era boa na arte de receber as pessoas.
Tiffany, feliz, olhava para a imensa sala toda decorada com flores brancas e vermelhas. Depois foi para a varanda, tambm toda enfeitada com as mesmas flores. Lettie, sua madrinha e tambm uma grande amiga, sabia mesmo cuidar de cada detalhe. Logo os convidados estariam chegando e ocupando todos os espaos. O conjunto musical que havia contratado j se encontrava a postos e afinava os instrumentos. Na imensa cozinha, Cass, a governanta, junto com os outros empregados e sob o olhar sempre atento de Lettie, cuidava dos salgados que seriam servidos.
- Agora s falta eu me vestir - Tiffany disse baixinho e abriu os braos, como se com aquele gesto quisesse abraar o mundo e manter junto de si a alegria que havia se apoderado dela. E tanta alegria se devia ao fato de que King tambm estaria presente na festa. Ele raramente freqentava aquela casa, s aparecendo quando tinha algo muito srio para tratar com Harrison Blair.
Tiffany subiu a escada e se dirigiu ao quarto. Antes de se vestir, foi dar uma olhadinha no espelho para ver se a leve maquilagem que havia sido feita por uma especialista, no melhor salo de beleza de Jacobsville, continuava perfeita. E a maquilagem estava, sim, perfeita. A maquilagem e os cabelos.
Valera a pena ter passado a tarde toda no salo de beleza.
Devagar, Tiffany se virou e ficou olhando o vestido que usaria e que se encontrava sobre a cama. Era lindo. O vestido tinha sido criado por um estilista de San Antonio. O rapaz, muito talentoso, voltara h seis meses da Frana, depois de um estgio de dois anos em uma das maisons   mais famosas de Paris. O vestido era simples, mas muito sofisticado. Com muito cuidado, para no desmanchar os cabelos e no estragar a maquilagem, ela o retirou da cama e o vestiu.
- Perfeito! - Tiffany exclamou ao se olhar de novo no espelho. - Esse corpete acinturado, me deixa com o corpo mais alongado... E eu gosto disso!
Depois de ter calados os sapatos, feitos sob medida no mesmo tecido do vestido, tambm em Jacobsville, foi a vez de colocar nos cabelos a pequena gardnia.
- King, hoje voc no me escapa! - Tiffany disse muito contente quando j estava pronta.
Naquela altura dos acontecimentos, ela j tinha ouvido vrios carros chegando e viu que precisava descer para recepcionar os convidados.
Meio trmula, Tiffany deu uma ltima olhada no espelho e saiu do quarto.
Ao chegar na sala, foi aplaudida. Meio constrangida, Tiffany agradeceu a presena de todos e pediu que o conjunto comeasse a tocar.
Cinco minutos mais tarde, vrios pares danavam ao ritmo de uma melodia que tinha feito muito sucesso na dcada de sessenta.
- Vamos danar, Tiffany? - Wyatt Corbin, um jovem poltico solteiro, muito cobiado pelas mulheres, a convidou.
- Vamos, sim, Wyatt.
- Voc est belssima, Tiffany - o rapaz comentou, quando os dois j estavam danando.
- Muito obrigada.
- Voc se tornou um mulher muito sofisticada. Qualquer poltico se sentiria honrado em t-la como esposa.
- S os polticos? - Tiffany brincou.
- No, na verdade qualquer homem se sentiria honrado em t-la como esposa.
- Est pensando em reeleio, Wyatt?
- Claro... E qual poltico no pensa em reeleio?
- E qual  a sua plataforma para essa nova candidatura?
- A mesma que a desse meu mandato. Como voc sabe, a minha preocupao bsica sempre foi com os menos afortunados.
-  verdade... - ela respondeu com um certa ironia, que passou despercebida ao rapaz. Na verdade, Wyatt era tido como um pssimo poltico.
- Agora, entre outras coisas, estou pensando em construir um outro abrigo para as pessoas idosas que no tm quem cuide delas.
- Isso  muito bom.
- Mas voc est me surpreendendo, Tiffany Blair. Desde quando passou a se interessar por poltica?
- Desde que li um livro onde o autor me fez entender que tudo na vida, at o ato de respirar,  poltico.
- No acha este autor exagerou um pouco? - Wyatt riu. 
- Se pensarmos na poluio, se pensarmos na devastao das florestas, no acho que seja exagero dele. Afinal, se os nossos dirigentes e ns, os eleitores, no pensarmos em cuidar desse nosso planeta, o que ser do futuro da Terra?
Bastante surpreso, o rapaz continuou conversando com Tiffany. Ela, por sua vez, estava comeando a ficar aflita. Onde estaria King? Por que se atrasara tanto? Como em resposta as suas indagaes, King entrou na sala vestindo um smoking muito bem cortado. Ao v-lo, o corao de Tiffany comeou a bater forte dentro do peito. Porm, ao perceber que ele estava acompanhado, teve vontade que o cho se abrisse aos seus ps.
- O que aconteceu? - Wyatt quis saber. - De repente voc ficou gelada.
- Acho que  cansao. Podemos parar de danar?
- Mas  lgico. Uma outra hora a gente continua com a nossa conversa. Gostaria que me sugerisse algumas coisas para que eu possa colocar na minha plataforma poltica.
Depois de se afastar do rapaz, Tiffany foi conversar com o pai.
- Voc est deslumbrante, minha filha. - Ele beijou-lhe a testa. - Me orgulho de voc.
- Muito obrigada, papai.
- Eu a vi danando com o Wyatt. Ele me pareceu muito interessado em voc. Sabia que o nosso jovem deputado tem pretenso de chegar  Casa Branca?
-  mesmo? E quando ser a visita? - Tiffany brincou.
- Se Wyatt no for mais um pouco coerente, no consegue nem chegar perto da escola onde era professor. Talvez, nem perto da casa da me dele.
Harrison Blair deu uma gargalhada e comentou:
- Adoro o seu senso de humor, querida. Wyatt Corbin ainda tem muito o que aprender. Um dia ele vai aprender que a vida de um poltico no  a que ele anda levando. 
- Tive vontade de dizer exatamente isso a ele, mas no ousei. No queria estragar a minha festa. - Tiffany se aproximou mais do pai e disse, baixinho. - King chegou.
- E voc j conversou com ele?
- No, ainda no.
- E por qu?
- King veio acompanhado pela secretria dele.
- Voc tambm a convidou?
- Mas  claro que no, papai. No convidaria uma rival para festejar os meus vinte e um anos.
- Rival? - Harrison Blair a fitou espantado.
- Pelo menos existe uma fofoca por a que os dois esto tendo um caso.
- Eu no acredito nisso.
- Mas ela  muito bonita.
- Eu sei que Carla Stark  muito bonita. Mas King no  homem de se relacionar com uma mulher apenas por causa da beleza.
- Adoraria que estivesse certo, papai, mas eu tenho as minhas dvidas. Acha que King resistiria a uma loira to escultural?
- Posso danar com a aniversariante? - Quem havia feito o pedido era Richard Waiter, um outro jovem poltico convidado por Tiffany.
- Mas  claro que sim - ela respondeu e, enquanto caminhava para a pista, deu um olhadela para King que se sentara com Carla em um amplo sof.
- Voc se transformou numa linda mulher, Tiffany Blair - Richard comentou.
- Todo mundo cresce, Richard.
- Ainda me lembro de quando voc usava tranas. - Ele a abraou e os dois comearam a danar. - E me lembro tambm quando voc comeou a aprender a cavalgar.
- Como  que se lembra de tudo isso?
- Sempre tive uma memria privilegiada.
Os dois continuaram conversando. Mas a animao e a alegria de Tiffany eram apenas aparentes. Nem um segundo sequer ela foi capaz de esquecer aquele peo de smoking preto, que conversava com uma loira deslumbrante.
Em um dado momento, vendo que King e Carla falavam muito prximos um do outro, Tiffany sugeriu a Richard:
- Vamos sair um pouco?
- Sair? -o rapaz perguntou, espantado.
- , sair. Estou querendo dar uma volta de carro.
- Mas e a sua festa?
- A gente volta logo. - Ela sorriu para o rapaz de uma maneira sedutora. - Vamos, a gente pega o meu Jaguar l na garagem e d uma volta para espairecer. "Se continuar aqui vendo o homem que eu amo conversando de maneira to ntima com outra mulher, vou acabar enlouquecendo", ela teve vontade de completar.
- Voc tem um Jaguar, Tiffany?
- Tenho, sim. 
- Um dia eu ainda compro um para mim.
- E ento? Vamos dar uma volta?
- Voc  quem manda, madame.
Antes de sair da sala, Tiffany foi dar um beijo no pai.
Na garagem, Richard olhava embevecido para o Jaguar.
- Mas ele  fantstico - o rapaz comentou.
- Eu tambm acho.
- H quanto tempo voc est com essa mquina?
- Papai me deu o Jaguar na semana passada.
- Como presente de aniversrio?
- Exatamente.
- Deve ser muito bom dirigir um carro com este.
- Eu acho uma delcia. - Tiffany estendeu-lhe as chaves do veculo. - Dirija-o, para experimentar.
- No, muito obrigado. O Jaguar  um carro muito possante. Tenho medo de cometer alguma imprudncia.
- No se preocupe.  s dirigi-lo com calma. - Sinto muito, Tiffany, mas eu no posso...
- Mas  claro que pode. - Tiffany abriu a porta de passageiros, sentou-se e atou o cinto de segurana.
Bastante sem jeito, Richard abriu a porta do motorista e sentou-se  direo.
- Aqui esto elas! - Tiffany entregou-lhe as chaves.
- Acha mesmo que no tem problema nenhum que eu dirija esta jia?
- No, no tem, Richard.
- E o seu pai? - O rapaz parecia bastante assustado.
- O que tem o meu pai?
- Ele no vai se aborrecer?
- De maneira nenhuma.
- Mas este carro  carssimo, garota.
- E da? - Tiffany comeava a ficar impaciente. Queria se afastar um pouco daquela casa o mais rpido possvel.    -Vamos, Richard, coragem! O Jaguar no vai morder voc.
- Tudo bem. - Ele prendeu o cinto de segurana e ligou o carro. - Aqui vamos ns.
Com muito cuidado, Richard deixou a garagem.
- S quero lhe pedir uma coisa - ela disse.
- Pode pedir.
- Por favor, no corra. Eu detesto alta velocidade.
- Mas esse carro foi feito para correr.
- Mesmo assim eu no corro com ele e nem quero que voc corra. Est bem?
- Pode ficar tranqila. Gostei de saber que voc  uma pessoa responsvel. Mas se no gosta de correr, por que quis um carro como este?
- Foi idia do meu pai. Semana passada precisei ir at San Antonio e quando cheguei encontrei o Jaguar na garagem com uma carta do meu pai, me desejando toda a felicidade do mundo.
- Harrison Blair adora voc.
-  verdade. Mas eu tambm o adoro, portanto, estamos empatados.
Quando chegaram na estrada principal, Richard virou  direita, na direo de San Antnio.
Cinco minutos mais tarde, o rapaz, sentindo-se mais seguro  direo, olhou para Tiffany e pediu:
- Depois daquela curva, tem uma reta de quase dois quilmetros. Posso correr um pouco mais para sentir a potncia do carro?
- Pode, mas s nesta reta. Depois quero que volte a uma velocidade  civilizada.
Assim que fez a curva, o rapaz comeou a acelerar. O Jaguar rapidamente ganhava velocidade.
- Isso sim  que  carro! - Richard exclamou.
- Pode parar de correr, Richard. Voc j ultrapassou a velocidade permitida neste trecho.
- S mais um pouquinho.
Segundos mais tarde, uma sirene se fez ouvir dentro da noite.
Tiffany olhou para trs. Os dois estavam sendo perseguidos pela polcia.
- Diminua a velocidade e v para o acostamento - ela pediu ao rapaz.
- Meu Deus do cu, o que eu fui fazer? Deveria ter me controlado. Deveria...
- Eu concordo com voc.
- Isso no poderia ter acontecido.  Richard j se encontrava parado no acostamento. - E justo no dia do seu aniversrio.
- O jeito  aceitar a multa sem discutir e ouvir direitinho o sermo do guarda. Diga o que disser, ele est coberto de razo, no deveramos ter ultrapassado a velocidade permitida.
Um policial bem alto, portando uma lanterna se aproximou do carro e ficou olhando Richard descer o vidro da janela.
- Walter! Richard Walter! - o policial exclamou ao reconhecer o motorista.
- Bill, justamente voc aqui! - Virando-se para Tiffany, Richard disse: - Esse  Bill Harris, o policial mais novo da cidade. E ele  meu primo.
-  um prazer conhec-lo policial, embora as circunstncias no sejam muito boas. Eu sou Tiffany Blair - disse, bastante constrangida.
- Voc estava numa velocidade vinte quilmetros maior do que a permitida neste trecho da estrada.
- Eu sei disso, primo.
- Quem no vai gostar de ficar sabendo desta sua aventura  o prefeito.
-  s no contar a ele.
- Richard, sou seu primo, mas antes de tudo sou um policial. Por favor, no piore a situao. - Bill Harris j havia comeado preencher o talo de multas. - Sob hiptese alguma devemos ultrapassar a velocidade permitida.
Naquele instante um carro esporte japons, amplo, de apenas dois lugares, tambm parou no acostamento. Logo depois, o motorista se aproximou do Jaguar e perguntou ao policial:
- O que est acontecendo aqui, Bill?
- Oh, sr. Marshall... Boa noite... Estou multando Richard Walter. Ele estava correndo muito.
- Isso sim que  um bom policial: no perdoa nem o primo. - King estava muito srio. - Se todos agissem como voc, os acidentes diminuiriam muito.
- Eu s estava experimentando a potncia do carro Richard tentou se justificar.
- Por qu, ento, no foi para uma pista de provas? L voc poderia correr  vontade.
- Mas esse carro  bem possante e eu...
- Com carros desse tipo devemos ter em mente que, se precisarmos, ele poder atingir uma velocidade muito grande. Apenas isso.
Richard Walter se calou. King, ento, se dirigiu  Tiffany:
- Mas que linda maneira de comemorar o aniversrio...Ser que ainda no sabe que o limite de velocidade tem sempre de ser respeitado?
- Eu sei. Tanto sei que jamais, e eu disse jamais, fui multada por excesso de velocidade. Portanto, dispenso qualquer tipo de comentrio ferino da sua parte.  Ainda muito zangada com King, pelo fato de ele ter chegado acompanhado por Carla Stark na festa, Tiffany sentiu-se muito bem em lhe falar num tom mais agressivo.
- Vamos, Tiffany - King ordenou.
- Para onde?
- Para o meu carro. Eu a levo de volta para a fazenda.
- E quem disse que quero voltar para l com voc?
- No seja criana, Tiffany. Venha, vamos para o meu carro.
- Criana? Como  que pode me chamar de criana. Hoje estou completando vinte e um anos. Portanto, j sou uma mulher.
- E quer mesmo que eu acredite nisso? Voc ainda continua sendo a adolescente mimada de sempre.
- Como ousa me dizer uma coisa desta? - ela gritou.
Em resposta, King se aproximou da porta do passageiro e a abriu. No instante seguinte, Tiffany estava do lado de fora do Jaguar, o brao preso pela mo forte de King.
- Me largue - ela pediu, tentando livrar o brao daqueles dedos poderosos.
- No discuta comigo, venha. - Virando-se para o policial e para Richard que os fitavam espantadssimos, ele disse: - Tenham uma boa noite. E voc, Richard, leve o carro de volta para a fazenda.
Tiffany estava se sentindo pssima. Quem King Marshall pensava que era para ousar trat-la daquela maneira?
King abriu a porta do carro dele e sem solt-la ordenou:
- Entre. Entre e no discuta comigo!
Tiffany viu que, naquela situao, no adiantaria tentar fugir, e entrou no carro.
King seguiu em frente at encontrar um retorno. S ento perguntou:
- Satisfeita? 
- Com o qu?
- Satisfeita em exibir o seu novo brinquedinho para o Richard?
- Eu no estava exibindo nada para ningum. Quem voc pensa que eu sou, hein? Pensa que sou voc?
King acendeu um cigarro e, depois da primeira tragada, o apagou com fria no cinzeiro. Na ltima semana quase no havia fumado. Por qu, de repente, sentira a necessidade de fumar?
- Daria para me dizer o motivo que a levou a me convidar para a sua festa de vinte e um anos?
- Porque eu pensei que fosse meu amigo, King Marshall.
- Voc, ultimamente, vem se comportando de uma maneira muito estranha. L na festa fez questo de me ignorar.
- Verdade? - ela perguntou num tom bem irnico. - Pensei que nem tivesse notado. Afinal, voc me pareceu bastante ocupado com a sua secretria.
- O que foi? Est com cime dela?
- Imagine, de jeito nenhum - Tiffany afirmou.
- Pois para mim voc est enciumada, sim.
- No seja to pretensioso, King Marshall.
- Se no  cime, por que resolveu me ignorar l na festa?
- Eu estava ocupada danando com outros convidados.
- Eu vi. Primeiro foi com o Wyatt, depois como o Richard...
- Sou uma boa anfitri e gosto de dar ateno aos meus convidados.
- Acontece, Tiffany Blair, que eu tambm sou seu convidado.
- Acho que quem est com cime  voc.
- No sou ciumento.
- Eu tambm no sou!
King, de repente sinalizou para a direita e logo depois parava bem prximo ao acostamento, numa rea reservada para piqueniques.
- Por que voc parou aqui, King?
- Para desfrutar um pouco do luar que est fantstico. E para conversar um pouco com voc. Raramente temos essa oportunidade.
Tiffany, sentia todo o seu corpo tremer. Aquilo no era um comportamento usual de King Marshall. E se ele...
No deu tempo para que os pensamentos se completassem na cabea dela. Com muito jeito, King estendeu o brao e, depois de desatar o cinto de segurana que a mantinha presa ao banco, comeou a acariciar-lhe de leve o pescoo.
Por ser a primeira vez que um homem a tocava, Tiffany teve medo de desmaiar. Era muito bom ser tocada daquele jeito.
- Os convidados vo sentir a sua falta - ele disse baixinho.
- Se... ser? - Tiffany titubeou, sem conseguir mexer um msculo sequer do corpo.
- Com certeza. - Ele deu um profundo suspiro. - Voc est linda, Tiffany. Muito linda mesmo... - Devagar os dedos de King comearam a tocar-lhe de leve o rosto, os lbios.
Depois, voltaram a tocar-lhe o pescoo e desceram um pouco mais at o local onde terminava o decote do vestido.
- King... - ela murmurou.
- No precisa entrar em pnico, vai ser muito gostoso.
Ao mesmo tempo que estava se sentindo apavorada, Tiffany queria que ele continuasse a toc-la. Como tinha sonhado com aquele momento!
Ao sentir que ele acariciava-lhe os seios, Tiffany fechou os olhos e se deixou levar por uma sensao inebriante.
- Agora voc j tem idade para amar...
- Tenho... E gostaria muito que voc fosse o primeiro - ela se ouviu dizendo.
- Tem certeza do que est me dizendo, Tiffany? - King perguntou num tom de voz bastante alterado.
- Claro que tenho.
- Ento, deixe-me toc-la um pouco mais... S no quero lhe fazer nenhum mal...
- Voc no est me fazendo nenhum mal. - Ela, apesar de continuar imvel, comeava a sentir algo totalmente estranho.
 - O que foi? - ele quis saber.
 - Estou sentindo um calor, uma moleza no corpo.
 -  mesmo? - King puxou o corpete do vestido para baixo e desnudou-lhe os seios. - Eles so maravilhosos. Tenros, delicados...
 - O calor est aumentando. Eu...
 - No se preocupe,  normal... Seus seios so realmente maravilhosos. - King, lentamente, comeou a traar-lhe o contorno de um dos mamilos. Em seguida, foi a vez do outro.
 - Est gostando, princesa?
 - Muito... Eu estou gostando muito... - Tiffany o fitou extasiada e naquele momento sabia que o deixaria fazer com ela o que bem entendesse.
 - E isso aqui,  bom? - King segurou-lhe um dos mamilos entre os dedos e passou a apert-los bem de leve.
-  maravilhoso. Oh, King...
Ele, ento, enquanto continuava a manipular-lhe o mamilo, a beijou de leve e se afastou um pouco. Totalmente fora de controle, Tiffany o puxou para junto de si e tentou beij-lo.
- Abra a boca, doura, abra a boca... - King, encantado com a inexperincia dela, murmurou bem baixinho.
Sem saber direito o que fazer, Tiffany entreabriu os lbios e esperou.     Quando sentiu a lngua de King traando-lhe de leve o contorno da boca, apenas se deixou beijar. Alm do calor, agora ela sentia um forte tremor percorrendo-lhe o corpo e, no instante em que King introduziu-lhe a lngua na boca, Tiffany temeu desfalecer, tamanho era o prazer que sentia. Uma mistura de sensaes haviam se apoderado de todo o seu ser e, sem se dar conta, passou de uma imobilidade quase total para uma agitao muito grande. E passou a beij-lo tambm intensamente e agora era a lngua dela que se aventurava pelo interior da boca de King.
- Voc aprende depressa, princesa. -A voz rouca, agora no passava de um gemido. Jamais havia esperado tanto ardor por parte de Tiffany, a garotinha que praticamente vira crescer e que havia se transformado em uma mulher. E King, que ainda tentava se controlar, se esqueceu da diferena de idade que existia entre os dois. Em sua frente s via aquele corpo ardente, possudo pelo desejo.
King, se afastou um pouco e a fitou.
- Como voc  linda...
Num gesto totalmente inesperado, Tiffany, como se seguindo uma ordem de Eros, o segurou pela nuca e o puxou contra os seios. Ao sentir o toque dos lbios quentes sobre os mamilos, gritou de prazer e pediu:
- No pare, no pare!
- E acha que eu conseguiria parar, princesa? - King passou a sugar-lhe os mamilos, ora um, ora outro, com muita delicadeza. Tiffany j no gritava, gemia e se entregava a um turbilho de sensaes que nunca havia imaginado que o seu corpo poderia lhe proporcionar.
King abaixou-lhe mais o corpete do vestido enquanto inclinava o banco e beijou-lhe a barriga, contornou-lhe o umbigo com a lngua.
Meio delirante, Tiffany s tinha uma certeza: tambm queria toc-lo, tambm queria experimentar a textura da pele do homem que amava e, sem nenhuma timidez, abriu-lhe o palet do smoking, depois a camisa de seda e alcanou o peito forte, recoberto por plos macios.
King, num gesto rpido, livrou-se do palet, da gravata, da camisa e passou para o banco em que ela se encontrava. Quando deu por si, Tiffany se viu sentada de frente para ele, sobre as coxas rijas.
Naquele exato instante uma nova e delirante agonia se iniciava. Tendo os seios dela bem diante de si, King passou a sug-los no mais com tanta delicadeza. Queria tirar de Tiffany todos os rudos, todos os sons e palavras desconexas que s o intenso desejo era capaz de inspirar.
Aquele delrio que tinha ali na sua frente, fez com que King comeasse a perder totalmente o controle da situao.
Tiffany, ao roar-se alucinada contra seu corpo, estava tendo prazer, um prazer que ele tambm queria, precisava e ansiava. King a fez encostar o corpo contra seu trax nu, as mos percorrendo-lhe as costas e as ndegas, recobertas pela maciez da seda do vestido.
King, ento, tomou-lhe uma das mos e a levou at o seu sexo. Ao sentir-lhe a rigidez contra a mo, Tiffany parou um pouco de se movimentar e o encarou, como se saindo de um sonho.
- Choquei voc, Tiffany?
Ela suspirou e respondeu:
- No, no estou chocada. Tambm quero voc. Tambm quero... continuar. Quero ser sua, King.
Ao ouvir aquela palavras, ditas de maneira to sincera, to espontnea, King comeou a se dar conta do que estava acontecendo. Se no tomasse uma atitude, se no parasse imediatamente com aquela loucura, iria fazer amor com Tiffany, ali, dentro daquele carro, e depois se arrependeria amargamente.
Ao v-lo to hesitante, Tiffany tambm comeou a recuperar a noo de realidade. Tudo havia se precipitado e ela no resistira, muito pelo contrrio. Mas tambm o que poderia ter feito? Rejeitar? Rejeitar o homem por quem era apaixonada? No, se o tivesse rejeitado, estaria sendo totalmente incoerente e...
Tiffany, apesar do raciocnio lgico, sabia que no podia permanecer mais no local onde se encontrava, nua da cintura para cima.
- Por favor, King, volte para o seu lugar - ela pediu, envergonhadssima, arrumando o vestido.
King, tambm bastante envergonhado, voltou a sentar-se  direo. Ainda bem que tivera a lucidez de parar com aquilo tudo. Tiffany Blair era uma garota de apenas vinte e um anos, virgem e filha do seu scio e amigo. King, muito contrariado, saiu do carro.
J recomposta e sentada de novo no banco de passageiros, Tiffany fechou os olhos. Aquilo definitivamente no poderia ter acontecido. Como havia consentido que King a tocasse de maneira to ntima? Na certa ele iria consider-la uma mulher fcil demais e passaria a odi-la.
Ainda de olhos fechados, ela recostou-se no banco e sentiu que seu rosto ficava vermelho e, s ento, se deu conta que aquele local onde se encontravam pertencia  propriedade de King. Como iria enfrentar seus convidados depois de tudo o que acontecera? E o pior: com o luar iluminando a noite, Richard poderia t-los avistado ali.
"Meu Deus, que vergonha! Ser que King planejou tudo isso? Eu deveria ter reagido, no podia ter me comportado como uma leviana. Existe um nome bastante pesado para mulheres que se comportam de uma maneira to fcil e inconseqente." Tiffany abriu os olhos e viu King, ao luar, se recompondo.
E, apesar de tudo o que tinha acontecido, apesar da vergonha, no conseguia deixar de acompanhar-lhe os gestos decididos, msculos. E, o pior de tudo, contrariando a razo, seu corpo ainda ansiava por ele, os mamilos ainda continuavam trgidos, doloridos, como se ainda esperassem que  King continuasse o que tinha comeado. King j totalmente vestido, voltou para o carro e a informou de maneira seca: 
- Vou lev-la de volta para casa. Coloque o cinto de segurana. - E ele no disse absolutamente mais nada at chegarem no local reservado para que os convidados estacionassem os carros.    Caminhando lado a lado com o homem ao qual quase se entregara, Tiffany perguntou:
- Voc est com raiva?
- No sei.
- Olha, King, quando eu o vi fora do carro, j estava arrependida do que nos aconteceu. Mas depois, no trajeto que fizemos at aqui, tive tempo de pensar e quero lhe dizer que meu arrependimento passou.
- Eu tambm no estou arrependido.
- Isso teria de acontecer, um dia. E eu sempre quis que fosse com voc. Portanto, no estou mais arrependida, nem envergonhada.
- Voc  uma mulher muito decidida, Tiffany, mas jovem demais para ter um caso. E, apesar de tudo o que acabou de nos acontecer, quero que saiba que no seduzo virgens.
- Voc v a minha virgindade como doena? - At Tiffany se espantou com a pergunta que acabara de fazer.
- No. 
- E um caso  tudo o que voc tem para me oferecer?
- ... Bem, em outras circunstncias seria, sim. Tenho trinta e quatro anos e prezo muito a minha liberdade. No quero uma esposa e nem compromisso srio. Pelo menos por enquanto. E voc tambm ainda nem pode pensar em compromissos mais srios. Ainda  muito jovem e tem muito o que crescer. 
- Para fazer amor com voc j cresci o suficiente - ela ousou dizer.
- Uma relao no pode ser baseada apenas em sexo, o que, alis, voc ainda tem muito o que aprender. 
- Como voc mesmo me disse no carro: eu aprendo depressa. 
-  verdade... - ele teve de admitir. - A julgar por esta noite, voc aprende depressa at demais. Acontece, Tiffany, que a atrao fsica acaba logo.
- Entre ns dois? - Ela deu uma risadinha. - Duvido. Duvido muito. E se quer saber...
Vendo que ela interrompera a frase propositadamente e que, na certa, no a  terminaria, King parou de caminhar e pediu:
- Termine, termine o que estava para dizer.
- No, porque se isto acontecer, quem vai ficar chocado ser voc King Marshall.
 - No h nada neste mundo de Deus que possa me chocar. J vivi muito, garota.
  -  mesmo? - Tiffany estava se sentindo desafiada. Pois ento, vou lhe dizer o que anda passando pela minha cabea. E pode ter certeza de que no comeou depois do que aconteceu conosco.
- Vamos, diga! Estou esperando.
- Eu sempre me vejo fazendo amor com voc nos lugares mais inusitados.
Ao ouvir aquilo, King sentiu o corao dar um salto dentro do peito.
- No quer saber quais lugares so esses?
- Eu adoraria.
- Ento, para matar a sua curiosidade, vou lhe contar apenas uma das minhas fantasias: eu me vejo fazendo amor com voc sobre o feno que tem estocado no armazm l na sua fazenda. A, voc...
Sentindo o sangue correr veloz pelas suas veias, King pediu:
-  melhor voc parar, Tiffany. Seno...
- Seno, o qu? Vai me levar para o armazm agora? Eu adoraria... E sei que voc tambm iria gostar muito.
- No me provoque, garota... Por favor, no me provoque. 
- Isso no  provocao, sabia? So apenas as fantasias de uma garota totalmente inexperiente. - Ela riu das prprias palavras. Estava se sentindo muito bem em descobrir o poder que parecia exercer sobre o homem que sempre fora o seu grande heri.
- Quer dizer que esse tipo de coisa anda passando pela sua cabecinha. 
- Esse tipo de coisa, King Marshall, e inmeras outras.
- Voc  muito estranha, Tiffany. Fala sobre um assunto como esse...como se fosse a coisa mais natural do mundo.
- Mas para mim , sim, a coisa mais natural do mundo. Desde que seja com voc,  claro.
- Bem,  melhor eu voltar para a minha casa. J  tarde e...
- O que foi agora? Resolveu fugir, peo!
- E acha que eu posso fazer outra coisa?
- Pois ento fuja. Fuja, mas sempre estarei no seu encalo, acredite em mim.
- Boa noite, Tiffany. E divirta-se na sua festa.
- Boa noite, meu amante fujo.

S quando se encontrava de novo com os convidados, Tiffany lembrou-se de Carla Star. A moa, porm, parecia que tinha se evaporado.
- Melhor assim - ela riu e foi conversar com Richard.
- Voc demorou - o rapaz lhe disse, assim que a viu. 
- No, faz tempo que eu cheguei - ela se viu obrigada a mentir. - Estava no meu quarto retocando maquilagem. - Conseguiu chegar sem nenhum problema?
- Com aquele carro? Mas  claro que sim.
- E a multa? Continua chateado por causa dela?
- Eu mereci ser multado. No deveria ter sido to imprudente. Mas vamos esquecer este assunto, agora. Que tal danarmos mais um pouco?
- Boa idia!

De madrugada, j deitada em sua cama, Tiffany pensava nos momentos de paixo que havia vivido nos braos de King e na ousadia que tivera ao dizer-lhe todas aquelas coisas quando ele a trouxera para casa.
No, ela no estava arrependida. Afinal, havia feito exatamente tudo o que sempre desejara. Bem, tudo, no. Quase tudo. Ela sorriu e se abraou ao travesseiro. Precisava continuar lutando pelo homem que era a sua razo de viver. 
Nos dias que se seguiram, apesar de cavalgar bastante pela fazendo do pai e pelas imediaes da Lariat, Tiffany no viu nem sinal de King.

Numa manh, aps uma longa cavalgada, ela deixou Dream no estbulo e correu para a cozinha tomar um copo d'gua, pois o tempo seco a deixara sedenta.
- Onde voc esteve? - Harrison Blair quis saber, quando a viu saindo da cozinha.
- Cavalgando, como fao quase todas as manhs.
- O dia hoje est muito bonito.
- Bonito, papai? O dia hoje est lindo. Fazia tempo que no via um cu to azul.
- Ontem recebi um telefonema do prefeito. Ele e a esposa adoraram a sua festa.
 - Eu tambm adorei a minha festa. - Tiffany sorriu sonhadora e deu um profundo suspiro.
 - E por falar em festa, King viajou.
 -  mesmo? - Tiffany ainda sorria.
 - Voc no me parece surpresa, filha.
 - E no estou mesmo. J esperava por isso. Ele apenas fugiu. King est morto de medo. E eu no o culpo. Se estivesse no lugar dele, teria feito a mesma coisa.
 - No entendi...
 - Se eu fosse homem e uma mulher estivesse me perseguindo, tambm ficaria apavorado e fugiria.
- Sinto muito em lhe dizer, minha querida, mas no acredito que o meu grande amigo e scio esteja fugindo de voc. King viajou a negcios e levou a secretria junto com ele.
Aps ouvir aquilo, o sorriso que ainda pairava sobre os lbios de Tiffany desapareceu e ela sentiu um baque no corao.
- E ento? - O pai lhe sorriu.
- Espero que desfrutem a viagem. Para onde eles foram?
- Para o Mxico. King foi tratar de negcios com um dos ministros daquele pas. Mas tenho certeza absoluta de que Carla no esqueceu um belo biquni para as horas de folga.
Ao imaginar King e Carla Stark fazendo amor, Tiffany sentiu os olhos se encherem de lgrimas, mas se calou.
- No vai dizer nada?
- No tenho absolutamente nada para dizer a respeito deste assunto.
Harrison Blair hesitou um pouco e comentou, condodo:
- No quero parecer cruel, minha querida, mas acho que deveria desistir dessa idia de conquist-lo. King est com trinta e quatro anos e voc com apenas vinte e um. Ele  muito mais maduro do que voc e, para se adquirir maturidade, leva tempo. No deveria t-la protegido tanto, nem deveria ter impedido que se relacionasse com jovens de sua idade.
- A sua conduta comigo jamais me incomodou. Comecei a me interessar por King quando eu tinha quatorze anos. Nunca sequer cheguei a olhar para rapazes da minha idade.
- No precisa exagerar, minha filha. Coitado dos rapazes da sua idade.  verdade que voc nunca olhou para eles? - O pai brincou.
- Bem, olhar eu olhei.- Tiffany ajeitou os longos cabelos. -Mas nunca foi um olhar de interesse.
- Mas acho que chegou a hora de comear a fazer isso, filhinha.
- O qu? - Ela fitou o pai espantada.
- A se interessar pelos rapazes da sua idade. Estou comeando a ficar preocupado com voc.
- Pois no precisa se preocupar.
- No quero que perca sua juventude por causa de King.
- Pode ficar tranqilo, no estou perdendo absolutamente nada da minha juventude.
- Filha, King  um homem que nunca cogitou se casar.
- Eu sei disso, papai.
- E mesmo assim voc est a fim de continuar achando que vai conquist-lo?
- Claro que estou.
- Mas acabei de lhe dizer que King jamais pensou em casamento.
- Papai, e qual o homem que antes de encontrar a mulher ideal pensou em se casar?
- Querida, o que voc est pensando em fazer? - Harrison Blair perguntou, preocupado.
- Nada de especial.
- Ser... ser que est pensando em seduzi-lo? Voc no pode fazer isso.
- Se quisesse, eu poderia, sim, papai. Mas eu no quero um simples caso com King. No quero alguns meses de felicidade para depois ser infeliz pelo resto da minha vida. Quero uma famlia, filhos, enfim... quero um lar. Sob hiptese alguma quero me ver com um bracelete de ouro, cravejado com diamantes e com um buqu de rosas.
- No entendi...
- Lettie me disse que  dessa maneira que King termina os seus casos: com uma jia e um buqu de rosas.
- E mesmo assim voc ainda quer se casar com ele? Mesmo sabendo que King j teve vrias amantes?
- Papai, entenda: King s est procurando pela mulher certa. E ainda no descobriu que a mulher que procura h anos sou eu. Acho que isso acontece porque estou muito perto dele. Normalmente a gente no enxerga aquilo que est sob o nosso nariz.
- Filha, no pode pensar desta maneira. Voc pode estar totalmente equivocada.
- No estou equivocada, acredite em mim. E vou lhe dar vrios netos, papai. Acho que as crianas so as coisas mais fantsticas que existem sobre a face da Terra.
- Filha, eu...
- O que voc estava indo fazer na cozinha? - ela o interrompeu e fez questo de mudar de assunto.
- Ia tomar uma xcara de ch.
- Ento, vamos. - Tiffany o segurou pelo brao e o levou para a cozinha. - De repente, tambm fiquei com vontade de tomar ch.
Preocupado, Harrison Blair sentou-se  mesa.
- Que tipo de ch voc quer, papai?
- Verde. Quero uma xcara de ch verde.
- Certo. Eu o preparo em um minuto.

Mesmo sabendo que King estava no Mxico com Carla Stark, Tiffany fez de tudo para no se sentir abatida. Todas as manhs levantava bem cedo e saa para cavalgar. Sobre Dream, sentindo o vento batendo-lhe contra o rosto, ela fantasiava o tempo todo. E nas fantasias ela se via numa casa ampla, cuidando de vrias crianas, todos, como era de se esperar, filhos de King. Para Tiffany, naquele instante no importava onde quer que ele estivesse. Num futuro bem prximo, King Marshall estaria no lugar onde na certa nunca havia imaginado: ao lado dela.
Numa tarde, depois do almoo, Tiffany resolveu pescar e, quando voltou para casa, ligou para o escritrio de King para saber quando ele voltaria de viagem.
Ao desligar o telefone, sentia-se nas nuvens: na segunda-feira pela manh, King j iria ter uma reunio com o  pai dela. E aquele foi um final de semana de planejamentos e preparativos.
Na segunda, Tiffany levantou bem cedo e comeou a cuidar de cada detalhe de sua aparncia. Antes de sair de casa e ir para Jacobsville, se olhou no espelho e adorou o que viu: o vestido azul royal em seda pura, que delineava-lhe ligeiramente o corpo, e os sapatos pretos de salto alto a deixavam muito elegante. Isso sem contar com os cabelos, presos em um coque sobre a nuca e a leve maquilagem que usava.
Segura por saber que sua aparncia estava impecvel, entrou no Jaguar e, bem devagar, rumou para Jacobsville. L chegando, para se ocupar at a hora do almoo, foi ao shopping fazer compras.
Um pouco antes do meio-dia, Tiffany entrava na ante-sala do escritrio do homem que adorava. E exatamente naquele instante, a porta do escritrio se abria. 
- Filha! O que voc est fazendo aqui? - Espantado, Harrison Blair perguntou ao v-la.
Tiffany, fazendo de tudo para parecer natural, respondeu:
- Fui fazer umas comprinhas e no sobrou dinheiro para o almoo. Como eu sabia que voc estava aqui...
Naquele instante, King apareceu junto  porta e a fitou encantadssimo.
- No quer ir almoar conosco? - Harrison Blair sugeriu.
- No, muito obrigada, eu no posso. 
- Ento, por que no usa o seu carto de crdito para  pagar o almoo? 
- Porque no vou usar o meu carto de crdito apenas  para fazer umas comprinhas no supermercado. 
- Mas voc me disse que queria dinheiro para pagar o seu almoo.
- Pois, ento: o meu almoo hoje ser uma espcie de piquenique.
- Um piquenique vestida desse jeito? - Harrison Blair estava muito espantado. - Voc est deslumbrante, querida.
- Voc gostou do meu vestido novo?
- Essa cor lhe cai perfeitamente.
- O vestido foi um presente seu,  papai.
-  mesmo? J tinha me esquecido.
- Tambm no  para menos. Voc vive me dando presentes.
- O que eu no fao por voc? - O pai deu-lhe um beijo no rosto.
- De quanto voc vai precisar? - Harrison Blair tirou a carteira do bolso.
- Acho que dez dlares ser suficiente.
- Isso  muito pouco. - Harrison Blair tirou duas notas de dez dlares da carteira. - Leve vinte.
Tiffany pegou as notas que o pai lhe estendia e as colocou na bolsa.
- Bem, j estou indo.
- Espero que esse piquenique no seja com Wyatt, nem com Richard.
- No, no  com nenhum dos dois. - Ela sorriu de maneira enigmtica e beijou o rosto do pai. - A gente se encontra em casa.
- Certo.
Antes de sair, ela olhou para King de maneira displicente e disse:
- Tchau. Foi um prazer reencontr-lo.
- Com quem voc vai fazer um piquenique? - King quis saber.
- Com ningum que voc conhea - ela respondeu, exultante.
- Como pode sequer pensar em um piquenique usando um vestido como esse?
- E o que tem de errado com o meu vestido, King?
- Nada, no tem nada de errado com o vestido. Mas isso no  roupa para se usar num piquenique.
- Mas esse  um piquenique bastante especial.
- Como assim? - King estava ficando inseguro. - O que voc est querendo dizer com um piquenique bastante especial?
- Esse piquenique ser sobre o carpete da minha ampla sala de estar, com direito a lareira e vrias outras coisas.
- Um piquenique no cho de uma sala de estar?
- Pensou que um piquenique se fizesse somente sobre a grama? - O tom dela agora era professoral. - No, King, um bom piquenique tambm pode ser feito sobre um belo carpete.
- Mas ns estamos em maio, onde j se viu acender lareira numa poca dessa?
- Ns no estamos pretendendo ficar perto da lareira.- Tiffany deu um sorrisinho maroto. - Prometo que ficarei bem longe dela. A sala  imensa.
- Acho isso tudo um verdadeiro despropsito.
- O qu? O piquenique ou a lareira?
- As duas coisas. Onde j se viu uma coisa dessas?
- No seja to conservador, King. E tente sorrir um pouco. A vida levada de uma maneira alegre  muito mais leve, muito mais fcil de se viver.- Ela voltou a beijar o rosto do pai que de repente havia ficado calado. - Tchau, querido.
No elevador, sozinha, Tiffany no conseguiu conter uma gargalhada. Seu plano dera certinho. Agora King Marshall teria o dia inteiro para imagin-la fazendo um piquenique, na sala de estar de sua casa, ao lado de um desconhecido.
Quando chegou na rua, Tiffany entrou no carro e rumou para uma lanchonete. Era claro que no iria haver piquenique algum. Tinha acabado de representar uma cena, fora a maneira que havia encontrado para se fazer notar por King, de lhe dizer que era uma mulher jovem e atraente.
Na lanchonete, Tiffany comprou dois sanduches de salada com atum e, em seguida, rumou para casa onde foi com-los sobre o carpete da sala de estar, com uma revista nas mos e a lareira apagada.
Quando comia a ltima metade do primeiro sanduche, ouviu um barulho. Instante depois, King entrava na sala e, muito desconfiado, foi logo perguntando:
- Onde est ele? Ser que o cretino se escondeu debaixo do sof, ou ser que est escondido atrs da poltrona?
- No sei sobre quem est falando. - Ela deu de ombros e mordeu o sanduche.
- No dissimule, Tiffany! Onde o cretino se enfiou?
 Ela voltou a dar de ombros e comentou, como se fosse a coisa mais natural do mundo:
- Ele desistiu do piquenique na ltima hora. E como foi?
- Como foi, o qu?
- A sua viagem com Carla para o Mxico. Espero que tenham se divertido bastante.
- No me venha com essa conversa agora.
 Quando viu que Tiffany ia se levantar, King se apressou e sentou-se ao lado dela e a beijou.
- O que  isso? - ela se fez de indignada, quando King se afastou um pouco.
- Um beijo. Um beijo com gosto de atum. Foi voc quem fez este sanduche?
- No.
- Ser que tem um outro para mim? - Ele olhou para o saquinho com o logotipo da lanchonete, que estava prximo  parede.
- Voc no almoou?
- No.
- E o meu pai? Para onde ele foi?
- Seu pai voltou para o escritrio dele. Pelo menos  isso que eu acho.
- Mas vocs estavam saindo para almoar juntos.
-  verdade. Mas a me lembrei que tinha um compromisso inadivel.
- Um compromisso inadivel... - Tiffany deu um sorrisinho. Sabia que King estava mentindo. O plano dela estava funcionando bem mais depressa do que havia previsto.
- E ento? Voc no tem um sanduche para mim?
- Pode pegar o sanduche que est no saquinho.
Sem esperar por uma nova permisso, King pegou o sanduche e comeou a com-lo.
- Est delicioso.
- Eu sei me cuidar.
- Ser que sabe mesmo, Tiffany? s vezes voc me d a impresso de ser uma garotinha que no tem a menor noo do que  certo e do que  errado.
 - Quando disse que sabia me cuidar, estava me referindo a minha alimentao. Mas j que interpretou o que eu disse de uma outra maneira, fique sabendo que sei me cuidar em todos os sentidos.
 - Eu duvido. - At terminar de comer o sanduche, ele no disse mais nada. Tiffany, por sua vez, fingia ler a revista.
 - Voc est decepcionada?
 - Com o qu?
 - Com o fato do seu amiguinho ter desistido do piquenique na ltima hora. - King retirou um leno do bolso e limpou as mos e a boca.
 - No faltar ocasio para nos encontrarmos de novo.
 - Voc parece interessada por ele.
 - Digamos que estou interessada, sim.
 - Faz tempo que voc o conhece?
 - No, eu o conheci enquanto voc estava com Carla no Mxico.
 - Quer parar de ficar se referindo a essa minha viagem?
 - Mas  verdade.
 - Voc est mentindo, Tiffany. Voc no ia fazer piquenique com ningum.
 - Isso  o que voc pensa.
 - No, no  apenas o que eu penso, mas , sim,  verdade.
 - Voc est bravo?
- No? Por qu? 
- Mas  claro que voc est bravo. Sempre que isso acontece o seu sotaque texano fica bem mais carregado.
- E voc tem algo contra o sotaque texano?
- Isso seria muita audcia da minha parte. O meu sotaque tambm  bem arrastado.
- Eu gosto dele. - King se aproximou mais de Tiffany e tirou-lhe a revista das mos.
- Por que voc fez isto? Estava lendo um artigo bastante interessante.
- No gosto de beijar ningum que esteja segurando uma revista. - Sem dar-lhe tempo de dizer nada, King fez com que Tiffany se deitasse sobre o carpete e colocou-se sobre ela.
- Mas... mas o que  isso? - ela perguntou, num misto de pnico e contentamento.
- Queria senti-la sob mim.
- Por qu?
- Para ver se  bom.
- Isso no  justo, voc...
Mas Tiffany no teve tempo de terminar a frase. King a calou com um outro beijo.
- Seus lbios so deliciosos, macios... - ele disse baixinho. - Mas para sentir mais prazer, acho que deveria abrir a boca mais um pouco.
- King, eu... no estou bem certa. Eu...
- Mas  claro que est certssima do que quer, Tiffany, voc s est com um pouco de medo. - King comeou a beijar-lhe o pescoo, enquanto roava o corpo no dela. - Est sentindo o quanto eu a desejo?
- Eu... eu estou sentindo, sim.
- E est gostando? - Ele agora mordiscava-lhe a orelha. - No, no precisa responder. Sei que est gostando. Eu lhe prometo, Tiffany, quando chegar a hora, vou lhe dar todo o tempo de que necessita. E estar to excitada que no vai sentir nem um pouquinho de dor.
- No estou entendendo.
- Eu sei, eu sei que no est entendendo. E essa sua inexperincia me deixa louco. Segure as minhas coxas com fora.
- O qu?
- Segure as minhas coxas com fora e me aperte contra voc.
Meio titubeante, Tiffany atendeu-lhe o pedido.
- Isso  muito, isso  muito bom... - ele gemeu e comeou a se roar contra ela com mais vigor. Quando se deu conta, Tiffany tambm se roava contra ele. - Voc ps esse vestido para me excitar, no foi? Pois saiba que conseguiu.
King voltou a beij-la e, desta vez, no foi preciso pedir a ela que abrisse a boca. O beijo foi profundo, abrasador.
- Voc aprende muito depressa mesmo, princesa - ele sussurrou e levou-lhe uma das mos at o sexo rijo. - Me acaricie, princesa. Preciso sentir voc me acariciando.
- King, no sei fazer o que voc est me pedindo.
-  s me acariciar, Tiffany. E s me acariciar e sentir o desejo que est me deixando maluco.
Devagar, meio tateante, ela atendeu-lhe o pedido e, quanto mais o acariciava, mais excitada se sentia.
Sobre ela, King parecia que estava para perder o controle da situao. Ansioso, desabotoou-lhe a parte superior do vestido, livrou-a do suti e passou a traar-lhe o contorno dos seios com a ponta da lngua.
- King, eu...
-  gostoso, no ?
-  delicioso.
- E o que me diz disso? - King mordeu-lhe delicadamente um dos mamilos e, em seguida, deixando-o escorregar por entre os dentes. - Me acaricie com um pouco mais de fora, Tiffany.
Ela, meio tonta, agora j no to envergonhada, segurou-lhe o sexo por sobre a roupa e, depois de apert-lo, quis saber:
-  assim?
- Isso...  assim mesmo... Agora movimente a sua mo.
- Eu no sei nada sobre sexo, s sei o que vi escrito nas revistas.
- Mas eu ensino voc, minha princesa. - Delirante, ele apressou em sugar-lhe os seios, agora sem se preocupar em ser delicado.
Tiffany, se movia contra King de maneira alucinada. Nunca havia imaginado que um dia pudesse se excitar tanto. E nunca vira descrito nos livros nada do que estava sentindo.
De repente, King rolou no tapete e fez com que Tiffany ficasse sobre ele. Sem lhe dar tempo para dizer absolutamente nada, puxou-a para perto de si e comeou a beij-la com extrema volpia. Depois, voltou a sugar-lhe os seios.
Em um dado momento, Tiffany se deu conta que j no fazia a menor idia do que estava acontecendo com o seu prprio corpo. A nica coisa que conseguia sentir era, mesmo sobre a roupa, o sexo de King contra o dela. E Tiffany teve vontade de se despir e despi-lo. Mas no ousou. No sabia se podia fazer aquilo, no sabia se podia ser to atirada. Ela deu um suspiro entrecortado. Mas o que estava acontecendo tambm era muito bom. Tiffany abriu os olhos e viu King, de olhos fechados, a sugar-lhe um dos seios, mergulhado no desejo.   Tiffany, ento, resolveu que no podia mais se controlar e, mesmo se quisesse, no saberia como. Voltou a fechar os olhos, enquanto segurava a cabea de King contra o peito e, com movimentos ondulantes de quadris, se deixou levar. Quando deu por si, espasmos violentos percorriam-lhe o corpo todo e ela gemia alto. O espasmos foram diminuindo, diminuindo...
Ao abrir os olhos, viu King, ainda com um dos seus seios entre os lbios a fitando encantado.
- O que... o que foi que aconteceu? - ela ousou perguntar.
- Voc no sabe mesmo? - King sorriu.
- No, eu no sei. Nunca tinha sentido nada semelhante antes. Nem sabia que isso existia.
Ainda com Tiffany sobre si, ele se encostou na parede.
-  normal isso o que aconteceu comigo, King?
- Princesa, a minha experincia me diz que voc acabou de ter um orgasmo.
- Um... orgasmo? 
- , um orgasmo.
- Eu no sabia que era to bom assim.
- Quer dizer que voc gostou? - King a abraou.
- Muito,  eu gostei muito. Tive a sensao de que me ausentava do mundo, tive a sensao de que... - ela fez uma pausa. Depois, balanando a cabea em negativa, continuou: - No, no d para descrever o que eu senti.
King pegou o suti e a ajudou a vesti-lo. Depois, recomps-lhe o vestido.
- Quer dizer, ento, que eu tive um orgasmo?
- Presumo que sim. Mas, por favor, no fique preocupada. Existem mulheres que passam a vida inteira sem saber o que  isso.
- A vida inteira? Ser, ser que eu no sou normal?
- Voc  uma mulher normalssima, Tiffany. E muito fogosa tambm.
- Mas eu no sei como lhe dar prazer.
- D tempo ao tempo, a voc vai ver o que acontecer. Mas posso lhe assegurar uma coisa: senti muito prazer em poder lhe dar prazer. Foi muito bom para mim tambm.
- Verdade?
- Pode acreditar. - King, de repente, ficou calado e mudou totalmente de atitude. Tiffany, aps ter esperado que ele dissesse mais alguma coisa, resolveu perguntar o que estava acontecendo:
- O que foi, King?
- Eu no deveria ter vindo aqui hoje. - Ele se levantou. - No quero e no posso seduzir a filha do meu melhor amigo.
- Voc no est me seduzindo. Simplesmente aconteceu.
- Aconteceu porque eu vim at aqui. Se tivesse ficado no meu escritrio nada disso teria acontecido.
- Mas voc me fez acreditar que o que aconteceu entre a gente foi muito natural.
- E foi muito natural, sim. Foi natural at demais.
- Ento, no precisa ficar arrependido.
- Ser que no entende, Tiffany? Voc  muito mais nova do que eu e  filha de um homem que respeito muito.
- Voc no est desrespeitando o meu pai.
- Acho melhor voc ir estudar na Europa. 
- Mas eu no quero ir estudar na Europa.
-  a nica maneira que estou encontrando para ficarmos bem longe um do outro e acabarmos com essa loucura.
- No vejo loucura nenhuma no fato de nos desejarmos.
- Acontece, mocinha, que jamais vou fazer amor com voc.
- Tudo bem - ela deu de ombros -, voc no faz amor comigo. Mas no pense que por isso eu vou fazer amor com outro homem.  voc quem eu quero, King. Desde meus catorze anos. 

Tiffany, de cabea baixa, estava se sentindo muito arrependida pela confisso que acabara de fazer. Ela deveria ter se contido, no podia se expor tanto. King no precisava saber que ela o amava desde o incio da adolescncia.
King, por sua vez, a fitava preocupado. Como? Como um homem de trinta e quatro anos podia perder o controle daquela maneira? Afinal, Tiffany era muito nova e casamento, para ele, estava totalmente fora de cogitao. E tambm no queria ter um simples caso com Tiffany pois, por mais que s vezes se esquecesse, ela continuava sendo filha do seu scio e amigo. 
- Voc ficou muito pensativo de repente, King. Eu no estou gostando nada disso.
- Acha que poderia ser diferente? Vou sumir da sua vida, talvez at mudar de cidade. Quem sabe assim voc consegue me esquecer.
- Eu no quero esquecer voc, muito pelo contrrio. Sei que sou inexperiente, mas posso aprender.  s ter um pouco de pacincia comigo.
King a fitou intrigado. Tiffany continuou:
- Sou uma tima anfitri. Conheo os seus amigos e no tenho mais quatorze anos.
- Tiffany, voc pode saber como receber as pessoas, mas garanto que no tem a menor idia de como a vida  de verdade, nem do significado exato da palavra esposa.
- Mas isso tambm eu posso aprender.
- No comigo. E acho que deixei bem claro que no quero saber de casamento. E, antes que me pergunte, sim: eu desejo muito voc. Mas desejo no  suficiente para manter uma relao. Deve estar confusa porque eu sou o primeiro homem que deseja mas, seguramente, voc no  a primeira mulher que eu desejo.
Ao ouvir aquilo, Tiffany ficou vermelha de raiva.
- No precisava ser to duro e claro comigo, King.
- Precisava, precisava, sim. Voc quer brincar de casinha e eu no.
- Voc continua sendo duro comigo. Ser que isso lhe d prazer?
- No, no me d prazer. Mas eu no quero e no vou engana-la.
Tiffany pensou um pouco e, depois de um longo suspiro, disse:
- Voc no precisa mudar de cidade. Semana que vem vou embora para Nova York.
Ao dizer aquilo, Tiffany estremeceu. Acabara de inventar a viagem, mas sabia que agora teria realmente de ir para Nova York.
- E voc est pretendendo ir para l sozinha?
- No, vou com Lettie.
- E Lettie j sabe desta viagem? - ele perguntou, desconfiado.
- Mas  claro que sim...
- Bem, tenha uma excelente estada em Nova York, Tiffany. Vejo voc qualquer hora.
- Mas... - ela no teve tempo de terminar a frase.
Apressado, como se fugisse de algo, King foi embora.

No final do outono, caminhando pelas ruas de Nova York, Tiffany usava uma criao de um jovem estilista, David Marron, que havia se inspirado na Espanha para a sua ltima coleo e estava fazendo um tremendo sucesso. Tiffany o havia conhecido atravs de um amigo de Lettie. A amiga e madrinha, assim que soubera da conversa que Tiffany havia tido com King, logo se propusera a se mudar tambm para Nova York.
Ao lado de Lettie, que a tratava como se fosse uma filha, Tiffany sentia-se muito segura na cidade. As duas moravam num apartamento muito luxuoso na Park Avenue e naqueles meses em que comeara a conviver com um sem nmero de culturas e pessoas, Tiffany havia mudado muito. Ela se tornara mais madura e sua beleza chamava muito a ateno dos homens. No entanto, Tiffany os mantinha  distncia.
Queria, sim, riscar King de sua vida, esquec-lo, mas sabia que precisava ter calma e muita pacincia consigo mesma.
No era nada fcil deixar de pensar na pessoa que at meses atrs fora a sua razo de viver.
Apesar de no saber direito ainda o que fazer da vida, ela estava se esforando muito para aprender tudo o que fosse possvel. S ali naquela cidade fora capaz de ver o quanto o mundo podia lhe oferecer.
Tiffany entrou num bar e sentou-se  uma mesa para tomar um caf bem quente. E foi inevitvel pensar nos primeiros dias que havia passado em Nova York. Muito triste, ela se negava a sair do apartamento, se negava a conhecer pessoas novas. Lettie, com extremo carinho e muita dedicao, fizera de tudo para ajud-la.
Uma noite, ao v-la chorando na cama, a amiga lhe dissera que deveria tentar a carreira de modelo. No incio, Tiffany havia resistido mas, uma semana depois, contratou um bom fotgrafo que lhe fez um lbum excelente.
Quinze dias depois de ter se inscrito em duas agncias para modelo, o primeiro trabalho surgiu. E Tiffany foi capa de uma das principais revistas americanas. Depois, outros trabalhos haviam surgido e agora a sua carreira estava deslanchando muito.
O garom lhe serviu o caf e Tiffany continuou pensando em tudo o que j lhe acontecera. Olhando a agitao das pessoas, o trnsito, parecia mentira que havia passado toda a sua vida numa fazenda.
Aps ter terminado o caf ela seguiu a p para o apartamento onde, como sempre, foi recebida com um amplo sorriso por Lettie.
- Tudo bem com voc, minha querida? - a amiga quis saber.
- Acho que sim...
- Por que tanta tristeza, Tiffany? O dia l fora est lindo e eu tenho uma grande surpresa para voc.
- Surpresa?
- Lembra daquele diretor de cinema que conhecemos no lanamento da coleo do David e que ficou impressionadssimo com a sua beleza?
- Claro que me lembro.
- Pois ele lhe telefonou.
-  mesmo? - Tiffany tirou o casaco que usava e o colocou sobre o sof. - E o que ele queria?
- Contrat-la para fazer um comercial de lingeries na Jamaica.
- Contratar a mim? - ela perguntou espantada.
- Por que esse espanto todo, minha querida? Voc  uma mulher lindssima e tem um corpo escultural.
- Tambm no precisa exagerar, Lettie.
- No, no  exagero. E me parece que voc ainda no percebeu o quanto a sua carreira de modelo est dando certo.
- At hoje no estou entendendo como isso tudo pode estar acontecendo comigo. Na verdade, acho meu tipo de beleza muito comum.
- Pelo jeito, vou precisar forrar as paredes de espelhos para voc ter chance de se enxergar melhor. Beleza comum...Era s essa que me faltava... - Lettie balanava a cabea em negativa.
- Mas at hoje eu s fiz fotografias. - Tiffany se sentou no sof, ao lado da amiga. - Um comercial para televiso  algo totalmente diferente.
- Duas semanas na Jamaica com tudo pago e ganhando um excelente cach  uma proposta irresistvel.
- Mas voc sabe que estou pensando em ir fazer uma visitinha para o meu pai. No suporto mais a saudade.
- Pode deixar para fazer isso depois da viagem.
- Acontece, Lettie, que estou com dois trabalhos fotogrficos para fazer. Se eu for para a Jamaica, no vou poder ver o meu pai.
- Pense na sua carreira, querida. 
- Mas, e o Natal? Queria muito poder ficar uns quinze dias na fazendo preparando tudo. Se eu for para a Jamaica, s poderei estar em casa na vspera do Natal.
- Pense na sua carreira, Tiffany - Lettie insistiu. E s comece a pensar em marido e filhos quando estiver bem mais velha e for uma mulher consagrada.
- E quem falou em casamento e filhos?
Lettie sorriu e perguntou:
- E acha que eu no a conheo? Sei exatamente o que est pretendendo fazer l no Texas. Por mais que tente, no consegue tirar aquele homem da cabea, no ?
- Deus sabe o quanto estou me esforando.
- E eu tambm sei. Mas mantenha-se firme, minha querida, chega de tanta humilhao.
Apesar de achar que King jamais a humilhara, Tiffany se calou e ficou em silncio por alguns segundos.
- O que foi? - Lettie perguntou.
- Estava pensando em voc.
- Em mim?
- Exatamente. - Tiffany deu um sorriso triste. - Por que nunca se casou, Lettie?
- Simplesmente porque o destino no quis.
- No entendi...
- Meu noivo morreu na guerra do Vietn. Depois disso, jamais fui capaz de me interessar por qualquer outro homem.
- Meu Deus, eu no sabia. Mas que coisa mais terrvel!
- Pois ... - Os olhos de Lettie se encheram de lgrimas. - Mas no quero falar sobre esse assunto agora. Quem sabe um outro dia?
- Tudo bem. - Tiffany ficou muito triste por saber do drama que Lettie vivera. Para tentar animar a amiga, perguntou: - E voc iria para l comigo?
- Para onde?
- Para a Jamaica, oras!
- Mas  claro que sim. Eu adoro a Jamaica. O povo de l  fantstico. Quem bom que voc resolveu aceitar o trabalho.
- Resolvi aceitar o seu sbio conselho e pensar apenas na minha carreira. Mas preciso ligar para o meu pai e avis-lo da viagem. Quando ns partimos?
- Amanh pela manh.
- O que? Amanh pela manh? - Tiffany ficou muito espantada.
- Eu j at arrumei sua mala.
- Bem se  assim. - Tiffany estendeu o brao e pegou o telefone.  Vou falar com o meu pai.
Ela discou e foi atendida pelo prprio Harrison Blair.
- Oi papai!
- Filha! Que prazer ouvir a sua voz! Voc prometeu  que ia me escrever todos os dias e j faz dez dias que no recebo nem um bilhete seu.
- Tenho estado muito ocupada, meu querido.
Os dois continuaram conversando por um longo tempo. Quando ela contou sobre a viagem para a Jamaica, o pai  no ficou muito satisfeito, mas logo se justificou:
-  que estou sentindo muito sua falta.
- Eu tambm estou sentindo muito a sua falta, mas esse comercial  muito importante para a minha carreira.
- Tudo bem. E quando voc viaja para l?
- Amanh cedo.
- E quando estar de volta, filha?
- Em duas semanas.    
- A, ento, voc vem para c?
- No vai dar paizinho. Assim que chegar da Jamaica ; tenho outros compromissos profissionais.
- Minha filha, uma modelo! - Harrison Blair disse com orgulho.  Quem diria.
-  mesmo, no? - Tiffany riu.
- A Lettie vai para a Jamaica com voc?
- Vai, sim, no precisa se preocupar. Fique bem a, papai.
- Eu ficarei filha. Faa uma boa viagem. Ah, o King est dizendo que sente sua falta.
Ao ouvir aquilo o corao de Tiffany deu um salto dentro do peito.
- Bem meu querido, eu preciso desligar.
- Tudo bem. Me ligue quando voltar da Jamaica.


No escritrio, Harrison  ficou olhando para o telefone que ainda no havia colocado no gancho e comentou com King:
- Sinto muito orgulho da minha filha. Ela est vencendo sozinha e, pelo jeito, ainda vai ganhar muito dinheiro.
- Pelo que entendi da conversa de vocs dois, ela est indo para a Jamaica.
- Est, sim, para gravar um comercial de lingerie.
- No acho muito aconselhvel ela fazer um comercial de lingerie. A imagem dela quase nua ir passar em todos os lares americanos.
Harrison Blair ficou em silncio e ponderou o que dizer ao seu velho amigo. Por fim, se decidiu.
- Sabe, King, minha filha  adulta e no tenho o menor direito de interferir na vida dela. E acho que voc tambm no tem.
- No gostaria de saber que todos os homens da Amrica passaro desej-la!
- Na verdade, nem eu estou gostando muito disso, mas a deciso  s dela. Como acabei de lhe dizer, Tiffany  uma mulher adulta.
- No vou deixar que Tiffany trabalhe quase nua diante das cmaras.
-  mesmo? - Harrison Blair sorriu.  E como vai fazer para impedi-la?
- O que Tiffany disse quando voc lhe falou que sinto a falta dela?
- Nada. Na verdade, minha filha no deu a menor ateno ao seu recado.
King ficou plido. Pela primeira vez lhe ocorria que poderia perder Tiffany, isso se j no a tivesse perdido
- Ser que a sua filha est mesmo querendo levar esta  profisso a srio, ou apenas arrumou mais um jeito de  chamar a minha ateno?
- Pelo que pude entender, Tiffanny est levando a profisso a srio.
- Mas ela ainda  muito jovem...
- Tem razo, ela ainda  muito jovem - o pai concordou - mas Tiffany me parece muito mudada e tudo me leva a crer que est sabendo direitinho o que quer da vida, meu amigo.
- Ser? - King duvidou.
- Estou torcendo para que eu esteja certo. Super protegi muito a minha filha. Mas esta mudana para Nova York  parece que est colocando tudo nos eixos. - Harrison Blair I sorriu. - Bem, mas agora vamos voltar aos nossos negcios.

No dia seguinte pela manh, Tiffany, Lettie e toda a equipe de filmagem partiu para a Jamaica. E foram quinze  dias de muito trabalho, com apenas raras horas de folga. Mas, pelo que tudo indicava, o comercial ficara excelente e, brevemente, seria veiculado pelas emissoras de televiso.
J de volta ao seu apartamento de Nova York,  mesa junto com Lettie para um jantar frugal, Tiffany comentou:
- E eu que pensei que ficaria quinze dias na Jamaica quase sem fazer nada. Estava redondamente enganada. Da  Jamaica s vi o hotel, o aeroporto e a, praia onde fizemos  as filmagens.
- Como sempre voc est exagerando, Tiffany. Voc tambm viu a piscina - Lettie brincou.
- Vi, sim. E ela tinha a gua bem azul. Mas nadar que  bom...
- A senhorita j nadou muito na vida. Agora v se come e depois v dormir. Voc s tem hoje e amanh para descansar.
Tiffany terminou o jantar e, depois de escovar os dentes, foi direto para a cama. Porm, apesar do cansao, no conseguia dormir. Como vinha acontecendo muito mais intensamente nos ltimos tempos, todos seus pensamentos estavam voltados para King.
"Ser que nunca vou ser capaz de tir-lo de dentro de mim? Ser que estarei condenada a carregar para sempre esse amor no correspondido?" Tiffany, por fim, conseguiu dormir. Mas passou a noite  inteirinha sonhando com o seu grande amor.  Na manh seguinte, ela se levantou e, como vinha fazendo h alguns semanas, foi correr. Ao terminar o exerccio matinal, resolveu passar em uma farmcia para comprar alguns produtos de higiene pessoal. 

Bastante tranqila, Tiffany voltava para casa, quando decidiu passar em uma banca para comprar alguma publicao do Texas. Qual no foi sua surpresa, quando deu de cara com um tablide de Dallas que trazia King e Carla Stark, lado a lado, na primeira pgina e a manchete: Ser que o magnata vai finalmente se casar com a sua linda secretria?
Trmula e profundamente angustiada, Tiffany saiu da banca sem comprar nada e foi direto para o apartamento, onde se trancou no quarto. E no adiantou Lettie pedir que ela lhe contasse o que havia acontecido. Alegando uma terrvel dor de cabea, Tiffany no almoou e, no jantar, apenas comeu uma pra e uma ma.
Naquela noite, Tiffany chorou muito e no foi capaz de conciliar o sono nem por um minuto. Na manh seguinte, sentindo-se a mulher mais infeliz do mundo e com o rosto muito inchado por causa do choro, rumou para cumprir o primeiro dia do seu novo compromisso profissional.
Os dias que se seguiram no foram nada fceis. Mas Tiffany lutou muito para se manter firme e bela. Afinal, como modelo dependia muito da prpria aparncia. Por sorte, conheceu um rapaz chamado Mark Allenby, um modelo bastante conceituado que, como ela, se encontrava num profundo desespero por causa de uma namorada que o trocara por outro.
Mark, apesar de todo o sofrimento pelo qual vinha passando, era um rapaz muito brincalho e Tiffany se divertia muito ao lado dele em todos os lugares que passaram a freqentar juntos.
Uma tarde, Mark foi visit-la no apartamento e enquanto conversavam na sala, sempre sob a vigilncia discreta de Lettie, que passava a maior parte do tempo lendo no quarto, ele comentou:
- Acho que deveria dar uma mudada no seu visual, Tiffany.
- Est querendo dizer que devo mudar a minha aparncia?
- E no foi exatamente isso que eu disse? - Mark perguntou, rindo.
- Foi - ela tambm riu -, mas eu ainda me atrapalho com algumas palavras que so usadas aqui em Nova York.
- E por falar nisso, a cada dia que passa, o seu sotaque melhora, sabia?
- Acho que est querendo dizer que o meu sotaque piora, Mark. Adoro a maneira como os texanos falam.
- Bem, tem gosto para tudo. Mas vamos deixar o bairrismo de lado e voltar a falar do seu visual. No acha que deveria mud-lo um pouco? Voc tem uma aparncia muito infantil, Tiffany.
- Isso  um elogio ou uma crtica?
- Embora eu adore esse seu jeito espontneo de moleca, acho que deveria fazer um gnero mais sbrio, mais mulher fatal. Ser que estou me fazendo entender?
- Mais ou menos.
- Com uma imagem mais marcante, mais misteriosa, vai ganhar muito dinheiro como modelo.
- No me preocupo muito com dinheiro, Mark.
- Minha linda amiga, mas  claro que tem de se preocupar com dinheiro.  ele que move o mundo, ou ser que ainda no se deu conta disso?
- Sei muito bem o que representa o dinheiro nos dias de hoje, mas gosto dele apenas para comprar o que preciso. E, na verdade, eu preciso de pouco. - Ela deu um profundo suspiro e confessou: - O que eu mais queria comprar no mundo no tem preo e, alm do mais, no est  venda."  Mark a fitou intrigado e quis saber:
- O que tanto voc gostaria de comprar e no pode?
- King.
- King?  algum palcio, algum...
- No - ela interrompeu. - King  um homem. King Marshall.
- Est se referindo ao texano milionrio?
- Exatamente.
- Outro dia vi um tablide do Texas que falava sobre ele. - Mordendo os lbios, o rapaz balanou a cabea em afirmativa e comentou: - Quem diria! Minha amiga Tiffany Blair pensa alto demais. Pelo que li no jornal, esse tal de King Marshall tem aos seus ps todas as mulheres que dele se aproximam. Se eu fosse voc, minha amiga, esquecia esse homem e partia para outra. Pelo que a reportagem dizia, ele nem pode ouvir falar em casamento. Parece que o pai acabou se suicidando depois que a me de King o abandonou, deixando-o praticamente na misria. Foi isso mesmo o que aconteceu?
- Foi, sim.
- Esse King Marshall parece que nunca perdoou a me e acabou processando-a, culpando-a pelo suicdio do pai. Ele venceu a causa e a me acabou perdendo dois teros de tudo o que tinha, alm do namorado que vivia s custas dela.
- O tablide publicou isso tudo?
- Publicou.  tudo verdade?
- Infelizmente, o jornal no mentiu.
- Para terminar a reportagem, disseram que a me do seu grande heri acabou tambm se suicidando com uma overdose de drogas.
- At hoje no se sabe se foi suicdio.
- Bem, com um passado como esse, d para entender o porqu do seu King ser to avesso ao casamento. No  para menos.
- Voc est a fim de tomar caf? - Tiffany se levantou.
- Eu adoraria.
- Ento, me acompanhe at  cozinha.

Sentados  mesa da cozinha, comendo um bolo feito por Lettie e tomando caf, Tiffany e Mark ficaram conversando sobre o mundo da moda e dos comerciais da televiso.
- Qualquer dia no quer ir comigo at ao meu cabeleireiro, Tiffany? Ele  fantstico e tenho certeza absoluta de que vai lhe transformar em uma nova mulher. E acho tambm que deveria ir a uma boa loja e refazer todo o seu guarda-roupa. Quem sabe assim voc consegue esquecer esse ricao complicado?
- Ser? Ser que se eu mudar o cabelo e comprar roupas novas vou conseguir tirar de dentro do peito este vazio que no  preenchido por nada? .
- Isso eu no posso lhe assegurar, mas no custa tentar.
- Para quando voc acha que pode marcar o cabeleireiro? 
- Se no tiver nenhum compromisso, pode ser para amanh  tarde. Eu fao umas fotos logo cedo e  tarde estarei livre.
- Eu tambm estarei fazendo algumas fotografias pela manh e tenho a tarde toda livre.
- Ento, Tiffany Blair, amanh  tarde vou ver voc se transformar numa outra mulher. E depois vamos direto assistir ao desfile daquele figurinista japons que se apresenta aqui pela primeira vez.
- Combinado.

Tiffany, muito segura e senhora de si, usava um vestido longo preto, brincos de prola e um pequeno broche no decote generoso do vestido. Durante o desfile do figurinista japons, ningum a reconheceu. Nem mesmo o diretor do comercial que havia feito na Jamaica.
- Eu no disse? - Mark estava orgulhosssimo. - Garanto que tem um monte de gente que louca para saber quem  a beldade que est comigo.
- Pelo menos na aparncia, Mark, voc fez de mim uma nova mulher mesmo.
- E o que conta no nosso meio, Tiffany Blair? Apenas a aparncia,  claro.  dela que ganhamos o po de cada dia.
Quando na volta do desfile Tiffany entrou no apartamento, Lettie fitou-a muito espantada e, levando as mos ao rosto, no conseguiu dizer absolutamente nada.
- O que foi, Lettie? - Tiffany perguntou. - No gostou do meu novo visual?
- Voc... Voc est linda, Tiffany! Nunca tinha percebido o quanto  parecida com a sua me.
- Verdade?
- Pode acreditar em mim. Sua me tambm era belssima!
- Pena que eu no me lembre dela. Tenho algumas lembranas muito nebulosas da minha me. Numa delas eu a vejo cantando para mim  noite. 
- Voc era muito pequena quando sua me faleceu. Seu pai jamais conseguiu esquec-la. E acho que nunca vai conseguir. 
- Vamos deixar de pensar em coisas tristes? 
- Certo. Mas me diga: como foi que resolveu mudar tanto assim? 
- Bem, Mark me deu uns conselhinhos e eu resolvi r aceit-los. 
- Fez bem. O Mark  um excelente rapaz. E como ele  lindo, Tiffany. Acho que  o homem mais bonito que vi em toda a minha vida. 
- Mark  realmente muito bonito. E eu o convidei para passar o Natal conosco l na fazenda.
- Vocs esto namorando?
- No, imagina... O coitado est ainda muito abalado com o rompimento com uma namorada que ele adora. E como ele me disse que ficaria sozinho aqui em Nova York no final de ano...
- Fez bem em convid-lo, minha querida.

Um trabalho que deveria ser executado exatamente no dia de Natal, impediu que Tiffany fosse para casa. Porm, na ante vspera do ano-novo, ela, Lettie e Mark embarcavam em um vo comercial rumo ao Texas.
Tiffany e Mark chamaram muito ateno no saguo do aeroporto por causa da beleza, da elegncia e da extrema sofisticao das roupas que usavam.
- E ento? Feliz por ir conhecer a minha terrinha? Tiffany perguntou para o amigo que havia se sentado ao seu lado. Lettie ocupava um assento logo atrs dos dois.
- Muito.
- Eu sabia que voc fazia sucesso com a mulheres, mas nunca pensei que fosse tanto.
- Por que est me dizendo isso? - Mark se fez de inocente.
- Meu Deus, l no aeroporto as mulheres chegavam a parar s para olhar para voc. Tanta beleza no o incomoda, Mark? 
- Quando acham que por causa da minha beleza sou  um ser totalmente desprovido de inteligncia incomoda, sim. E muito! Mas voc tambm fez os homens do aeroporto pararem para olh-la. Est magnfica, minha amiga. 
- Muito obrigada. Voc estava coberto de razo, Mark. Esse meu novo visual parece que anda fazendo milagres. O trabalho que tive de realizar no Natal se deveu exatamente a ele. 
- Tiffany, logo voc ser conhecida mundialmente. 
- Quer dizer, ento, que acabarei me tornando uma modelo conhecida no mundo inteirinho, assim como voc? - Ela sorriu com modstia. - No tenho tanta pretenso assim. 
- Pois deveria ter. Mas me diga: e o seu peo?
- O que tem ele?
- Ele tambm  um homem bem-apessoado?
- , sim. Muito. - Ao pensar em King o corao de Tiffany disparou dentro do peito. - Mas  um tipo de beleza totalmente diferente da sua.
- E que tipo de beleza ele tem?
- King tem uma beleza mais... - Ela ficou pensando no adjetivo com o qual pudesse terminar a frase.
- Mais animal? - o amigo tentou ajud-la.
- No sei se a palavra seria animal, mas a beleza de King  mais rstica que a sua.
- Isso  eufemismo, minha amiga. Por que no usa a palavra exata? - O rapaz riu. - Est com medo de me ofender?
- No  isso, acredite.
- Garanto que a beleza do seu peo  bem mais mscula do que a minha. 
- A sua beleza tambm  bastante mscula, Mark.
- No do tipo que deve ser a do seu peo. King Marshall deve ter cerca de um metro e noventa, mos imensas, corpo bastante musculoso e tanta fora que  capaz de pegar um touro  unha.
- Ele  exatamente do jeito que voc o descreveu.
- Eu tinha certeza absoluta de que estava certo.
- Como pde ter tanta certeza assim?
- Eu vi a reportagem que saiu sobre ele no jornal do Texas, se esqueceu? E as fotografias tambm.
-  mesmo! Voc no pra de me provocar, no ?
- Voc precisava relaxar um pouco, Estava muito tensa. Tudo isso  medo de avio? O nosso vo est transcorrendo de uma maneira muito tranqila.
- E quem lhe disse que tenho medo de avio? Eu adoro voar.
- Ento, qual o motivo de tanta tenso?
- Bem, eu... .
- J sei: ele!
- Que tal nos mudarmos de assunto? - Tiffany pediu, dando-lhe um tapinha carinhoso no brao.
- Se acha melhor...

No aeroporto de San Antonio, Tiffany sentia as pernas trmulas e fazia um grande esforo para se controlar.
Harrison Blair os esperava junto ao porto de desembarque e, ao abraar a filha, disse muito emocionado:
- Voc ficou linda com os cabelos curtos. Quase morri de saudade, minha querida.
- Poderia ter ido me visitar em Nova York, papai.
- E eu quase fui mesmo. Mas no deu para deixar os negcios.
- Negcios, sempre os negcios... - Tiffany deu um beijo no rosto do pai e lhe apresentou Mark.
Harrison Blair no pareceu l muito satisfeito ao saber que o rapaz ficaria hospedado na casa deles.
- Vamos, ento? - Harrison Blair perguntou e indicou a sada do aeroporto.
J na limusine que os levariam  fazenda, Harrison perguntou a Mark:
- E voc trabalha com o qu l em Nova York? Na bolsa?
- No, papai, o Mark tambm  modelo.
- Modelo? - Harrison no escondeu o espanto.
- E dos bons. Mark  conhecido no mundo todo. Como voc deve ter notado, ele  um homem muito bonito.
- Por favor, Tiffany, no comece - o rapaz pediu, bastante constrangido.
- Mas voc  muito bonito mesmo, Mark 
- Mark deveria tentar a carreira de ator - Lettie comentou. - Ele faria o maior sucesso nas telas dos cinemas.
- Vou s, Mark? A Lettie  sua f.
- Sou mesmo! Mas me diga, Harrison, como est o King?
Harrison Blair, hesitou um pouco. E antes de responder  pergunta, deu uma olhadela para Tiffany.
- Ele est muito bem. Mas me diga, filha, voc conseguiu preparar a nossa festa?
- Mas  claro que sim.
- Achei loucura querer organizar um festa aqui no Texas, l de Nova York.
- Papai, depois do advento do telefone, do fax e do computador, no existe mais distncia para nada. Isso sem contar com a ajuda sempre inestimvel da minha querida Lettie.
- Eu peguei o telefone e falei com os fornecedores e com outras pessoas daqui - Lettie disse com orgulho. - Foi fcil, muito fcil.
- E a lista de convidados foi enviada atravs do computador, papai.
- Vocs duas esto modernas demais para o meu gosto - Harrison Blair brincou. - E os convites?
- Sua secretria ficou de envi-los - Lettie o informou.
- Voc convidou o King, filha?
- Claro que sim. King e sua linda Carla Stark - Tiffany respondeu a pergunta do pai, como se estivesse falando de uma pessoa que no tivesse nada a ver com ela.
- Acho que ele no vir para a festa. King viajou. Parece que s estar de volta na prxima semana. Pelo menos foi isso que um dos nossos gerentes administrativos me informou. Juro que no entendi esta viagem repentina. King sempre passa os finais de ano aqui.
Tiffany, inconscientemente, mordeu o lbio inferior. King tinha viajado. E ela que havia pensado que iria poder rev-lo...
Percebendo como Tiffany havia ficado decepcionada com a notcia, Mark estendeu a mo e segurou as dela, num gesto amigo e muito carinhoso. Foi a maneira que encontrou para confort-la. Mas tal gesto no passou despercebido para Harrison Blair que, contrariado, se fixou na paisagem do lado de fora.

Assim que chegaram em casa, todos almoaram e, logo em seguida, Tiffany convidou Mark para ir conhecer a regio.
Duas horas mais tarde, quando j estavam voltando para a fazenda, o rapaz comentou: 
- Agora sei o porqu de no dar a menor importncia ao dinheiro. Voc  uma mulher riqussima, Tiffany.
- Eu no sou rica - ela riu -, o dinheiro  todo do meu pai.
- Sei... - Mark olhou para os lados. - Veja esse carro. Nos meus momentos de fantasia, fico imaginando que um dia talvez me sobre dinheiro para comprar um carro corno esse.
- Como o Jaguar? - ela perguntou, admirada.
- Exatamente. Acho esse carro o mximo.
- O dinheiro no  tudo na vida, Mark.
- No venha me dizer que para voc bastaria um amor e uma cabana.
- Quer saber da verdade? Bastaria, sim. Mas se a cabana tivesse ar-condicionado, geladeira, televiso, mquina de lavar roupa e todos esses aparelhos modernos que facilitam tanto a nossa vida, me sentiria bastante feliz.
Mark caiu na risada.
- Adoro essa sua maneira despojada, Tiffany. Voc  a primeira mulher realmente espontnea que conheo.
- J fui mais, Mark, muito mais. Minha espontaneidade era tanta que muita gente a confundia com ingenuidade. - Ela parou um pouco para pensar e resolveu mudar o que acabara de dizer. - Na verdade, eu tambm era muito ingnua. Mas agora...
- Por favor, minha amiga, no fique triste. Amanh  meia-noite um ano novinho vai comear e a gente tem de ficar feliz e acreditar que tudo vai dar certo.
- s vezes  muito difcil acreditar no futuro.
- Ainda mais se nesse futuro voc no puder contar com a presena do seu grande amor, no ?
-  isso a, meu amigo.
- Voc o ama tanto assim?
- Eu acho que sim.
- Voc acha que sim, ou tem certeza?
- L em Nova York, alm de trabalhar, gastei muita energia tentando tirar King do meu corao. Em alguns momentos me iludi e at pensei que havia conseguido. Mas bastou pr os ps no Texas, bastou saber que ele foi viajar para eu me sentir...
- ...rejeitada - Mark completou-lhe a frase.
- Rejeitada, abandonada, tripudiada...
- Tripudiada?
-  tripudiada por mim mesma, pelo meu amor, pela minha emoo. King jamais me prometeu nada.
- Mesmo assim voc o ama.
- Bem mais do que eu gostaria.
- Mas Tiffany, l em Nova York tem tanta gente interessante. Eu mesmo sei de pelo menos cinco rapazes que adorariam ter uma chance com voc.
 - No sou mulher de brincar com os sentimentos dos outros, Mark.
 - Mas dizem que para se esquecer um amor, s arranjando um novo amor.
- Se  assim, por que at hoje voc no arrumou uma nova namorada?
- Por qu? - Mark deu uma risadinha e ironizou: - Porque, apesar desse meu fsico todo, de todo esse meu jeito de homem do sculo vinte e um, tambm no passo de um ingnuo e de um grande romntico.
- Meu amigo, acho que ns dois fomos os ltimos romnticos que sobraram neste final do sculo vinte. Mas me diga: por que no vai procurar a sua ex-namorada?
- Por orgulho. Por orgulho e por medo.
- Pois eu acho que deveria passar por cima do orgulho e do medo e dizer a ela exatamente o que est dentro do corao.
- E voc acha que daria certo? Ser que ela voltaria para mim?
- Por que vocs se separaram?
- Ela me trocou por outro. Eu j lhe disse isso. Lilian  uma mulher ciumenta e muito possessiva.
- Posso imaginar...
- Ela achava que eu levava para a cama qualquer mulher que se aproximasse de mim.
- E voc fazia isso?
- De maneira alguma. Eu nunca tra a minha namorada.
- Est a uma coisa difcil de acreditar.
- Voc tambm, Tiffany? Voc tambm acha que todos os homens no se controlam quando vem uma mulher?
- Se todos agem assim, eu no saberia lhe dizer. Mas que a maioria no  confivel..., disso eu tenho certeza. Ela deu um profundo suspiro. - Mark, acho que deve ir procurar a Lilian assim que chegar em Nova York. Pelo que entendi, ela o abandonou por pura insegurana.
Mark pensou um pouco e comentou:
- Tudo bem. Assim que voltar para Nova York vou procurar a Lilian.
- Isso mesmo meu amigo, e faa de tudo para que ela se sinta segura com voc.
- E se ela no me quiser mais?
- Ento, voc nunca vai poder dizer que no tentou.
- Tiffany Blair, alm de estonteantemente linda voc  uma mulher muito sensvel e muito sbia.
- Vou ter de viver muito para me tornar uma mulher sbia, Mark. Pode acreditar em mim.

No dia seguinte, aps cavalgar durante toda a manh com Mark, Tiffany almoou e foi para um salo de beleza em Jacobsville, de onde saiu s no final da tarde. Ao chegar na fazenda, ficou muito feliz de ver a casa preparada para a festa.
- Isso aqui est lindo demais, Lettie! - Ela deu um abrao na amiga. - O que eu faria sem voc?
- Tudo. Voc  capaz de fazer tudo o que eu fao.
- Jamais vou conseguir a sua organizao.
- Mas voc tambm  uma pessoa muito organizada, minha querida. E herdou essa qualidade da sua me. Lettie a fitou de cima em baixo.
- O que foi?
- Voc est belssima.
- Muito obrigada. E vou ficar mais bonita ainda para receber os meus convidados.

Tiffany, usando um vestido longo de cetim branco que moldava-lhe ligeiramente o corpo, sapatos brancos em pelica, um colar de safiras e, nos cabelos, um prendedor com as mesmas pedras do colar, sentia-se muito consciente do efeito que causava sobre os seus convidados. Todos, inclusive as mulheres, estavam admiradssimos com a transformao que ela havia sofrido desde que fora morar em Nova York. Agora Tiffany sabia conversar de maneira pausada, sabia caminhar e, principalmente, sabia se manter por horas a fio, se fosse preciso, com os ombros eretos, elegantssima.
Mark, ao seu lado, vestindo um smoking preto, mais parecia um prncipe. As moas solteiras mal podiam controlar os olhares que a todo instante se viam tentadas a lhe lanar.
Porm, quem mais parecia embevecida com a beleza de Mark era uma amiga de Tiffany, chamada Lisa.
- Como sempre voc est deixando as mocinhas desavisadas totalmente deslumbradas - Tiffany comentou baixinho com o amigo.
- E voc, minha cara Tiffany Blair, est deixando os representantes do sexo masculino sem saber como agir na sua frente.  uma pena que o seu peo no esteja presente. Tenho certeza de que ele ficaria embasbacado.
- Daria para voc me fazer um grande favor, Mark?
- Mas  claro que sim.
- Pelo menos nesta noite, no toque mais no nome dele. No quero pensar nele. Gostaria de receber o ano que est para se iniciar com o corao leve, sem nenhum tipo de mgoa.
- Tudo bem. Me diga, ento: quem  aquela ruivinha que no pra de olhar para mim?
- Ah, voc notou? O nome dela  Lisa.
- Que moa bonita, Tiffany. Alis, as mulheres texanas so muito bonitas.
- Pela parte que me toca, eu agradeo.
- Foi um elogio sincero.
- Quer que eu apresente a Lisa para voc? Ela  um amor de criatura, mas  muito tmida. Quem sabe ela faz voc esquecer a Lilian.
- Acho pouco provvel.
- E ento? Quer ou no ser apresentado para a Lisa?
- No sei... Ultimamente, quando o assunto  mulher, tenho feito de tudo para me manter bem protegido.
- Bem, voc  quem sabe... - Sorrindo, Tiffany acariciou o rosto do amigo.
- Voc acha que as pessoas aqui esto pensando que ns dois somos namorados?
- Com toda certeza.
- E isso no a incomoda, Tiffany?
- De maneira alguma. Eu...  ela interrompeu a frase antes de termina-la.
- Voc o qu? Vamos, fale.
- Me sentiria ridcula se lhe contasse o que me passou pela cabea. 
- Minha querida amiga e colega: como mortais, todos ns temos o direito para sermos ridculos. Vamos, coragem, termine a frase.
- Bem, para ser sincera, at gostaria que o King ficasse sabendo que o meu namorado esteve hospedado aqui na minha casa. .
- Eu sabia! - Mark riu. - Eu sabia que voc ia dizer isso.
- Bem, se sabia, por que fez questo de me ver verbalizar algo to deplorvel?
- Deplorvel? Imagine... Se a minha presena aqui servir para voc conquistar o seu peo, vou me sentir muito feliz.
- Aquele homem  inconquistvel. - Tiffany segurou a mo de Mark e o puxou na direo de onde se encontrava Lisa - Vamos l! Coragem! Vai adorar conhecer a minha amiguinha.
Lisa McKinley, mal conseguiu dizer duas ou trs palavras para Mark. E quando soube ento que ele era modelo, a garota ficou muda. 
- Quer danar comigo? - Mark sugeriu.
- Eu...
- V danar com ele, Lisa. Mark  um excelente danarino.
A garota apenas se deixou levar para a pista de dana.
Instantes mais tarde, os pais de Lisa de aproximaram de Tiffany, muito aflitos:
- Quem  aquele moo que est danando com a minha filha - a sra. McKinley quis saber.
-  Mark Allenby, um grande amigo meu.
- Um amigo, ou ele  seu namorado? .
- Mark  um grande amigo - apesar de tentada a mentir, Tiffany achou melhor dizer a verdade.
- Pensei que ele fosse seu namorado - o sr. McKinley interferiu na conversa. .
- No, somos apenas amigos. Mark tambm  modelo.
- Eu sabia! - a me de Lisa comentou, contrariada. - Um homem to bonito no podia ser boa coisa. Tiffany inspirou profundamente. No queria ser grosseira com uma convidada mas tambm no poderia deixar de defender Mark Allenby.
- Sra. McKinley, o meu amigo Mark Allenby  um rapaz de ouro. E trabalhou honestamente para conseguir ser modelo.
- Pensei que para seguir esta profisso a pessoa s precisasse ser bonita. 
- Existem muitas pessoas bonitas espalhadas pelo mundo, mas so poucas as que conseguem se firmar como modelo. E a carreira de Mark  muito promissora. Ele  filho de um casal de italianos e chegou na Amrica com apenas um ano. O pai de Mark para sustentar a famlia arrumou dois empregos e a me dele trabalhou como garonete at a chegada do segundo filho. Hoje  Mark quem sustenta os pais que no esto bem de sade e as trs irms mais jovens, todas estudantes. Portanto, sra. McKinley, meu amigo  srio, respeitador e jamais usaria a sua beleza fsica para seduzir quem quer que fosse.
- Ainda bem - a me de Lisa comentou bastante vermelha, mas profundamente aliviada. - Minha filha ficou muito impressionada por ele.
- Lisa  um amor de criatura. E pode ficar tranqila: Mark  um rapaz de ouro.
- Se voc est dizendo...
Porm, ao contrrio do que do que Tiffany poderia imaginar, Mark passou o resto da festa danando e conversando com Lisa. E quando a garota estava indo embora com os pais, ele disse:
- Amanh estarei l na sua fazenda para ver os cavalos, Lisa.
- Certo - a garota disse e foi incapaz de sustentar olhar de Mark.
Quando o ltimo convidado deixou a sede da fazenda, Harrison Blair quis tomar mais um copo de champanhe com Tiffany e o seu hspede. Em seguida, j no mais desconfiando de Mark, se recolheu para dormir.
- Daria para me contar o que aconteceu? - Tiffany pediu ao amigo.
- Daria, sim. Isso se me disser sobre o qu exatamente voc est falando.
- No se faa de inocente, Mark. - Ela riu. - Voc passou a festa inteirinha com a Lisa.
- Voc notou?
- Eu e o resto dos meus convidados. O que foi? Resolveu dar uma de conquistador?
- No, de maneira alguma, Tiffany. Aconteceu que fiquei profundamente impressionado com ela. E olha, isso  muito estranho: nunca na vida sequer olhei para uma ruiva.
- Sempre tem uma primeira vez, no ? Mas pensei que estivesse a fim de voltar para a sua ex-namorada.
- Mas eu estou... Bem, eu estava... - Tenso, confuso, Mark comeou a andar de um lado para o outro.
- O que est acontecendo, meu amigo? Nunca o vi agir dessa maneira.
- Quer saber mesmo o que est acontecendo?
- Mas  claro que quero.
- Bem - Mark parou e a encarou -, no sei, mas no sei mesmo, o que est acontecendo. Lisa  to vulnervel, to meiga, to doce, to suave e... - Mark simplesmente interrompeu a frase e comeou a balanar a cabea em negativa.
- No estou gostando nada disso, Mark. Ela  uma gracinha de pessoa e, pelo que sei, totalmente inexperiente.
- E acha que no sei disso?
- Voc pode mago-la muito. E, sob hiptese alguma, gostaria que isso acontecesse.
- Mas eu no quero mago-la. S estou pretendendo conhec-la um pouco melhor.
- Mark, por favor, olha l o que voc vai aprontar.
- Juro que no vou aprontar nada, Tiffany. Voc me conhece.
- A gente sempre acha que conhece uma pessoa, mas no fundo... E a Lilian?
- Estou confuso, muito confuso. Ser que eu estava enganado quanto ao amor que sempre achei que sentia por Lilian? - O rapaz deu um profundo suspiro. - Bem, eu vou para o meu quarto. Vai ficar aqui por mais algum tempo?
- Vou, sim.
No fazia nem cinco minutos que Tiffany estava sozinha na sala, quando Harrison Blair apareceu. 
- Pensei que estivesse dormindo, papai. 
- Vou tomar um copo d'gua. Acho que o champanhe me deixou com sede. - Ele sentou-se ao lado de Tiffany no sof.
- Quer dizer, ento, que o Mark no  seu namorado.
- No, no . E ele ficou muito impressionado com a Lisa.
- A garota tambm pareceu que gostou muito dele. O Mark  de confiana, filha?
- , sim. Mark  um rapaz muito responsvel.
- Isso  muito bom. Pena que o King no pde comparecer  festa.
- Sabe que no senti a menor falta daquele peo? ela disse e, em seguida, caiu na gargalhada. - Como se isso fosse possvel!
- Ainda bem que voc brinca com a situao, minha querida.
- Eu brinco papai, porque j chorei muito por causa daquele homem insensvel.
- Voc no encontrou nenhum gal l em Nova York?
- Gal  o que no falta por l, ainda mais na minha profisso. Haja visto Mark.
- E voc no se interessou por nenhum deles, filha?
- Eu no consigo, papai. Por mais que eu me esforce, eu no consigo.
Tiffany e o pai ficaram conversando sobre a vida e, principalmente, sobre a poca em que ela era criana.
- Voc com esse corte de cabelo ficou muito mais parecida com a sua me - ele comentou em um dado momento.
- A Lettie me disse.
- O mesmo tom de pele, a mesma postura de rainha, os mesmos olhos... 
- Voc sempre fica muito triste quando se lembra da mame, no ?
- Muito, minha querida. Ainda sinto muito a falta dela.
- Voc precisava pensar em refazer a sua vida, em arrumar uma companheira.
- Acho que isso  impossvel. A imagem da sua me me acompanha a cada instante. Tenho a sensao de que ela est aqui conosco agora.
Ao ouvir aquilo, Tiffany ficou profundamente emocionada.
- Ela foi o seu nico amor?
- Foi. Sua me foi o meu primeiro e nico amor. Pena que Deus a levou to cedo e nos privou de uma companhia to maravilhosa. .
- A Lettie tambm  uma pessoa muito solitria. Ela me contou que o noivo morreu no Vietn.
-  verdade. Ele era um sujeito e tanto. - Harrison Blair se levantou. - Bem, querida, vou tomar a minha gua e dormir um pouco.
- Eu tambm vou dormir. - Depois de ter dado um longo e apertado abrao no pai, Tiffany foi para o quarto.
Na manh seguinte, depois de ter explicado a Mark como fazer para chegar at  propriedade dos McKinley, Tiffany emprestou-lhe uma caminhonete do pai. E, muito  vontade, feliz por estar ali desfrutando da natureza, companhia de toda uma vida, ficou na varanda embevecida com a paisagem que a rodeava.
Depois, entrou e deitou-se na rede que havia instalado na sala. Ela sentia-se to relaxada que acabou adormecendo. De repente, um som de motor a fez acordar. Com preguia, olhou atravs da janela para ver quem estava chegando.
Era King que, muito senhor de si, estacionou e seguiu em direo  casa.
Apesar do tremor do corpo, Tiffany aparentava total controle. Sem pressa, saiu da rede e abriu a porta. Naquele instante, King j se encontrava junto  escada que levava  varanda e, por causa da roupa que usava, terno bege, camisa azul-claro, gravata bord, com bolinhas no tom do terno, e sapatos marrons, parecia estar vindo de alguma festa. Tiffany, por sua vez, usava um vestido longo em malha, com mangas compridas. Ao v-la, ele parou e parecia no estar acreditando que aquela mulher sofisticada que tinha diante de si fosse a mesma garota com quem quase fizera amor meses atrs.
- Bom dia, King - ela o cumprimentou da maneira mais natural possvel. - O que o fez aparecer aqui to cedo? Pensei que estivesse viajando.
- Vim at aqui para ver o seu pai.
- Ele est l dentro, no escritrio. - Tiffany foi para a varanda.
- Voc acordou cedo, Tiffany.
- Eu sempre acordo cedo. Mais ainda quando temos hspedes por aqui.
- Hspedes? - Ele a fitava com desconfiana.
- Lettie e Mark. 
- Mark?
- Exatamente. Mark Allenby. Ele  modelo e voc j  deve t-lo visto em comerciais na televiso. Mark  incrivelmente bonito.
Ao ouvir aquilo, King engoliu em seco e, com passos decididos, subiu os degraus que levavam at  varanda. Depois entrou na casa sem dizer absolutamente nada.  Tiffany permaneceu por algum tempo na varanda e quando resolveu entrar, voltou para a rede. E foi inevitvel pensar em tudo o que acontecera entre ela e King: a descoberta do prprio corpo, da prpria sexualidade, no prazer que se mantivera adormecido dentro dela por vinte e um anos.
- Filha! - Harrison Blair a chamava.
- Diga, papai - Tiffany respondeu, mas permaneceu na rede.
Harrison Blair entrou na sala, cumprimentou o amigo de maneira efusiva, afinal estavam no primeiro dia de um novo ano, e se aproximou da rede.
- Estou precisando de um grande favor, querida.
- Pode pedir. - Tiffany sorriu para o pai.
- King est querendo uns papis que esto no cofre do meu escritrio na cidade. Daria para voc fazer o favor de ir at l peg-los? Fiquei de levar a Lettie at Floresville. Ela est louca para se encontrar com a irm.
- Claro, papai. - Tiffany saiu da rede e nem olhou para King. - S vou vestir uma jaqueta.

A caminho de Jacobsville, Tiffany se perguntava por que o pai nunca havia fornecido a King o segredo do cofre que tinha no escritrio. Afinal, os dois eram scios h muito tempo e dividiam um andar inteirinho com os seus escritrios.
- Posso saber por que est to calada?
- Estava pensando no motivo de at hoje o meu pai no ter lhe contado qual  o segredo do cofre. Ele no confia em voc?
- Seu pai no confia absolutamente em ningum. E ele est certo.
- Isso  muito estranho.
- No acho nada de estranho no comportamento dele. Se quer saber, o seu pai tambm no tem o segredo do meu cofre.
- Continuo achando tudo isso muito estranho.
- Conhece um ditado que diz que o seguro morreu de velho?
- Claro que conheo.
- Pois ento... A nica pessoa que conhece o segredo do meu cofre  o meu advogado.
- Pelo que eu sei, meu pai tambm passou o segredo do cofre para o velho advogado dele.
- Eu sei disso. Mas esse velho advogado no faz parte da nossa equipe de juristas.
At chegarem no escritrio de Harrison Blair, os dois no disseram mais nada.

Tiffany tinha acabado de abrir o cofre.
- O que voc quer que eu tire daqui?
- Um envelope marrom onde est escrito Propostas para negociao.
-  esse aqui? - ela perguntava aps alguns segundos.
- Exatamente.
Tiffany entregou-lhe o envelope, fechou o cofre e perguntou:
- Mais alguma coisa?
- No, tudo do que eu preciso est aqui dentro. - King ergueu o envelope.
- Ento, vamos embora.
- Ainda no.
- Por qu? - Tiffany fitou-o bem dentro dos olhos.
- Tenho uma perguntinha para lhe fazer.
- Por favor, seja rpido. Quero voltar logo para casa.
- Por que voc no nos convidou para a festa?
- Esse ns significa voc e a Carla?
- Mas  claro que sim.
- Eu os convidei.
- No, voc no nos convidou.
- Olha aqui, King, l de Nova York, mandei para a Rita, a secretria do meu pai, uma lista de convidados na qual voc e a Carla encabeavam. Se acha que estou mentindo, pergunte a ela.. .
- J perguntei e Rita me disse que o meu nome e o de Carla no constavam da lista.
- Algum est mentindo. 
- E eu sei muito bem quem  - ele afirmou com um certo cinismo no olhar. 
- Voc por um acaso est me chamando de mentirosa? Por que eu os deixaria fora da lista?
- Por mgoa, talvez. Afinal, eu praticamente a despachei para Nova York.
- No seja to pretensioso, King Marshall. Na verdade, voc me fez um grande favor. E pode deixar de se sentir ameaado: no sou mais a menininha que voc conheceu um dia. Eu mudei.
- Realmente, voc mudou muito.
- Nada como ir morar numa grande cidade, cheia de pessoas interessantes e muito divertimento, para a gente poder perceber o quanto o mundo  grande. E agora estou fazendo uma carreira bastante promissora.
- Quando soube que tinha ido para Nova York, pensei que fosse para passar apenas uns tempos.
- Pois ... Mas agora estou pretendendo ficar l para sempre.
King saiu do escritrio e foi para a ante-sala, direto ao computador usado pela secretria de Harrison Blair. Aps ter entrado em alguns arquivos ele disse, satisfeito:
- Pronto! Est aqui! Venha ver.
Tiffany olhou para o monitor e viu a lista de convidados que tinha enviado. Depois de l-la por inteiro, no encontrou o nome de King, nem o de Cada Stark.
- O que voc me diz disso? - ele a desafiou.
- Espere um pouco. - Tiffany sentou-se em frente ao computador, verificou o nome de alguns arquivos que tinham sido eliminados e se encontravam num local do programa chamado de lixeira. Se tivesse um pouco de sorte a lista original que havia mandado para a secretria do pai  logo estaria na tela. E foi exatamente o que aconteceu, depois que ela ativou um dos arquivos. 
- Venha ver isso - Tiffany pediu.
Incrdulo, King se aproximou do computador e viu seu nome e o de Carla encabeando a lista dos convidados.
- Eu no disse? - Ela sorriu, satisfeita.
- Como foi que conseguiu Isso? - King estava espantadssimo. - Eu no a vi digitando absolutamente nada.
- Esta  a lista original que eu mandei. - Tiffany desligou o computador e se levantou. - Como viu, no estava , mentindo. E diga para a Carla para ser um pouco mais competente, quando resolver mexer de novo no computador da Rita. Ela deveria ter eliminado de vez a lista original.
- Voc est acusando Carla injustamente.
- Ser que estou mesmo? At pode ser - ela admitiu.
- Por que Carla faria uma coisa dessa?
- No sei, a moa deve ter os motivos dela. Afinal, Carla Stark  uma garota com aspiraes bem altas.

Assim que entrou em casa, Tiffany foi para o quarto, furiosa com a maneira traioeira de Carla Stark agir. Tudo indicava que a bela secretria de King no estava a fim de medir as conseqncias dos seus atos.
- Eu detesto esse tipo de comportamento - ela disse em voz alta, enquanto abria o guarda-roupa. - Pelo jeito, para a maioria das pessoas, no amor e na guerra vale mesmo tudo. Ainda bem que estou indo embora hoje para Nova York!
Tiffany pegou a mala e comeou a arrum-la. De repente, ouviu uma voz bastante conhecida perguntar:
- J pensando em voltar? Pensei que fosse ficar por aqui pelo menos mais uma semana.
Tiffany, que se encontrava de costas para a porta, virou-se e perguntou:
- O que voc est fazendo no meu quarto? E quem deixou voc entrar na minha casa?
- A Cassie. E acho que ela gosta bastante de mim. King fechou a porta do quarto e a trancou.
- Quando eu cheguei, no vi a Cassie.
- Mas ela est l embaixo. E, pelo que me disse, coordenando a limpeza da cozinha.
- Tudo bem, seja l quem for que tenha aberto a porta para voc entrar, gostaria que fosse embora.
- O que foi, princesa? Resolveu bater em retirada? A gente no abandona um campo de batalha antes de lutar muito.
- J lhe ocorreu que talvez eu tenha cansado de lutar!
- Eu tambm acho que j me cansei de lutar - ele disse de maneira enigmtica. 
- Por favor, saia do meu quarto. Mark pode chegar ai qualquer momento, ou o meu pai e...
- Seu pai foi levar Lettie para ver a irm dela e o seu amiguinho est na fazenda dos McKinley. Pelo que Cassie me disse, parece que ele ficou muito impressionado com Lisa. - Devagar, King se aproximou do local onde Tiffany se encontrava e tocou-lhe os cabelos de leve. - Eles esto mais lindos que nunca e parecem fios de seda.
- Saia do meu quarto - ela voltou a pedir.
-  isso mesmo que voc quer? - King perguntou e no instante seguinte, a beijou com furor.
- Saia... - Tiffany no teve fora para terminar a frase. Agora, alm de beij-la, King acariciava-lhe de maneira muito ntima.
- Voc no quer que eu saia. Voc quer que eu fique, princesa e lhe proporcione todo prazer do mundo.
- King, eu...
- Voc se sente viva nos meus braos, no  isso que ia dizer?
Em resposta, ela deu um profundo suspiro. King parecia capaz de enxergar exatamente o que lhe passava pela mente
- No, eu no posso continuar com isso! - Ele se afastou de repente. - Voc  filha do meu scio e eu seria um grande canalha se trasse a confiana que ele deposita em mim. Se algo mais srio acontecesse entre ns dois, seu pai se sentiria trado, destrudo. Harrison Blair parece que vive no sculo dezenove e no acompanhou a evoluo dos tempos.
King suspirou longamente e voltou a se aproximar de Tiffany.:
- Estou morto de desejo... - Ele a abraou. - Mas, no fundo, tambm sou um homem s antigas. Acho bom voc  ir comigo amanh at  cidade para comprarmos as alianas.
- O qu? - Ela o fitou estupefata.
- Compraremos as alianas e um anel de noivado. Ns vamos nos casar.
- Mas voc jamais quis se casar.
- Acontece, princesa, que agora eu quero. No sou muito dado  abstinncia sexual e tenho de admitir que estou precisando de uma mulher.
- E a Carla?
- Bem, para ser sincero, desde que voc partiu, nunca  mais senti o menor interesse por ela.
- Mesmo assim continua saindo com a coitada?
- Deixei muito claro para ela que no somos nada mais do que amigos. Quero me casar com voc Tiffany.
- No precisa se casar comigo s porque me deseja. Sexo no  tudo dentro de um casamento.
- E quem lhe disse isso?
- Li num livro.
- Acontece, mocinha, que na minha opinio, sexo pode no ser tudo dentro de um casamento, mas  uma parte muito importante.
Ela se encheu de coragem e disse:
- Se o seu problema for s me possuir...
- A gente, ento, pode fazer amor agora?  isso que est querendo dizer?
- As vezes as palavras so chocantes demais, King, mas  isso mesmo que eu estava pensando.
- Voc realmente  uma outra mulher. Mas no quero fazer amor com voc agora. No com a Cass e os outros empregados l embaixo.   - Ele voltou a abra-la. - E ento? Vai se casar comigo?
- Voc acha que podemos funcionar juntos?
- Sexualmente, sabemos que sim.
Meio hesitante, ela disse:
- Tudo bem, King Marshall, eu me caso com voc.
Naquele exato instante bateram na porta do quarto. Era Cass     Telefone para o sr. Marshall.
- J estou descendo, muito obrigado.
- Como descobriram voc aqui? - ela perguntou.
- Tive um problema com o meu celular e deixei um recado na minha secretria eletrnica , dizendo que me encontrariam aqui. King saiu do quarto na companhia de Tiffany. Porm antes de ir ao telefone, voltou a beija-la com muito desejo.

Tiffany, enquanto King atendia o telefonema, sentou-se na sala de televiso e, bastante atarantada, ficou pensando na proposta que King tinha acabado de lhe fazer. Ser? Ser que estava agindo de maneira correta se casando com King? Ele apenas havia dito e deixado bem claro que a desejava. Em nenhum momento sequer mencionara a palavra amor. Porm, apesar da dvida, seu corao apaixonado exaltava. Aquele era o homem que amava com toda fora do seu corao.
Dez minutos depois King entrava na sala de televiso acompanhado por Mark. O rapaz extasiado, no cabia em si de tanto contentamento e dizia que, finalmente, tinha encontrado a mulher com quem passaria o resto de sua vida. Tiffany ento, lhe contou que no voltaria para Nova Iorque e que iria se casar com King. Mark no disse nada, mas pareceu ficar muito preocupado. Tiffany estava largando uma carreira muito promissora por um jovem que, aparentemente, somente a desejava.
Mark pediu a Tiffany que o levasse novamente para a fazenda dos McKinley de onde iria direto para o aeroporto.

Aps terem deixado o rapaz na fazenda, King resolveu que naquele dia mesmo deveriam comprar o anel de noivado, as alianas, e levou Tiffany at a casa de um dos melhores joalheiros da regio, o homem recebeu-os muito bem e logo exps os anis para que ela escolhesse. Tiffany, porm, no se interessou por nenhum daqueles anis e quis que adquirissem apenas m um par de alianas finas, bem delicadas. King estranhou muito aquele comportamento. Afinal, Tiffany Blair era mulher e como a grande maioria das mulheres, deveria gostar muito de jias.

Depois daquele primeiro dia do ano, tudo se precipitou e Tiffany, de repente, se viu envolvida com os preparativos do casamento. Tanto ela quanto King queriam uma cerimnia simples.
Os dias passavam rapidamente. Tiffany j no tinha a menor dvida de que havia tomado a deciso acertada. King a tratava muito bem e, respeitador, se esforava para no ter  qualquer tipo de intimidade com ela. Mas, conforme o enlace se aproximava, ele comeou a mudar o comportamento. Tenso, distante, King Marshall parecia um outro homem.
Na vspera do casamento, ele foi jantar com Tiffany e o seu pai e se mostrou totalmente ausente.
- Como , amigo? - Harrison Blair brincou em um determinado momento. - Ser que a perspectiva de entrar para o rol dos homens srios o est deixando preocupado?
- No  nada disso - King tentou sorrir -,estou com uns probleminhas l na fazenda, mas no  nada. 
Atenta e perspicaz, Tiffany no acreditou naquela resposta. Para ela aquilo no passava de desculpa. Quando se despediam na varanda, ela resolveu enfrentar a situao:
- King, tem certeza de que quer mesmo se casar comigo?
- Mas  claro que tenho. Se no tivesse certeza, no teria me comprometido com voc.
Tiffany ficou calada por alguns instantes, mas depois resolveu ir at o fim:
- Olha, se achar melhor, a gente pode adiar o casamento. Eu volto para Nova York, fico mais um tempo por l e depois... .
- De jeito nenhum. Est tudo planejado  King interrompeu.- Ns vamos nos casar amanh. E, conforme o planejado, passaremos a nossa lua-de-mel na Jamaica.
- Mas os planos podem ser mudados.
- Pelo jeito  voc quem est a fim de desistir   
- Engano seu, meu querido. Quero, sim, me casar com voc. Mas estou achando que ainda precisa se acostumar um pouco com a idia.
Em resposta, ele acariciou-lhe os cabelos, beijou-lhe os lbios de leve e fixou o olhar no dela. 
- O que foi? Por que est me olhando dessa maneira?
- Estava pensando...
- Em qu?
- Nada,  besteira. 
- Por favor, me diga em qu voc estava pensando. 
- Estava pensando no que todo mundo j sabe. Voc  muito mais jovem do que eu... Daqui a vinte anos, ter este mesmo rosto lindo, os mesmos cabelos... Talvez com apenas uns fios de cabelos brancos...
- Falando assim, o senhor me deixa bastante animada! - Ela o abraou. - Mas voc tambm estar muito bem daqui a vinte anos: um belo cinqento!
- Um belo cinqento? Eu duvido.
- Com esse seu fsico, tenho certeza absoluta de que estar em plena forma at quanto chegar aos oitenta. J pensou? Nossos filhos vo adorar voc.
- Filhos? - King se enrijeceu e se afastou de Tiffany.
- , filhos, aquelas coisinhas pequenininhas que solicitam a gente o tempo todo, choram, fazem manha, mas tambm nos do muitas alegrias, est lembrado do que se trata?
- Voc ainda nem se casou e j est falando em famlia.
- Para mim isso  a coisa mais normal do mundo. Eu quero ter vrios filhos, King. E quero que sejam bem parecidos com voc. .
- Temos muito tempo para pensar em filhos. E por falar nisso, voc foi ao mdico?
- Ns dois fomos ao mdico, querido, para fazermos o exame de sangue est lembrado? - ela perguntou, rindo do jeito dele.
- Estou me referindo ao ginecologista.
- No, eu no fui ao ginecologista.
- Deveria ter ido, para tomar providncias.
- Quanto a qu? - Ela o fitou meio desentendida.
- Contracepo, Tiffany. Ns vamos evitar filhos. - King balanou a cabea em negativa. - Tudo bem! Agora eu cuido disso mas, assim que chegarmos da nossa lua-de-mel, voc vai procurar um ginecologista.
- Agora eu cuido disso - ela ironizou, imitando-lhe o tom de voz. - Para um solteiro voc entende muito de contracepo, King Marshall.
-  exatamente por causa disso que continuou solteiro at hoje. E quero deixar bem claro uma coisa: filhos ter de ser uma deciso nossa, entendeu?
- No tenha dvida de que sim. Voc foi clarssimo.
- Bem, agora eu vou embora. Encontro com voc na igreja. - Ele beijou-lhe a testa. - Durma, se conseguir.
Tiffany, profundamente preocupada, ficou olhando King se afastar, entrar no carro e desaparecer em meio  escurido. E, naquela noite, s conseguiu conciliar no sono s quatro horas da manh. 

Cansada, Tiffany despertou s sete e meia da manh, sentindo-se profundamente insegura com aquele casamento. Ser que estava dando o passo certo?  Claro que amava King mas, pelo jeito, ele no a amava. King  Marshall iria se casar com ela por puro desejo, por ser incapaz de seduzir a filha do seu melhor amigo. Tiffany deu um profundo suspiro e ajeitou o travesseiro. 
Ela havia pedido tanto a Deus que a fizesse ficar para sempre com o homem que amava, pedira tanto... Agora, de repente, quando estava prestes a conseguir realizar o seu maior sonho, a dvida e o medo corroam-lhe a alma e o corao. Tiffany balanou a cabea de um lado para o outro e lembrou-se de um velho ditado que dizia: Tome cuidado com aquilo que deseja, voc pode conseguir.
Vendo que no adiantava ficar ali na cama, pensando em uma situao que no tinha soluo, ela se levantou e foi para o banheiro. Depois de um banho rpido, voltou para quarto e comeou a se preparar para o casamento que seria realizado s dez horas da manh.
Ao se olhar no espelho j pronta, Tiffany sorriu com tristeza. No podia negar que estava bonita com aquele terninho branco. Depois de experimentar vrios vestidos de noiva e de no gostar de nenhum, ela se decidira por um traje diferente. Em Nova York j vira muitas mulheres se casarem com aquele tipo de roupa. Sob o palet do terninho, uma blusa de cetim dava um toque muito feminino ao conjunto, que se completava com uma grinalda bem delicada,. As marcas da noite maldormida, as olheiras, ela conseguira esconder com maquiagem.
S quando estava para sair do quarto, Tiffany se deu conta de que no comprara um buqu. Como fora se esquecer logo do buqu?
Ela inspirou profundamente, tentando se animar. Tinha de ter esperana e muita f. Quem sabe, com o tempo, King passaria a am-la pelo menos um pouquinho. A, talvez, ele comeasse a pensar em ter filhos e uma famlia de verdade.
Tiffany voltou a sorrir para a sua imagem refletida no espelho e saiu do quarto. Ao entrar na sala, encontrou o pai vestido com um terno grafite, muito bem cortado.
- Voc est linda, minha filha. Sua me se estivesse aqui conosco iria sentir muito orgulho de voc.
- Ser?
Harrison Blair se aproximou de Tiffany e perguntou:
- O que foi?
- Nada, s estou meio triste.
- Minha querida, tem certeza do que voc est fazendo? Casamento para mim  para a vida toda.
- Eu sei, papai. 
- Olha, se voc quiser, pode desistir de tudo. Ainda h tempo. No quero, sob hiptese alguma, que d um passo to srio em sua vida sem ter certeza do que est fazendo. Ontem, durante o jantar, tive a sensao de que voc e o King estavam se preparando para irem para a forca, no para o altar.
- No se preocupe, papai. Est tudo bem.
- Tem certeza?
- S estou tensa. Acho que todas as noivas devem se sentir dessa maneira antes de irem para o altar.
- Bem, meu amor, confio em voc.
- Pode... pode confiar - ela respondeu, meio titubeante.
- Se  assim, vamos para a igreja. Os convidados j devem estar nos esperando.
- Convidados? Que eu me lembre, no convidei ningum, exceto,  claro, a Lettie, que ficou de ir direto de Floresville para a igreja.
- Mas o King deve ter convidado alguns amigos.
- Pode ser, mas ele no me disse nada.
- A limusine j est a fora nos esperando.
- Voc contratou uma limusine para me levar at  igreja?
- Voc merece bem mais. Se eu pudesse, pediria a dois anjos que a levassem at l.
- Oh, meu querido... - Emocionada, Tiffany beijou o rosto pai.

A marcha nupcial comeou a tocar. Trmula diante da porta da pequena igreja, Tiffany olhou para o pai. Se no estivessem de braos dados, ela tinha certeza de que no conseguiria se mover.
- Vamos entrar? - ele perguntou com carinho.
- Vamos.
Harrison Blair fez um sinal para dois rapazes que, imediatamente, abriram a porta da igreja.
De olhos fechados, tentando controlar o tremor e as batidas do corao, Tiffany deu alguns passos. Quando abriu os olhos, viu que era o alvo da ateno de todas as pessoas convidas por King.  "Mas ele me disse que tambm queria uma cerimnia  simples..."  Foi ento que Tiffany localizou uma pessoa que, at naquele momento estivera fora de sua viso, por causa de um homem que se encontrava a sua frente: Carla Stark. E a secretria,  usando um vestido inteirinho branco, estava bem prxima ao altar. Na cabea, ostentava um belo chapu com um pequeno vu que lhe encobria parte dos olhos. Demorou poucos segundos para que Tiffany percebesse que ali dentro daquele ambiente, era Carla Stark quem parecia ser a noiva. "King no poderia t-la convidado para o nosso casamento. Estou me sentindo trada. Estou..." Tiffany, porm, no teve tempo para terminar o pensamento. King j estava bem prximo a ela e, segundos mais tarde, os dois se encontravam em frente ao padre, que comeou a oficializar a cerimnia. Quando deu por si, ela dizia sim, e se tornava, perante Deus, esposa de King Marshall. 
Finda a cerimnia religiosa, King a beijou de leve nos lbios e a levou at uma mesinha ao lado do altar, onde foi feito o casamento civil. Quando tudo terminou, os noivos, de braos dados, comearam a sair da igreja.
- Feliz, sra. Marshall? - King lhe perguntou.
- Mais ou menos - ela respondeu entre os dentes.
- Pensei que esse fosse ser o dia mais feliz da sua vida.
- A, muito seguro, voc resolveu comear a me humilhar aqui mesmo, no ?
- Humilhar? - Ele deu um sorrisinho. - E quem est humilhando voc?
- No deveria ter convidado Carla Stark para o nosso casamento.
- No vejo mal nenhum em t-la convidado.
- Pois eu vejo.
A conversa tensa foi interrompida pelos convidados que chegavam para cumpriment-los.
A primeira a abraar Tiffany foi Lettie que disse, os olhos marejados:
- Estou to feliz por voc, minha querida. Finalmente conseguiu tudo o que queria da vida.
- Temi que no viesse, Lettie.
- E acha que perderia uma acontecimento to importante. Que Deus a proteja, Tiffany.
- Muito obrigada.
Lettie, muito observadora, percebeu que sua grande amiga no estava bem. Mas no disse nada e se afastou. Naquele instante, Tiffany se virou um pouco e viu Carla Stark se aproximar de King, envolver-lhe o pescoo com os dois braos e beij-lo na boca. Aquilo j era demais!
Desorientada, Tiffany recebeu um grande abrao do pai, aceitou os cumprimentos dos outros convidados e, quando achou conveniente, comeou a se encaminhar na direo da limusine.
- Tudo bem com voc? - O pai lhe perguntou.
- Acha que d para estar bem, depois da ousadia da Carla Stark, papai?
- Eu acho que...
- Vamos? - Era King quem chegava por trs e, segurando-a firme pelo brao, a encaminhou para a limusine.
Tiffany, quando percebeu, estava sentada na limusine ao lado do marido.
- Por favor - King pediu ao motorista, usando o interfone que ligava a parte traseira do carro com o da frente. - Antes de seguirmos para o aeroporto, d uma passadinha na casa do pai da minha esposa.
- Voc vai passar na casa do meu pai?
- Claro. Voc no trouxe a bagagem, trouxe?
- No.
- Eu tambm no trouxe a minha. Portanto, depois de pegar a sua bagagem precisaremos passar na minha casa tambm. 
- Daria para limpar a boca, meu, querido? - Tiffany  ironizou, depois de inspirar profundamente. - Ela est cheia de batom, e posso lhe assegurar que no  o meu.  King tirou um leno do bolso e limpou a boca, marcada  pelo batom de Carla e comentou:
-  muito difcil conter a efusividade das pessoas. 
- Sei... A efusividade das pessoas... - ela respondeu com mais ironia ainda. - Voc e aquela criatura deram um grande espetculo justamente no dia do meu casamento.
- Se est se referindo ao beijo, no pude evit-lo.
- Voc no quis evit-lo, King Marshall. E torno a repetir: vocs dois deram um grande espetculo justamente no dia do meu casamento.
- Pelo jeito, voc no est dando a menor importncia a esse casamento.
- Como pode dizer isso?
- Se estivesse levando esse casamento a srio, estaria usando um vestido de noiva e, no mnimo, teria carregado um buqu nas mos.
- No estou usando um vestido de noiva porque combinamos que teramos um casamento simples. E, quanto ao buqu, voc poderia ter me presenteado com um.
- Se tivesse me dito que estava pretendendo entrar na igreja com as mos abanando, teria lhe presenteado com um, sim, pode estar certa disso.
- No precisa mais se preocupar com esse detalhe, King Marshall. Logo poder comprar um buqu e presentear a Carla. Vai poupa-la do desgosto de no ter pego o meu.
King praguejou baixinho.
- Que maravilha, alm de tudo ainda tenho de escutar as suas mal criaes. 
- Vamos, continue,  estrague o resto do nosso dia!  
- Do que voc est se queixando? Jamais me imaginei numa situao como essa. Casamento nunca esteve nos meus planos.
- Est insinuando que eu o forcei a se casar comigo?
- No  bem isso, mas voc sabe que nunca quis me casar. Mas um simples caso entre ns dois no daria certo.
Muito triste, King encostou-se no assento do carro.
- Se voc quer saber, King, no imaginei que fosse pular de alegria no dia do nosso do casamento. Mas pensei que, pelo menos, eu seria respeitada.
- Aquele beijo no significou absolutamente nada para mim.
- Se quiser, eu finjo que acredito em voc.
-  verdade, Tiffany.
Ela pensou durante alguns segundos e disse:
- Acho que podemos reverter esta situao enganosa.
- Reverter a situao? - Ele a fitou espantado. - O que est querendo dizer com isso?
- No precisamos continuar com esta farsa. Podemos anular o nosso casamento agora.
- Anular o casamento? Ser que ouvi direito?
- Ouviu. Voc ouviu direito, sim.
- Voc enlouqueceu, garota?
- No, muito pelo contrrio, estou gozando de plena lucidez.
- Mas ns acabamos de nos casar. J pensou o que as pessoas diriam?
- Ningum precisa ficar sabendo. A, voc voa para a Jamaica e eu volto para Nova York.
- Para continuar com a sua carreira de modelo,  claro! - agora era King quem ironizava.
- Tenho de encontrar um sentido para a minha vida, e estava me saindo muito bem como modelo.
- J encontrou um sentido para a sua vida, Tiffany Blair Marshall. Agora voc  minha esposa.
- Ser que sou mesmo? Duvido!
- Ns nos unimos em matrimnio diante de Deus e dos homens. E, para mim, o casamento  algo sagrado.
- Deveria, ento, ter pensado nisso antes de beijar a Carla Stark.'
- Foi ela quem me beijou.
- Mas voc correspondeu ao beijo.
- Se fiz isso foi de maneira automtica.
- Quanto cinismo! - Ela balanou a cabea em negativa.
- Depois daquele beijo, qualquer um diria que a sua esposa  a Carla. Alm disso, ela usava uma roupa muito mais apropriada do que a minha. Com aquele vestido, era ela quem parecia ser a sua noiva. 
- Isso no  culpa minha. Por que tambm no usou um vestido como uma noiva qualquer? 
- J lhe disse: ns combinamos que o nosso casamento  seria bem simples. 
- Mas no precisava simplificar tanto, no ? Detesto estas modernidades. Onde j se viu casar com um terninho. 
- A minha roupa est muito adequada para o tipo de cerimnia que combinamos.
- Pode estar adequada para as pessoas de Nova York. Aqui no Texas, noiva se veste de noiva!
Amargurada, Tiffany no sabia o que fazer, nem o que dizer.
- Ns vamos para a Jamaica. - King parecia no estar para brincadeiras. 
- Tudo bem - ela concordou -, a gente vai para a  Jamaica. Mas existe um detalhe que quero que fique bem claro: no vou dividir a mesma cama com voc.
- O qu? - King perguntou espantadssimo.
- Voc ouviu o que eu falei: no vou dividir a mesma cama com voc.

J em Montego Bay, na Jamaica, hospedados na sute presidencial de um hotel muito famoso, Tiffany e King estavam tendo uma lua-de-mel bem incomum. Como a sute que ocupavam possua dois quartos, tudo tinha ficado mais  fcil diante da situao que viviam. Ela havia se instalado no quarto maior e ele no menor.  A primeira noite de casada, Tiffany passou numa imensa cama de casal, chorando. Pela manh, decidida a desfrutar das belezas que aquele pas possua, ela se levantou, vestiu um biquni e foi para a praia. Ao voltar, encontrou King trabalhando, sentado em frente ao pequeno computador que havia trazido.
Sem dizer nada, ela foi para o banheiro e ficou por mais de uma hora envolta pela gua tpida da banheira. Ao sair do banho, enrolou-se em uma toalha e deitou-se. Por felicidade, Tiffany dormiu a tarde inteira e, ao acordar, j anoitecia. Ela, ento, vestiu uma bermuda florida, uma camiseta branca de algodo, sandlias e, sem se preocupar com maquilagem, se dirigiu at a sala.
- Pensei que tivesse morrido - ele ironizou.
- No, estava apenas dormindo. Agora vou para o restaurante.
King digitou algumas palavras no teclado do computador e perguntou:
- Aceita companhia?
- Para qu?
- Para jantar. S comi um sanduche na hora do almoo e estou faminto.
Ela deu um profundo suspiro e disse:
- Prefiro jantar sozinha.
- Tem certeza? - King parecia chocado com a resposta dela.
- Absoluta. - Sem dizer mais nada, Tiffany deixou a sute e, quando chegou no restaurante, sentou-se a uma mesa, prxima  orquestra constituda de seis msicos que, alegres, tocavam msicas muito animadas.
Um garom se aproximou e Tiffany fez o pedido: salada verde, peixe grelhado e um drinque  base de rum.
Apesar da tristeza que sentia, aos poucos ela comeou a se animar. Os msicos eram muito bons e o ritmo das msicas jamaicanas contagiavam qualquer um.
Aps ter terminado de jantar, Tiffany se levantou e foi para a pista, se unir aos outros hspedes que danavam com muita descontrao. Mas s se deu conta de que o seu comportamento poderia estar sendo imprprio, quando um homem alto, de olhos bem negros e cabelos castanhos, a segurou pela cintura e a incentivou a acompanh-lo em alguns passos. Como uma criana que foi pega em flagrante fazendo algo errado, Tiffany lhe mostrou a aliana que usava na mo esquerda e voltou para a mesa. Cinco minutos mais tarde, aps ter pago a conta, ela deixava o restaurante.

Ao entrar na sute, Tiffany encontrou King jantando sozinho na varanda.
- O que voc ficou fazendo durante tanto tempo l no restaurante? - ele quis saber.
- Danando... O ritmo jamaicano  fantstico.
- Quer dizer que voc estava danando...
- E h algum mal nisso?
- Bem, se voc fosse solteira e no estivesse comprometida com ningum, no veria o menor problema. Mas voc  uma mulher casada.
- Ser que sou mesmo?
- . , sim.
- No  fcil de acreditar numa coisa dessa. Est sentindo a falta de Carla, King?
- No quero brigar com voc, Tiffany. E se tivesse o menor interesse em Carla Stark, eu teria me casado com ela.
- Ainda est em tempo. - Morta de cime ela no se conteve: - Quando chegarmos em Jacobsville podemos pedir o nosso divrcio.
- Por que voc no se senta e toma um drinque comigo? - Ele apontou uma garrafa de usque. 
- No, muito obrigada, no gosto de usque.
- Por que voc no ficou l no restaurante danando? - De repente, King parecia muito desconfiado.
- Simplesmente porque apareceu um homem que me segurou pela cintura e queria que eu danasse com ele.
- E voc fala isso, assim..., como se fosse a coisa mais natural do mundo? 
- No. Para mim no foi a coisa mais natural do mundo.  Tanto  verdade que logo em seguida voltei para a sute. 
- Disse a ele que voc era casada? ,
- Bem, King Marshall, eu apenas mostrei a ele a minha aliana e voltei para a minha mesa. Mas posso lhe assegurar uma coisa: eu no o beijei. E olha que ele era um homem muito bonito.
- Arrependida, sra. Marshall? 
- Olha aqui, King, no me provoque. Apesar do nosso casamento ser apenas de mentirinha, sei me comportar em qualquer tipo de situao.
- Voc age como se fosse uma mulher muito experiente, como se soubesse tudo da vida.
- No sei tudo da vida, mas me esforo para aprender o que for possvel.
- A sua vida l em Nova York deve ter sido muito movimentada.
- Ela foi movimentada o suficiente.
- O suficiente para qu?
-Para que eu me informasse, para que pudesse ver os ltimos lanamentos do cinema e inmeras peas teatrais.
- Quer dizer, ento, que a pequena Tiffany hoje  uma mulher culta.
- Infelizmente, no. Mas garanto que se tivesse continuado por l, iria aprender muita coisa nova.
King ficou em silncio e depois perguntou, fitando-a com muita ateno:
- Voc bebeu algo durante o jantar?
- Apenas um drinque  base de rum.
- Ento foi por isso que voc saiu feito uma doidivanas pela pista de dana.
- Olha aqui, King, no estou nem um pouco a fim de continuar esta conversa com voc. Mas antes de me retirar, quero lhe dizer uma coisinha: no fui, no sou e nunca serei uma doidivanas. Tenha uma boa noite de sono. - Sem mais nada dizer, Tiffany foi para o quarto e se jogou na cama.

Na manh seguinte, ao acordar, Tiffany sentia enjo e uma forte dor de cabea. Sem se mover, ficou na cama se sentindo pssima e morrendo de vergonha de pedir ajuda a King.
Algum bateu na porta.
- Entre - ela mal conseguia articular as palavras.
- Aconteceu alguma coisa? - King entrou no quarto, meio ressabiado.    - Tive a impresso que ouvi gemidos.
- Estou com dor de cabea e me sentindo enjoada.
- Foi o drinque que voc bebeu. Com certeza, para algum que no est acostumado a beber, ele era muito forte. Da prxima vez escolha algo mais fraco. Espere um pouco que eu vou pegar um comprimido para voc. Quer que eu lhe traga caf? .
- Por favor, me traga caf puro.
- Tudo bem, vou pedir ao servio de quarto que traga o caf. Quer que  eu tambm pea algo para voc comer?
- Nem me fale em comida. Ser que se esqueceu que eu lhe disse que tambm estou enjoada?
King saiu do quarto e, quando voltou, trazia um comprimido e um copo d'gua. 
- Tome o comprimido, Tiffany. Sua dor de cabea vai melhorar.
Ela tomou o comprimido e King se apressou em ir pedir que lhes trouxessem caf.
Cerca de vinte minutos depois, muito bravo com o servio do hotel que havia demorado para atend-lo, King voltou para o quarto com uma bandeja nas mos. Mas uma surpresa terrvel o esperava: estendida no cho, Tiffany respirava com muita dificuldade.  Apavorado, ele ligou para a enfermaria do hotel. Em poucos minutos o mdico entrava e, depois de examin-la, perguntou: 
- O que foi que ela comeu?
- Nesta manh, absolutamente nada. S tomou um comprimido h cerca de meia hora.
- E ela  alrgica a algum tipo de medicamento? - O mdico tirou da maleta um frasco de remdio, uma seringa  e comeou a preparar a injeo.
- Isso eu no sei. 
- O senhor  o marido dela? - O mdico comeou a ministrar-lhe a injeo. 
- Sou. Mas me diga: que injeo  essa que o senhor est dando a minha esposa?
- Todos os sintomas que ela est apresentando indicam uma reao alrgica. Inclusive esse inchao que comeou no rosto. - O mdico terminou de aplicar a injeo e, em seguida, se apressou em ligar para ao hospital pedindo que enviassem uma ambulncia.
-  grave, doutor? Ela vai morrer?
-   grave, mas ela no vai morrer. Mesmo assim quero que sua esposa fique em observao no hospital pelo menos at  tarde.

J anoitecia quando Tiffany, em companhia de  King, saiu do hospital. O mdico havia lhe proibido terminantemente que voltasse a ingerir qualquer remdio que contivesse cido acetilsaliclico, uma droga presente em vrios compridos contra dor de cabea. Se isso no fosse obedecido, estaria arriscada a perder a vida. Apesar dos cuidados mdicos, Tiffany ainda estava muito plida. O inchao do rosto, porm, j quase no se fazia notar.
King, dentro do txi que os estava levando de volta ao hotel, pensava que, apesar de conhec-la h muito anos, na  verdade sabia pouqussimo a seu respeito; e isso quase custara a vida de Tiffany. Se ela estivesse sozinha na sute,  com toda certeza o pior teria acontecido.
- Nunca perguntei se voc tinha algum tipo de alergia. - ele comentou, quando j se encontravam dentro do elevador rumo  sute.    - Sinto muito que isso tenha acontecido.
- Foi negligncia minha. 
- Negligncia? - O elevador parou e os dois saram.
- Por que est me dizendo isso?
- No tomo nada que contenha cido acetilsaliclico desde que tenho treze anos.
King abriu a porta da sute e os dois entraram.
- No deveria ter aceito o comprido que eu lhe dei.
- A minha dor de cabea era tanta que nem me lembrei da minha alergia. - Ela sentou-se no sof da sala. - De hoje em diante no ponho mais remdio na boca.
- Tambm voc no precisa chegar a este extremo.  s trazer sempre junto a voc remdios que possa tomar. - Ele sorriu. - Voc est com fome? No comeu nada o dia inteiro.
- Estou com um pouco, sim.
- Ento podemos pedir que nos tragam algo para comer. Voc quer o qu? Uma sopa?
- No, prefiro urna salada e um copo de leite.
- Tudo bem. VOU pedir que tragam a salada e o copo de leite.
- Voc no vai comer nada? 
- Vou pedir que me tragam um fil grelhado e batatas fritas. - King pegou o telefone e falou com o servio de quarto. Alm da comida, pediu que lhe trouxesse tambm uma cerveja. 
- No sabia que gostava de cerveja.
- A gente se conhece pouco, Tiffany.
-  verdade - ela concordou e recostou-se no sof.
- Est sentindo alguma coisa?
- No, apenas um imenso cansao.
- No  para menos. O estresse que passou hoje no foi brincadeira.
- Acho que no vou conseguir comer absolutamente nada.
- Voc tem de pelo menos tentar, Tiffany. No d para ficar assim, sem se alimentar. E no est precisando perder peso. - King sentou-se ao lado dela. - E por falar nisso, achei que voltou de Nova York bem mais magra.
-  verdade... - Tiffany deu um longo suspiro. - Nos meses que passei por l, quase no tinha apetite. E como na profisso que estava exercendo a gente no  incentivada a comer...
- Mas de agora em diante voc vai cuidar direitinho da alimentao e recuperar o peso que perdeu.
- Para lhe dizer a verdade, no estou preocupada com o meu peso - Tiffany comentou e, em seguida, ficou em silncio.
King, ali ao lado dela, no sabia o que fazer nem o que dizer. Tiffany estava profundamente deprimida. 
- Voc quer voltar para casa? - ela perguntou.
- No, ainda no. Existem coisas fantsticas para a gente ver por aqui. A no ser que voc queira voltar.
- Para lhe dizer a verdade, no estou sentindo a menor vontade de conhecer nada. Prefiro voltar para casa assim que for possvel.
- Tem certeza?
- Absoluta. J no estava gostando muito de ficar aqui e depois do que me aconteceu hoje...
- Bem - ele hesitava. -, vamos fazer o seguinte: hoje a gente tenta descansar e amanh cedo vou marcar as nossas passagens de volta. Tudo bem?
- Est tudo bem, sim.
- Voc me parece muito desanimada. Onde est aquela menina cheia de energia que eu conheci?
- Tambm no sei. Ela deve ter ficado no passado.
- No, ela est bem a, dentro de voc. Por favor, deixe-a sair de novo para a vida.
- Para qu, King? Estou aprendendo que a vida no  um grande sonho mas, sim, uma dura e cruel realidade.
- Voc  muito jovem ainda para falar com tanto amargor.
- Acha mesmo? - Ela deu um sorriso triste. - Talvez voc tenha razo. Mas acontece que eu perdi as iluses.
Ao ouvir aquilo, King sentiu-se culpado. Ser que fora ele quem fizera com que Tiffany se sentisse to amargurada?
- Voc ficou muito preocupada com o que lhe aconteceu hoje, no ?
- Fiquei. Fiquei, sim. E estou vendo a alergia que tive como uma espcie de aviso.
- Aviso? - Ele a fitou curioso.
- : aviso. Preciso comear dar mais valor  vida, a mim mesma. A vida, King,  uma ddiva de Deus e s quando quase a perdemos  que vemos o quanto ns no a valorizamos. Se voc no estivesse comigo aqui na sute, agora eu estaria morta. E essa verdade  algo muito difcil de encarar. Alguma vez voc j encarou a morte de frente?
- Uma vez s. O avio que estava viajando teve problemas com as duas turbinas. Naquele dia eu tive certeza de que iria morrer:
- E o que voc sentiu?
- Uma tristeza muito grande.
- Tristeza? - ela o fitou curiosa.
- ... acho que foi tristeza. Na verdade acho que foi um misto de tristeza e desesperana, uma sensao de que no tinha feito nada de til durante toda a minha existncia.
- E faz tempo que isso aconteceu?
- Dois meses.
- Ento esse episdio  recente. Pensei que fizesse mais tempo.
- No, foi na ltima viagem que fiz para o Canad.
- E medo? Voc no sentiu medo?
- Claro que senti. No  nada fcil se ver trancado dentro de um avio sem poder fazer nada, sem poder evitar que o pior acontea. 
- Mas afinal o que aconteceu? Conseguiram aterrizar  sem nenhum problema?
- Graas a Deus! - ele exclamou. - Tiffany, gostaria de lhe pedir uma coisa.
- E o que ?
- Posso dormir na sua cama esta noite?
Ela se assustou com aquele pedido e respondeu de chofre:
- No, no pode.
- Calma, no precisa reagir desta maneira.
- E de que maneira queria que eu reagisse?
- No estou pensando em fazer amor com voc. Pelo menos no agora. S quero dormir ao seu lado. Tenho medo de que precise de algo. E a sua cama  bem grande, no vou atrapalh-la.
- No.  melhor eu dormir sozinha.
- Tiffany, prometo que no vou toc-la. Se tiver que ficar no meu quarto, vou passar a madrugada inteirinha acordado.
- Pode ficar tranqilo, no vou precisar de nada.
- Olha, se no quer que eu durma ao seu lado, vou colocar um colcho no corredor e dormir no cho. No vou correr nenhum risco desnecessrio.
- O mdico disse que eu estou bem.
- Mas eu no estou bem. Tenho medo de que algo lhe acontea. E, queira ou no, sou responsvel por voc.
Tiffany pensou um pouco naquele pedido e acabou cedendo:
- Tudo bem, pode dormir na minha cama. - Ela se levantou.
- Aonde voc vai? - Tomar um banho.

Ao entrar na sala, depois do banho, Tiffany ouviu King dizendo ao telefone:
- Certo. Amanh. Quero tudo pronto para quando eu chegar no escritrio. E nem pense em fazer algo errado. Voc tem de seguir  risca as minhas instrues. Caso contrrio, no vai trabalhar mais para mim. - Em seguida, ele desligou o telefone com muita raiva.
Ao ver Tiffany entrando na sala, King apontou a mesa que estava posta:
- Nossa comida acabou de chegar. Vamos jantar?
- Vamos, sim.
Os dois sentaram-se  mesa e Tiffany se perguntava se era com Carla Stark que ele estivera falando h pouco ao telefone.
- Quer que eu lhe sirva a salada? - ele ofereceu.
- No, muito obrigada. Pode deixar que eu me sirvo.
- Eu fao questo de servi-la. - King pegou um prato e serviu-lhe a salada. - Quer um pedao do meu fil?
- Prefiro s comer a salada.
- Se  assim... - Ele serviu-se da carne e das batatas fritas. Depois, quando j estavam no final do jantar, abriu a latinha de cerveja e comentou: - Voc  uma excelente companhia Tiffany.
- Acho que houve uma poca que era uma companhia bem melhor do que sou hoje.
- No, acho que est equivocada. Hoje voc est mais tranqila, mais madura e parece saber exatamente o que quer.
- Engano seu, King. Se quer mesmo saber, morro de saudades da Tiffany de alguns meses atrs. - Ela se levantou. - Bem, vou me deitar.
- No quer ficar aqui conversando um pouco mais?
- Estou muito cansada.
- Quando eu terminar a cerveja, vou para o quarto.
- Tudo bem. Mas no se esquea que prometeu que no iria me tocar.
- Se eu me lembro, eu lhe prometi que no faria amor com voc. - Ele sorriu. 
- Olha King, no estou para brincadeiras. Voc prometeu, sim, que no tocaria em mim. Boa noite.
- Boa noite, Tiffany.

Na cama, Tiffany sentia o corao disparado dentro do peito. No deveria ter concordado com aquela loucura. Era arriscado demais dormir ao lado de King. Apreensiva, ela se levantou, colocou o robe que fazia conjunto com a camisola de cetim branco e foi para o banheiro. Ao voltar para o quarto, encontrou King deitado na cama.          - Voc est linda, princesa.
- Por favor, vire-se.
- Por qu? - Ele riu.
- Vou tirar o robe e a minha camisola  muito decotada.
- Pode ter certeza de que vou adorar v-la dentro de uma camisola decotada.
- King, voc me prometeu que...
- Por favor, princesa, tire o robe. .
Confusa, sentindo dentro de si um desejo avassalador, Tiffany tirou o robe e se apressou em se enfiar sob os lenis. 
- Isso foi covardia de sua parte. Mas, pelo pouco que pude ver, sua camisola  linda.
- Apague a luz do abajur. Eu quero dormir. 
- Tem certeza de que quer mesmo dormir, Tiffany? 
- Por favor, King, pare com isso. 
Os dois ficaram em silncio. E foi King a quebr-lo: 
- Venha. Aconchegue-se nos meus braos, quero fazer voc dormir.        -No.
- No seja criana, Tiffany, deite-se aqui nos meus braos.
- Ele a segurou com delicadeza pelos braos e a puxou para junto de si. - Apie a cabea no meu peito. Logo estar dormindo.
Para evitar qualquer tipo de discusso e aborrecimento, Tiffany atendeu-lhe o pedido. Mas no foi nada fcil conciliar o sono tendo contra si o corpo do homem amado. Porm, para total espanto dela, alguns minutos mais tarde, King dormiu.  Tiffany, ento, fez de tudo para relaxar e tambm acabou  dormindo. 

Agitada, tremendo muito, sem ter a menor noo de onde se encontrava, Tiffany s acordou uma hora mais tarde.
- O que foi? - ele lhe perguntou baixinho.
- Tive um pesadelo. Sonhei que estava me afogando e...
- Calma - ele comeou a acariciar-lhe o rosto -, muita calma. Foi s um pesadelo, mas j acabou.
Devagar, Tiffany foi conseguindo esquecer as imagens que a haviam apavorado no sonho. Porm, o tremor que anteriormente era de puro desespero no desapareceu. Mas Tiffany agora tremia de medo e de expectativa pelo que poderia acontecer ali naquela cama. As carcias de King eram suaves, mas todo o seu ser ansiava por mais. Queria que aquela mo forte deixasse de tocar-lhe apenas o rosto e se aventurasse com delicadeza pelo seu corpo e lhe desse muito prazer.
King, como que sentindo o que estava acontecendo com Tiffany, a puxou mais para junto de si e a beijou. Um beijo longo, suave, leve, cheio de promessas. Inconscientemente, Tiffany comeou a resvalar os quadris contra a coxa musculosa. Tal atitude foi suficiente para que King transformasse o beijo clido em um beijo cheio de desejo e comeasse a acarici-la por inteiro. No satisfeito, ele a livrou da camisola e, em seguida, das prprias roupas. Assustada, Tiffany fechou os olhos. Mas no podia pedir para que ele parasse, no podia pedir para que King sasse de sua cama. No era isso o que queria.
King voltou a beij-la e tirou-lhe a calcinha, a ltima pea que recobria-lhe o corpo. E quando a tocou mais intimamente, percebeu o quanto Tiffany o desejava.
- Abra o olhos, princesa. Abra o olhos e desfrute verdadeiramente o que est acontecendo conosco.
Tiffany, apesar de querer atender-lhe o pedido, estava sentindo muito vergonha.
- Abra os olhos e fale comigo.
- Falar? - Ela fechou os olhos com mais fora. - Por que eu preciso falar?
- Porque o que est acontecendo conosco no  um ritual do silncio. A gente pode falar, rir... Estamos aprendendo a nos conhecer, princesa, e isso no deve ser um sacrifcio,  mas uma grande alegria.
- No consigo... falar.
- Por qu? - King parou de toc-la e aguardou que ela abrisse os olhos e que dissesse algo. Como Tiffany permanecia imvel, ele continuou: - Olha, o que est acontecendo conosco no  pecado, no  assustador, no  srdido, nem feio. Ns vamos nos tomar amantes e isso  a coisa mais linda que pode acontecer entre um homem e uma mulher que se querem bem. Por favor, princesa, abra os olhos. No vou conseguir fazer amor se voc continuar assim sem participar.
- Eu no consigo abrir os olhos, King.
- Por qu?
- Estou sentindo vergonha.
- No tem nada do que sentir vergonha - ele beijou-lhe os lbios de leve -, nada. E voc  minha esposa, Tiffany. Abra os olhos e assuma o seu desejo por mim, por favor. 
Com muita dificuldade, Tiffany abriu os olhos e deu de  cara com o rosto de King que, naquele momento, estava suave, descontrado, pleno de ternura. 
- Viu s? No foi to difcil assim - ele brincou. - E alm, do mais, princesa, ns j tivemos momentos de intimidade antes.
- Mas agora  diferente.
- Porque ns estamos nus? No, no se envergonhe da nossa nudez. E pode ficar tranqila, no vou machuc-la.
Com muita pacincia, King continuou conversando com ela e, aos poucos Tiffany foi se descontraindo, todos os seus pudores foram desaparecendo e seu desejo aumentando muito.
As carcias se reiniciaram e Tiffany, agora, sentia-se  vontade em tocar aquele corpo msculo que a desejava com furor.
Depois de muitos toques, muitas carcias ousadas, King percebeu que ela estava pronta e, com muito cuidado, iniciou a penetrao. A v-la se contrair, ele perguntou:
- Est doendo?
- Um pouquinho.
- Ento relaxe, relaxe, minha princesa.
E Tiffany relaxou. Logo depois, ao senti-lo inteiro dentro de si, ela o abraou quase em adorao.
King, com movimentos lentos de quadris a levava para  lugares nunca sonhados antes. Tiffany gemia baixinho, um gemido de puro prazer que foi aumentando  medida que ele acelerava os movimentos. King, atento e tambm muito excitado, a incentivava e dizia-lhe palavras desconexas bem juntos aos ouvidos.
E o orgasmo chegou para os dois. Naquele instante, pelo quarto, s se ouvia os sussurros de dois seres que se entregavam ao prazer, a sinfonia dos amantes.

Ao acordar, Tifanny estendeu o brao. Queria tocar o homem que a fizera conhecer um mundo de delcias, abra-lo e sentir-se viva de novo. Mas uma surpresa a aguardava. O local onde King havia dormido se encontrava vazio. Sonolenta, olhou  para o relgio de cabeceira. Uma hora da tarde!
Inconformada por ter dormido tanto tempo, Tiffany sentou-se na cama e tentou escutar algum rudo. Nada. Talvez King tivesse se levantado e resolvido dar um volta pela praia. Claro, com certeza era exatamente isso o que tinha acontecido.
Nua e sentindo-se muito bem com o prprio corpo, Tifanny levantou-se e foi para o chuveiro. Aps um banho bastante demorado e relaxante, voltou para o quarto, vestiu uma bermuda e uma camiseta regata, penteou os cabelos e se dirigiu  sala. Tranqila, revigorada e apaziguada pelos benefcios fsicos que s uma noite de amor era capaz de proporcionar, pegou uma revista e recostou-se no sof.  Esperaria King chegar para descer at ao restaurante. Meia hora s passou e nada de ele aparecer. J meio impaciente, ela deixou do sof e s ento reparou num envelope sobre a mesa. Intuindo que algo deveria ter acontecido, retirou uma folha de dentro do envelope e leu:
Tiffany,
Dentro de sua frasqueira deixei dinheiro para que comprasse a passagem de volta. A conta do hotel j est paga.
Uma emergncia me fez voltar para casa antes do que eu esperava. Apesar de estar sabendo desde ontem que deveria partir de qualquer jeito para o Texas hoje, acabei por me esquecer de lhe dizer. E, infelizmente, s encontrei um lugar no primeiro vo para San Antonio. Quando voc voltar, a gente conversa.
King

Incrdula, Tiffany leu e releu o bilhete por inmeras vezes. Que tipo de emergncia poderia estar acontecendo para fazer com que ele abandonasse a lua-de-mel?
Sem saber o que fazer, ela recolocou o papel dentro do envelope e voltou a se sentar no sof. Nada, nada do que estivesse acontecendo poderia justificar aquele abandono. De repente, Tiffany lembrou-se de t-lo visto ao telefone antes do jantar. No demorou muito para que ela conclusse o que na noite anterior fora apenas uma leve desconfiana: King mantivera contato com Carla Stark. Carla! Sempre ela! Carla, a mulher que entendia de tudo, a mulher que com toda certeza sabia como satisfazer de verdade a um homem. 
- Eu, perto dela no passo de uma aprendiz... - ela sussurrou e comeou a chorar. - Nossos momentos de amor no tiveram o menor significado para King. Se tivesse tido, com toda a certeza ele estaria aqui comigo agora.
Sem saber que atitude tomar, Tiffany ficou ali sentada no sof por longos momentos. Quando se acalmou, tomou um copo d' gua e ligou para o escritrio do pai.
Harrison Blair, ao ouvir a voz da filha, ficou muito emocionado.
- Como est a sua vida de casada, querida?
- Tudo bem - ela tentou se mostrar descontrada. Mas o King precisou voltar.
- Voltar para c?
- . Apareceu algo urgente para ele resolver.
- E por que voc no voltou com ele?
- Bem, s tinha um lugar no vo e, alm disso, ontem  eu no passei muito bem. :
- No? - Harrison Blair ficou assustado. - O que foi que aconteceu? 
- Estava com dor de cabea e o King me deu um comprimido que continha cido acetilsaliclico...
- Meu Deus, que perigo! Voc no pode tomar nada que contenha essa droga, filha.
- O King no sabia.
- Pelo jeito ele no sabe nada sobre voc!
- Papai, nunca vi voc to nervoso.
- E como queria que eu ficasse? Feliz? Sei exatamente o que aconteceu: voc quase morreu! A, o seu marido a deixa sozinha e...
- Papai, por favor se acalme. Est tudo bem. Vou ligar para o aeroporto e pegar o primeiro vo.
- Voc ainda no fez isso?
- No.
- E quando foi que o King saiu da?
- No fao a menor idia.
- Como assim, filha?
- Dormi at a uma hora da tarde.
- Voc dormiu at a uma hora da tarde? No  possvel!
Sem graa, como uma criana pega em flagrante, Tiffany no sabia o que dizer. Mas Harrison Blair cuidou disso por ela:
- Na certa foram os remdios que deve ter tomado para a alergia.
- E... deve ter sido isso...
- Bem, filha, assim que souber a hora que estar chegando no aeroporto, me avise. Mandarei um carro ir busc-la.
- Obrigada, papai.
Ao desligar o telefone, Harrison Blair mal podia conter a indignao. Sem pensar duas vezes, levantou-se e logo depois se encontrava no escritrio de King, em frente  Carla Stark.
- Posso ajud-lo em algo, senhor?
- Claro, mas  claro que pode: pare de interferir no casamento da minha filha. J suportei demais a sua inconseqncia moa. Mas agora chega!
- No sei sobre o qu o senhor est falando.
- Sabe. Sabe, sim, senhora. No lhe bastou assistir ao casamento com uma roupa que fazia com que a confundissem com a noiva, no lhe bastou beijar o meu genro daquela maneira ousada? No, pelo jeito no bastou! Agora voc liga para ele e tem a coragem de tir-lo da lua-de-mel, alegando algo urgente para resolver. Que eu saiba, mocinha, no existe absolutamente nada urgente para ser resolvido aqui neste escritrio!
- Eu...
- Ainda no acabei de falar! Me oua! Se fizer qualquer coisa, o mnimo que seja para prejudicar a minha filha, a senhora estar no olho da rua!
- E quem disse que o senhor pode me despedir? - Carla o desafiou. - Sou secretria do King.
- Certo. Voc  secretria do King, numa firma onde possuo cinqenta e um por cento das aes. Portanto, sou scio majoritrio e a coloco na rua na hora que bem entender! Deixe o casamento da minha filha em paz. Esse  o primeiro e o ltimo aviso que eu lhe dou! - Harrison Blair virou-se e quando tinha acabado de sair do escritrio, deu de cara com King. - Quase despedi a sua secretria. E avisei a ela que se no entrar na linha, vai cair fora daqui logo, logo. E se voc estiver pensando em se divorciar da minha filha, ficarei muito contente em pagar a conta! Voc e a sua secretria se merecem! .
Pisando forte, Harrison Blair se afastou. Ao entrar no escritrio King recebeu um amplo sorriso de Carla.
- Voc no vai deix-lo me despedir, vai? Afinal, sou uma pessoa bastante especial para voc, no apenas uma secretria.
- Olha aqui, Carla. Ns dois tivemos um caso. Acontece que este caso acabou. Agora sou um homem casado.
- E foi exatamente ao se casar que cometeu o maior erro de sua vida. Eu sou a mulher certa para voc.
- O nosso caso acabou, est entendendo? Acabou! - Ele passou as mos pelos cabelos. - Voc ligou para o hotel dizendo que hoje iria estourar uma greve.
- Bem, pelo menos foi esse o boato que eu ouvi. 
- E voc me tira da minha lua-de-mel por causa de boatos? 
- Vai deixar que Harrison Blair me despea? - Carla colocou no rosto uma expresso dengosa. 
- No, eu mesmo vou fazer isso. Conversei com os advogados do escritrio e eles me disseram que os funcionrios nunca estiveram to tranqilos. Portanto, s posso concluir que voc, de maneira fria e calculista, resolveu acabar com a minha lua-de-mel.
- Voc no pode me despedir, depois de tudo o que aconteceu conosco.
- No s posso, como vou. Voc s trabalha aqui por mais duas semanas!
- Por que resolveu se casar com a Tiffany? S para herdar tudo quando Harrison Blair morrer?
- No julgue os outros por voc, Carla.
- Pelo que ouvi o chefo dizer ainda h pouco, voc e a Tiffany vo se divorciar.
S ento King lembrou-se do que o sogro havia lhe dito e sentiu um aperto no corao.
- Preciso falar com o Harrison - ele disse entre os dentes. - E volto a repetir: voc, Carla Stark, s trabalha comigo por mais duas semanas. 

Quando King entrou no. escritrio de Harrison Blair, este apenas lhe lanou um olhar duro e penetrante.
- Preciso falar com voc - King disse e fechou a porta.
- No quero que aquela mulher continue interferindo na vida da minha filha! - Harrison Blair estava possesso. 
- Calma, Harrison, muito calma. Ela no vai mais continuar interferindo. Carla trabalha comigo por apenas mais quinze dias. De hoje em diante s est cumprindo o aviso prvio. 
- Acho isso muito bom. Quem ela est pensado que ? Exijo que os funcionrios daqui sejam respeitosos e conscientes. No d mais para suportar uma mulher que, com toda certeza, tem problemas de personalidade e carter. Onde j  se viu? Essa Carla Stark est pensando o qu? Que pode fazer o que bem entende, na hora que quer? Essa moa  to abusada que resolveu colocar aquele vestido no casamento e depois no teve o menor pudor de beij-lo como se voc lhe pertencesse. 
- Isso jamais acontecer de novo. .
- Acho muito bom. E gostaria de dizer... - Harrison Blair interrompeu a frase e levou a mo ao peito. - Estranho... eu acho que... estou tendo um infarto.
Ao ver que o sogro estava passando mal, King correu para socorr-lo e, sem pensar duas vezes, ergueu-o nos braos e o colocou sobre o sof. Em seguida, pegou o telefone e ligou para o hospital.
Cinco minutos depois da chamada, um mdico entrava no escritrio e prestava-lhe os primeiros socorros. Logo depois, chegou uma maca e Harrison Blair foi levado para a ambulncia que aguardava do lado de fora do prdio.
Na ambulncia, ao lado do sogro inconsciente, King tambm seguiu para o hospital. L chegando, Harrison foi imediatamente examinado por um especialista.
- Poderia me dizer se existem outros episdios desse tipo na famlia do paciente? - o mdico perguntou.
- No sei. - King sentiu-se muito mal. Pela segunda vez, num espao curto de tempo, viu que sempre havia negligenciado a famlia Blair. Amigos h tanto tempo, nunca soubera que Tiffany era alrgica a cido acetilsaliclico e nem sabia dizer se outros membros da famlia j tinham tido problemas cardacos. - Como ele est?
O mdico, que naquele momento auscultava o corao do paciente, respondeu:
- O corao parece que se estabilizou. Sabe se ele consulta algum mdico regularmente?
King respirou aliviado. Pelo menos para esta pergunta ele tinha uma resposta:
- Ele periodicamente se consulta com o dr. Joe Brawn.
- Certo. Vou entrar em contato com ele. O senhor  da famlia?
- Sou genro dele. Minha esposa est na Jamaica.
- O paciente ser levado agora para a UTI.
- Mas o estado dele  to grave assim?
- . O estado dele  muito grave.

J fazia duas horas que King se encontrava na sala de espera do hospital, aguardando os acontecimentos. De repente, ele resolveu ligar para o hotel em Montego Bay, mas Tiffany j no se encontrava mais l.
King voltou para a sala de espera com muita esperana que o estado de sade do sogro melhorasse.
Por volta das oito da noite, exausto e muito preocupado com Tiffany, King resolveu ligar para a casa da fazenda.
Quem atendeu foi a governanta.
- Cass, quem est falando  King Marshall. Minha esposa, por um acaso est a?
- Est, sim, senhor. Ela teve um problema no vo que a trouxe de volta, mas chegou faz meia hora. Quer que eu v cham-la? .
King hesitou um pouco e respondeu:
- No, no precisa.
Aps ter desligado o telefone, King conversou com o mdico que cuidava do sogro. O estado de sade de Harrison Blair ainda era muito delicado.

No seu quarto de solteira, Tiffany desfazia as malas. Ao chegar no aeroporto, depois de uma viagem pssima, tentara falar com o pai, mas todos j haviam sado do escritrio. Ela, ento, havia pegado um txi e rumado para a fazenda. Tiffany estava fazendo questo de manter o crebro livre de qualquer pensamento. No queria pensar em King, no queria pensar em Carla Stark, no queria pensar absolutamente mais em nada. No dia seguinte entraria com o pedido de divrcio e, se tudo desse certo, logo estaria pegando um avio rumo a Nova York, onde reiniciaria a carreira de modelo.
Absorta, ela continuava desfazendo as malas. E quando viu King parado junto  porta levou um grande susto.
- O que voc est fazendo aqui? - ela perguntou com muita raiva.
- Eu  que gostaria de saber o que voc est fazendo aqui. Ficamos de morar l na minha fazenda.
- Esta  minha casa, King Marshall, a casa de onde eu nunca deveria ter sado. E  aqui que eu vou ficar at dar entrada no pedido de divrcio.
- Por favor, no seja precipitada.
- Eu? Precipitada? Vocs homens so muito engraados. Quem foi que me deixou na cama do hotel, em plena lua de - mel, para correr...      - No foi isso que eu fiz - ele a interrompeu. 
- Foi exatamente isso que voc fez, King Marshall. Est pensando que eu sou o qu? Alguma idiota? !
- Eu lhe deixei um bilhete. !
- Grande consolo! Nunca fui to desrespeitada em toda a minha vida. Mas acabou, King Marshall, de agora em diante as coisas entre ns dois sero bem diferentes. E, para comear, saia do meu quarto! - ela gritou.
- No sem antes...
- Saia do meu quarto! - Tiffany no deixou que ele terminasse a frase.
- Eu saio, mas antes preciso ter uma conversa sria com voc.
- Uma conversa sria comigo... - Ela deu uma gargalhada. - Era s essa que me faltava agora. Saia j daqui!
- Tiffany, por favor me escute, o caso  grave.
- Mas  claro que  grave. Voc me deixou na cama para voar para os braos de sua amante.
- O seu pai est hospitalizado.
- O meu pai... o qu? - Ela perguntou apavorada e, para no cair, sentou-se na cama.
- Ele sofreu um infarto.
- Meu pai sofreu um infarto? No  possvel. Quando conversei hoje com ele, meu pai estava timo.
- Pois acredite, ele sofreu um infarto.
- Ele... ele est morto?
- No, felizmente, no. Mas o estado dele continuava gravssimo quando deixei o hospital.
- Por que no me disse logo o que estava acontecendo?
- Eu tentei, mas voc no deixou.
- E quem est com o meu pai no hospital?
- Agora ele est sozinho. Eu estava l com ele at h pouco. A, liguei para c e soube que tinha chegado. Bem, ento, resolvi vir dar-lhe a notcia pessoalmente.
- Vamos embora! - Ela pegou a bolsa. - Quero ver o meu pai.
Tiffany entrou correndo no hospital e foi conversar com a moa que se encontrava na recepo.
- Quero ver meu pai!
- E qual  o nome do seu pai?
- Harrison Blair. Ele sofreu um infarto.
A recepcionista digitou alguns comandos no computador e, depois de ler o que apareceu na tela disse, meio reticente:
- Bem, seu pai se encontra na UTI. Vou chamar o mdico que est cuidando dele. Por favor, aguarde na sala de espera que fica  direita, no corredor.
Apesar de achar o jeito da recepcionista bastante esquivo, King no disse nada e acompanhou Tiffany at  sala de espera. Logo depois entrava o mdico que foi logo dizendo:
- Sinto muito...
- O qu? - Tiffany se levantou e segurou o mdico pelo brao? - O que  que o senhor sente muito? O que foi que aconteceu com o meu pai?
- Fizemos de tudo mas, infelizmente, ele no resistiu. O infarto atingiu uma grande rea do corao.
- Est querendo dizer que o meu pai... - Tiffany no teve coragem de completar a frase.
- Ele faleceu h dez minutos.
Desesperada, Tiffany sentou-se na poltrona que estivera at h pouco e comeou a soluar.
- Como? Como isso foi acontecer? Ainda hoje eu falei com ele!
- Sua esposa precisa se acalmar. Vou lhe prescrever um calmante. Ela  alrgica a algum medicamento?
- , sim. Minha esposa no pode ingerir nada que contenha cido acetilsaliclico.
- Certo.
- Voc tem mais algum tipo de alergia, querida?
- Tenho. Tenho, sim, King Marshall: a voc! E no vou tomar remdio, no quero tomar calmante! Quero o meu pai de volta.
O mdico fez um sinal para King, que o seguiu at a porta.
- Tente acalm-la,  sr. Marshall. Depois eu volto para prescrever-lhe um calmante.
Assim que o mdico saiu, o desespero de Tiffany aumentou. 
- Calma, minha querida, muita calma.
- E voc ainda tem coragem de me pedir calma? Meu pai est morto e nada do que diga vai traz-lo de volta.
- Tiffany, foi o destino.
- Destino?  fcil falar em destino numa hora dessas, no ? Mas eu sei o que matou o meu pai: desgosto. Meu pai morreu de desgosto. E voc e a sua linda Carla Stark, so os culpados pela morte dele!

Para Tiffany, os dias que antecederam o funeral do pai foram como uma noite muito escura, uma noite que parecia nunca mais ter fim. Desconsolada, ela se trancava no quarto por horas a fio e no queria falar com ningum. Foi King quem cuidou de tudo para que o sepultamento se realizasse, e naquela mesma noite em que Harrison Blair havia falecido, ele tinha pego o telefone e ligado para a casa de Carla, proibindo-a de pr de novo os ps no escritrio.
Cinco dias depois do falecimento de Harrison Blair, o sepultamento foi realizado. Vestida de negro e apoiada por Lettie, Tiffany viu o pai receber a ltimas homenagens do povo de Jacobsville.  J em casa, depois do funeral, Tiffany se negou a jantar e voltou a se trancar no quarto.
- Preciso conversar com voc, vamos at  sala - Lettie disse a King.
Instantes mais tarde, os dois se encontravam sentados lado a lado no sof.
- O que voc resolveu sobre a casa?
- Eu? - King a fitou espantado. - Nada. Esta casa pertence  Tiffany.
- No. Infelizmente, isso no  verdade. - Lettie balanou a cabea em negativa.
- Voc deve estar enganada. Tiffany  a nica herdeira do Harrison. .
- Bem, infelizmente terei de lhe dar uma triste notcia. Acontece que Harrison, depois de ver a atitude de Carla durante o casamento, mais do que nunca teve certeza de que a relao entre voc e a Tiffany estava fadada a no dar certo. Muito triste, naquele dia mesmo, Harrison procurou o velho advogado dele para que passasse toda a fortuna que tinha para o nome da filha. S que Harrison no encontrou o advogado e, no dia seguinte, ficou sabendo que h trs anos vinha sendo roubado por ele. Todo o dinheiro que Harrison possua foi transferido para um paraso fiscal.
- Como foi que isso aconteceu?
- Me parece que h muito tempo o Harrison passou uma procurao para esse advogado e depois se esqueceu de invalid-la.
- Que coisa mais absurda! Harrison sempre foi to cauteloso...
- Eu jamais consegui confiar nesse tal de Charles Smith. Algo me dizia que ele no era um homem de confiana. At esta fazenda, com a casa e tudo, o desavergonhado transferiu para o nome dele. E acho que voc deve fazer alguma coisa para ajudar a Tiffany. O Harrison estava contratando um detetive particular para ver se descobria onde esse canalha se escondeu.
- Mas o Harrison sempre foi to cuidadoso. Eu, por exemplo, nunca fiquei sabendo qual  o segredo do cofre dele l no escritrio.
- Para voc ver como so as coisas. Ele tinha de ter revogado a tal procurao h muito tempo.
- Agora d para entender o infarto que ele teve. Mas por que no me contou tudo isso antes?
- Estava com medo, ainda mais sabendo que a Tiffany no quer continuar com o casamento... Mas sei que voc  a nica pessoa que pode fazer alguma coisa, a nica pessoa que talvez reverta essa situao. - Lettie deu um profundo suspiro. - Eu no saberia nem por onde comear. Alm disso, no tenho dinheiro, King. E, para enfrentar um homem como esse ladro descarado,  preciso de muito dinheiro.  King ficou em silncio.
- Quer uma xcara de caf, King? 
- Quero, sim. 
- Certo. - Lettie se levantou e foi para a cozinha. Quando voltou, entregou a xcara de caf a King e pediu: - Por favor, ajude a Tiffany. A perda do Harrison foi um golpe muito duro para ela. Afinal, foi ele quem a criou. 
- Tiffany est sofrendo muito com a perda do pai. 
- King, me desculpe, mas tenho de lhe dizer uma coisa. 
- Sinta-se  vontade, Lettie. Por favor, diga o que quiser.
- A Tiffany precisa muito de voc.
Em silncio, King tomou um gole de caf, enquanto Lettie o deixava novamente sozinho.  Lettie voltou para a cozinha para tambm tomar um pouco de caf. Foi a que viu Tiffany sentada na soleira da porta, olhando para o infinito.
- Querida, posso ajud-la em alguma coisa?
- No, voc no pode me ajudar em nada.
- Que tal voc comer alguma coisa?
- Estou sem fome, Lettie, muito obrigada. - Tiffany abaixou o tom e voz e perguntou: - Ele est aqui?
- Est l na sala.
- Fazendo o qu?
- Lendo - a amiga se viu obrigada a mentir.
- Eu no me conformo com a morte do meu pai. - Tiffany se levantou e foi sentar-se  mesa. - Mas eu tenho de descobrir o real motivo que acabou desencadeando o infarto.
- No se preocupe com isso agora, querida.
- Mas eu tenho de me preocupar. Parece que no dia em que papai teve o infarto, ele brigou com a Carla e chegou at a falar em demisso. Deve ter sido depois do telefonema que fiz para ele l da Jamaica.
- Pode ser... Mas como voc ficou sabendo que seu pai e a Carla brigaram?
- Durante o enterro, ouvi duas pessoas comentando o fato. Papai tambm deve ter brigado com o King quando mais tarde o encontrou.
- Se os dois brigaram, na certa no foi nada srio. Eles eram amigos h muito tempo.
- Meu pai no estava muito satisfeito com o casamento, Lettie. Antes de sairmos para a igreja, ele at chegou a me dizer que eu poderia desistir.
- Desistir do casamento?
- Exatamente.
- Seu pai a adorava, querida.
- Preciso saber o que aconteceu naquele dia que liguei para ele l da Jamaica.
- Por que voc no pergunta ao King? V at  sala e converse com ele.
-  isso mesmo que eu vou fazer. - Tiffany se levantou e, decidida, foi para a sala onde encontrou King recostado no sof, com os olhos fechados.
- Preciso falar com voc.
- Claro, estou as suas ordens, princesa.
Tiffany sentou-se em uma poltrona em frente ao sof.
- Pode falar - ele a incentivou.
- Quero que me conte exatamente o que aconteceu antes que me pai tivesse o infarto.
- O que foi? Ser que andou ouvindo fofocas?
- Isso no interessa agora. S quero que me conte o que aconteceu antes do meu pai enfartar. 
- Bem - King deu um profundo suspiro -, quando cheguei da Jamaica, encontrei o seu pai deixando o meu escritrio, e ele tinha tido um briga feia com a Carla. Seu pai chegou a falar em despedi-la. Bem, para resumir a histria, conversei com a Carla, que havia mentido no telefonema que fez para mim e lhe disse que s trabalharia comigo por mais quinze dias. Em seguida, fui conversar com o seu pai e ele estava muito bravo com a Carla. Pouco tempo depois de eu lhe contar que j tinha despedido a Carla, ele levou a mo ao peito e disse que estava tendo um infarto. A, chamei um mdico e, logo depois, seu pai foi levado para o hospital. Sinto muito,  Tiffany. Eu tambm gostava muito dele. 
- Eu sei que sim. - Ela ficou de p. - Bem, agora voc pode voltar para a sua casa. A gente s volta a se encontrar para assinar os papis do divrcio. E, por favor, esquea o que aconteceu naquele hotel. Faz de conta que foi um sonho, faz de conta que...
- No, eu no vou fazer de conta que foi um sonho. E quero que saiba de uma coisa: no vai existir divrcio algum.
- Mas eu quero me divorciar de voc, King Marshall. Chega de tanta humilhao.
- Nunca na vida pensei em humilh-la. Agora, acho melhor  voc ir dormir. Descanse um pouco. Voc est esgotada.
- Eu no quero dormir.
- Mas j  tarde, Tiffany. Amanh vai se sentir bem melhor.
- No, eu no vou me sentir melhor amanh, nem depois de amanh, nem nunca! Meu pai morreu, King, ser que se esqueceu disso? 
- No; eu no me esqueci, mas se voc no se cuidar vai acabar ficando doente e tenho certeza absoluta de que o seu pai no gostaria que isso acontecesse.
- Por que voc me deixou sozinha l na Jamaica?
- Por causa do telefonema mentiroso de Carla. Mas eu j lhe disse isso.
- Quero saber mais a respeito.
- Ela inventou que iria haver uma greve. E era mentira.
- Por que o meu pai brigou com a Carla?
- Deve ter sido pelo fato de ela ter acabado com a nossa lua-de-mel. No tive tempo de perguntar o motivo exato da briga. Mas s pode ter sido por causa disso.
- E ela continua trabalhando l no escritrio?
- No. Antes do seu pai ter o infarto, eu disse  Carla que ela continuaria como minha secretria at cumprir o aviso prvio. Mas naquele dia mesmo liguei para a casa dela e a proibi de pisar de novo no escritrio.
- Isso deve ter sido um grande sacrifcio para voc. -  ela ironizou.
- Por favor, Tiffany, sem ironias. Carla Stark nunca significou nada para mim.
- Por que voc no quer se divorciar de mim? Por que agora sou uma mulher rica?
King se levantou e se aproximou de Tiffany.
- O que foi? Por que voc est me olhando dessa maneira? - ela perguntou.
- No quero me divorciar de voc porque estou comeando a gostar da vida de casado. - Ele tentou abra-la, mas Tiffany se esquivou. - E tenho uma coisa para lhe contar.
- O que foi? Pela sua cara no deve ser coisa boa.
- Seu pai estava sendo roubado. Aquele advogado dele, aquele tal de Smith, se apossou de toda a fortuna que seu pai tinha.
- No acredito... - Nervosa, ela o fitou e caiu na gargalhada.
- Calma, Tiffany. Por favor, muita calma.
- Eu estou calma. - Ela voltou a gargalhar. - Quer dizer que agora eu sou uma mulher pobre?
- No exatamente. O meu dinheiro tambm  seu.
- Voc  um homem muito generoso, King Marshal! - Tiffany voltou a ironizar. - Tanta generosidade chega a me emocionar.

Nos dias que se seguiram, Tiffany no precisou evitar King, simplesmente porque ele no aparecia em casa. O falecimento repentino do scio havia deixado muitas coisas pendentes e, alm disso, tinha prometido que iria encontrar o tal detetive particular para que descobrisse o paradeiro de Charles Smith. S ento poderia lutar para que toda a fortuna de Tiffany fosse devolvida.
Todas as manhs ao acordar, Tiffany sentia um profundo desnimo. A morte do pai fora uma grande violncia. Se no fosse a presena amiga de Lettie, ela achava que no teria sobrevivido a tanto sofrimento.
Duas semanas depois do enterro do pai, Tiffany acordou enjoada e no teve dvidas: estava grvida. O enjo e o atraso da menstruao lhe davam essa certeza. Mas Tiffany no queria que King soubesse da gravidez. Ele poderia rejeitar a criana, poderia sugerir que ela... No! Sob hiptese alguma! Aquela criana iria nascer e seria cuidada com muito amor.
No incio, foi fcil manter a gravidez escondida. Afinal, raramente King aparecia em casa. Mas depois, conforme o tempo foi passando e a carga de trabalho sobre ele diminuindo, a situao comeou a se complicar. King era um homem inteligente e observador e o corpo dela se modificava a cada dia.
Um dia, ao chegar em casa, King a encontrou na sala com o passaporte nas mos.
- Est pretendendo viajar? - King perguntou, desconfiado, e sentou-se ao lado dela.
- No, estava apenas checando a validade dele.  Na realidade, ultimamente Tiffany estava pensando em voltar para Nova York, caso a situao dela ali na fazenda se complicasse. E, para isso, queria que todos os seus documentos estivessem em ordem, inclusive o passaporte.
- Teve notcias do seu amigo Mark?
- No, mas ele pode estar em qualquer parte do mundo fazendo algum comercial.
- Pois eu tive notcias do seu amiguinho. Me encontrei com o pai de Lisa e ele me disse que o Mark est na Grcia, rodando um comercial para uma firma de produtos esportivos. Parece que o moo est a fim de se unir  Lisa para sempre.
- Isso  muito bom. Fico feliz em saber. Os dois merecem ser felizes.
- Tenho uma boa notcia para lhe dar: o homem que roubou o seu pai est preso.
-  mesmo? Pensei que jamais fssemos encontr-lo.
- O detetive o localizou nas Bahamas e ficou l observando-o. Charles Smith, ao contrrio do que imaginvamos, estava levando um vida bem modesta. A, um belo dia, o idiota resolveu vir para Miami. O detetive embarcou no mesmo vo e, quando desembarcaram, pediu ajuda para a polcia. - King balanou a cabea de um lado para o outro.
- O caso foi bem mais fcil do que espervamos: apavorado, o homem confessou tudo e, para diminuir a pena, est disposto a entregar cada centavo do que roubou.
- ... o homem est preso e vai devolver a minha fortuna ~ a voz de Tiffany era mais um lamento -, mas nada vai trazer o meu pai de volta.
- Isso  verdade. Mas pensei que voc fosse ficar mais contente com a notcia.
- Com o fato de Charles Smith estar preso?
- Exatamente.
- Ultimamente no consigo ficar contente com mais nada.
- Voc anda muito abatida, Tiffany, e no pode continuar desse jeito. Quero que v consultar um mdico.
- Um mdico? - Ela estremeceu. - E para qu?
- Entre outras coisas para ele lhe receitar algumas vitaminas e tambm para que possa usar algum contraceptivo. No podemos nos arriscar de novo.
- Mas o nosso casamento no existe.
- Existe. Para mim existe, sim. Pretendo continuar com voc pelo resto das nossas vidas. E, quanto a gravidez, no quero correr nenhum tipo de risco. Chega o risco que corremos l na Jamaica. Estava lhe dando um tempo para que se recuperasse da perda do seu pai, mas a minha situao piora a cada dia que passa: o desejo que sinto por voc est me consumindo.
Vermelha, constrangida com aquela confisso, ela disse:
- Tudo bem, vou ver um mdico.
- timo. J no suporto mais a vida que estamos levando, princesa.
- Bem, vou para o meu quarto. - Ela se levantou.
- Posso acompanh-la?
-No.
- Por qu? - King se levantou e a abraou. Naquele instante, notou algo diferente no corpo de Tiffany.
- Voc... - King passou de leve a mo sobre a barriga de Tiffany.
Apavorada, ela teve uma reao intempestiva e gritou:
- Ele  meu! S meu! No me interessa se voc o quer, ou no. Esse beb vai nascer, entendeu? Essa criana vai nascer! - Apavorada, ela o empurrou e correu. Porm, ao chegar na porta da sala, torceu o p e caiu.
- Tiffany, voc se machucou? - King agachou-se ao lado dela, preocupadssimo.
- Afaste-se de mim! - Tiffany levou a mo at a barriga, como se aquele gesto quisesse proteger a criana.
- Meu Deus, voc est muito plida.
Naquele instante, Lettie apareceu, - O que foi que aconteceu?
- Por favor, Lettie, chame uma ambulncia.
- Claro! - Lettie correu para o telefone e voltou logo em seguida. - Eles esto a caminho.
- Meu beb... No quero perder o meu beb... - Tiffany comeou a chorar. 
- Beb? - Lettie perguntou, espantada. - Ento  por  isso que voc quase no est comendo de manh...
- Ele no pode morrer. Esse beb  muito importante para mim.
- Tente no se preocupar. - King, com extremo carinho, a ajudou a se levantar. - O beb est bem, pode acreditar em mim.
Com cuidado, Tiffany voltou a se sentar e se recostou no sof. E com os olhos fechados, rezando para que tudo desse certo, aguardou a chegada da ambulncia.
King e Lettie, de p, mantinham um silncio sepulcral.
- Eu no quero perder o meu beb. - Tensa, Tiffany comeou a chorar de novo. 
- Voc no vai perder o nosso beb, querida. Ele vai nascer forte e saudvel.
Ao ouvir aquilo, Tiffany arregalou os olhos.
- Mas voc sempre disse que no queria filhos.
- Eu estava enganado. Quero muito essa criana que voc carrega no ventre. E a voc tambm, esteja certa disso.
De novo o silncio se fez na sala, e s foi quebrado quando ouviram o barulho da ambulncia chegando.  Acompanhados por Lettie, um mdico e um enfermeiro entraram na sala. Depois de ter sido examinada, Tiffany foi colocada em um maca e levada para o hospital.

Deitada em uma cama da ala de emergncia, Tiffany era examinada pelo mdico da famlia, que cuidava dela desde quando nascera.
- Fiquei sabendo da sua alergia l na Jamaica, Tiffany. E agora, voc resolve cair... - O velho mdico sorriu. - Pelo jeito, o casamento no est lhe trazendo muita sorte.
 - Estas coisas acontecem, doutor - King se apressou em dizer.
 -  verdade... Mas temos de fazer de tudo para evitar contratempos. Com a sade no se brinca.
 - Como ela est, dr. Briggs? - King estava muito ansioso.
- Sou um clnico geral, mas me parece que tanto o beb quanto a minha querida Tiffany esto timos. Mesmo assim quero que ela seja examinada por um bom ginecologista.
- Quer dizer, ento, que o senhor no tem certeza de que ela est bem?
- Sossegue, filho. Minha experincia de quarenta anos de profisso me diz que tudo est bem. Mas a sua esposa precisa de um ginecologista que a acompanhe at o dia do parto. 
- O senhor tem razo - King concordou.
- Tem uma moa aqui no hospital que  uma excelente ginecologista e obstetra. Ela chegou h uma semana, depois de fazer residncia de quatro anos com um dos melhores mdicos do pas nesta rea.
- Uma mdica? - King parecia no ter gostado da sugesto.
- O que foi, King? Voc tem alguma coisa contra os profissionais do sexo feminino? - Tiffany perguntou. Pois eu confio muito nas mulheres.
- No  que eu no confie nas mulheres, mas o dr. Briggs acabou de nos dizer que ela acabou de fazer residncia e...
- ...e j cuidou de dois partos de alto risco aqui no hospital com percia e extrema competncia. - O dr. Briggs sorriu. - Portanto, King Marshall, acho bom aceitar a minha sugesto.
- Bem, se o senhor tem tanta certeza...
- Eu tenho, sim, certeza absoluta do que estou dizendo.
- Vou ficar sob os cuidados desta mdica, dr. Briggs. Como  o nome dela?
- Martha Whinters.
- Certo: Martha Whinters.
- Mas me digam uma coisa: j escolheram o nome do beb? - o mdico quis saber.
- Bem, eu sempre quis ter um filho chamado Peter. - King se apressou em dizer. - E acho que Peter Marshall e um belo nome.
- Peter Blair Marshall. No se esquea que o filho tambm  meu, King.
- Me desculpe, Peter Blair Marshall  um belo nome tambm. 
- E se for menina? - O dr. Briggs perguntou, sorrindo.
- Bem, se for menina, gostaria que ela se chamasse Sarah. - Tiffany acariciou a barriga. - Sarah Blair Marshall. No  um belo nome tambm, dr. Briggs?
-  um belssimo nome, Tiffany. Tenho certeza absoluta de que, menina ou menino, essa criana ser muito feliz.
- H muito tempo no via um casal que se amasse tanto quanto vocs dois.
Ao ouvir as palavras do mdico, Tiffany sentiu uma vontade imensa de chorar. Como as aparncias enganavam.
Naquele instante de extrema preocupao, qualquer um diria que King a amava com extrema paixo, mas a verdade era bem outra.
- Nunca pensei que um dia eu pudesse amar uma mulher do jeito que eu amo Tiffany - King disse emocionado e segurou as mos delicadas. -  um amor que, de to grande e intenso, parece que vai me sufocar...
- King, eu...
- A minha vida sem ela, dr. Briggs, no tem o menor sentido. Demorou um pouco para que eu percebesse o quanto Tiffany era importante para mim. Mas agora... - Os olhos dele se encheram de lgrimas. - Agora eu sei que encontrei a mulher da minha vida.
- Quem diria, hem, King Marshall? Quem diria que o peo que vivia dizendo que jamais se casaria, de repente, se veria  merc dos encantos da minha querida Tiffany?
- Pois , doutor... Quem diria!
- Bem,  muito bom saber que voc dois so felizes. Agora vou entrar em contato com Martha Whinters.
Ao ficarem sozinhos, Tiffany perguntou:
-  verdade o que voc acabou de dizer?
- E voc ainda duvida, Tiffany? Eu te amo, minha querida. Te amo tanto que o meu corao chega a doer. E tenho certeza absoluta de que ns dois seremos o casal mais feliz do mundo. 
Um beijo apaixonado selou aquela promessa.


Duas horas mais tarde, Tiffany e King, depois de telefonarem para Lettie avisando que tudo estava bem, deixavam o hospital, muito bem impressionados com a nova mdica.
- Ela sabe exatamente o que est dizendo - Tiffany comentou feliz.
- Quanta segurana!
- E o bom nisso tudo foi saber que o meu beb est timo.
- O nosso beb, minha querida.
-  verdade... o nosso beb...
King a abraou feliz e apontando, disse:
- Os nossos funcionrios so mesmo muito eficientes. O meu carro j est nos esperando. 
Do hospital, King havia ligado para o escritrio, pedindo que fossem pegar o carro dele na fazenda.
De mos dadas, os dois caminharam at o carro.
- Tudo bem com voc, Willy? - King perguntou ao funcionrio que fora lhe levar o carro.
- Estou bem, senhor. - O rapaz lhe entregou as chaves.
- Quer uma carona at o escritrio? - King ofereceu.
- No, muito obrigado. O expediente j terminou e moro a dois quarteires daqui.
- Se quiser que eu o leve at l...
- Prefiro ir a p.  uma maneira de fazer um pouco de exerccio.
- Certo. Obrigado por ter trazido o meu carro.
- Sempre s ordens, senhor. Tenham um bom final de tarde - o rapaz disse e se afastou.
King abriu a porta para que Tiffany entrasse no carro e depois foi sentar-se  direo. Sorrindo, ele deu a partida no veculo e acelerou devagar.
- Posso lhe pedir uma coisa, King?
- O que voc quiser, meu amor.
- Daria para voc me levar para um motel?
- Um motel? - ele perguntou, espantado. - E o que voc est querendo ir fazer num motel?
- O que todo mundo faz, oras. E eu nunca fui a um motel em toda a minha vida.
- No seu estado, no acho l muito conveniente irmos a um motel.
- No meu estado? - Ela se fez de indignada. - King Marshall, ser que no ouviu a mdica dizendo que gravidez no  doena? Ser que no a ouviu dizendo que podemos ter uma vida normal, que o nosso beb no corre o menor risco?
- Ouvi, mas... - Ele hesitava.
- Bem, se voc ouviu tudo direitinho, no vejo motivo para ficar to preocupado. Quero reiniciar a nossa vida num motel. E acho que tenho direito a isso.
- Tudo bem, moa. - Ele acelerou mais o carro. - Vou pegar a estrada que vai para San Antonio e entraremos no primeiro motel decente que encontrarmos.
Tiffany deu um profundo suspiro. Algo lhe dizia que, naquele instante, comeava a viver a felicidade com que tanto sonhara.

FIM
